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Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Os imigrantes e seus descendentes
Abdalla Abujamra

  Abdalla pai de Ivone Abujamra, saiu de Shur, no Líbano, e veio para São Paulo em 1912. Nesse mesmo ano, Rosa Nachas, que era de Jerusalém, na Palestina, e estudava num colégio, veio para o Brasil na companhia de um irmão. Ambos fugiam da guerra e se instalaram em São Paulo onde, em 1914, casaram-se.
  De São Paulo, onde tinha uma alfaiataria, o casal mudou-se para Ourinhos, onde teve dois filhos. Montaram uma alfaiataria, no local em que foi o Bazar do Pedrinho. Em seguida, transferiram-se para Cândido Rodrigues, onde nasceram três de suas filhas, lá montaram outra alfaiataria e passaram a atuar também no ramo comercial de secos e molhados.
  Entre 1925 e 1932, os Abujamra viveram em Pindorama, comerciando com secos e molhados e vendo a família crescer, com o nascimento de três outros filhos. Ainda em 1932, eles transferiram-se novamente para Ourinhos, onde se instalaram definitivamente.

Abuassali Abujamra

  Abuassali não foi só o patriarca de uma grande e numerosa família ourinhense. Pode ser considerado o patriarca dos imigrantes, que vieram de longe, sem tradição dos sobrenomes, e que venceram. Ele não só se multiplicou numa legião de filhos, noras, genros, netos e sobrinhos, como realizou a façanha de mudar origem: de árabe, passou para italiana e de Abuassali para Pascoal. Como o seu nome real era difícil de se pronunciar e seu tipo aloirado sugeria um italiano, os caboclos do lugar passaram a chamá-lo de Pascoal.
  Abuassali aceitou o apelido, que ganhou tanta verdade que até os jornais da época, vez por outra, trocavam os nomes. Abuassali chegou à cidade quando ela era ainda um mero acampamento da Sorocabana, entre 1906 e 1908. Começou como vendedor ambulante e acabou dominando todo um quarteirão. Ele e seus inúmeros primos fizeram da esquina da Rua Antônio Prado com a Avenida Jacinto Sá um verdadeiro bazar árabe. Sua vida é lembrada pelos descendentes sempre em tom emotivo. Os parentes, para lembrá-lo recuam no tempo com informações mais minuciosas. Falam do começo, das precariedades, das melhorias e, principalmente, de uma grande família. Seu Paschoal como era conhecido faleceu em 1958.

Adolpho Galileo

  Adolpho foi pioneiro na terra e na música em Ourinhos. Ele foi um dos primeiros que chegaram à nossa terra, ao nascer o povoado de Ourinhos. Italiano de origem, aqui passou quase toda sua vida. Trazia no sangue italiano o pendor e o gosto pelas artes, principalmente a música. De início, viveu em Ourinhos com a profissão de alfaiate, mas era de um espírito poético e amante da música, para a qual tinha o dom. Sua qualidade de músico foi crescendo na boca do povo e, em pouco tempo, deixava a alfaiataria para ensinar música em sua casa. Residia numa casa de madeira, na Avenida Jacintho Sá, além da Oncinha.
  Ele foi o primeiro professor de música em nossa Ourinhos. Uma de suas alunas foi a Nice Nicolosi Corrêa, que tem ensinado piano agora a muita gente. Não havia festa na cidade em que faltasse o Galileo. A igreja, porém, foi o local que mais ouviu a sua capacidade musical, nas missas, nas rezas e nos casamentos, quando gostava de executar a Ave Maria de Gounod, quando a noiva entrava pelo corredor até ao altar, onde ia receber as bênçãos do matrimônio. Foi o criador do Coral Religioso, que dirigiu tantas vezes na velha Igreja Matriz da Praça Mello Peixoto. Não deixou riquezas, mas deixou sua memória de músico e professor, em seus numerosos descendentes que vivem em nossa cidade, e em muitos músicos aos quais ensinou as primeiras notas, os primeiros acordes, as primeiras pautas, na sua missão de formar futuros artistas.

André Kotik

  O imigrante ucraniano André nasceu na região de Livov, na Ucrânia, uma das ex-repúblicas da URSS, povoada por poloneses e lituanos. Ele cresceu falando russo fluentemente e veio sozinho para o Brasil, na década de 1920. Logo se especializou em máquinas a vapor e foi trabalhar na Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, quando os ingleses ainda estavam envolvidos no empreendimento. Infelizmente, quebrou as duas pernas num acidente de trabalho, mas conseguiu se recuperar. Porém, por ter ficado manco, foi indenizado pelos britânicos com um valor em dinheiro que lhe permitiu comprar algumas propriedades e viver de rendas.
  André residia em uma casa de tábuas na Avenida Rodrigues Alves, na esquina com a Rua Doze de Outubro nº. 1000, e, em 30.06.1971, vendeu-a para Eduardo Luiz Bicudo Ferraro, o "Brigadeiro".
  O ex-ferroviário André era solteiro, andava quase sempre de chapéu, almoçava no Bar Central e tomava seus cafezinhos no Café Paulista, com o pouco que ganhava. Ele morou muitos anos nos fundos da alfaiataria de Paulo Nadolenko, até seu falecimento.

Ângelo Christoni

  Vindo do norte da Itália em 1906, a família Christoni emigrou de Montalvo para o Brasil. Instalaram-se em Pirassununga, com um moinho de fubá e um alambique. Três anos depois, o filho mais velho, Ângelo, comprou 50 alqueires das terras de Jacintho Ferreira e Sá: 20 alqueires em seu nome e 30 alqueires em nome do pai, Carlos. Dedicaram-se à lavoura, à fabricação de aguardente e ao comércio. Em 1934, Ângelo era proprietário do Bazar de Ourinhos, onde vendia artefatos de alumínio, louças, material elétrico, vidros em geral e brinquedos. Havia ainda, atividades como o moinho de fubá e a fábrica de ladrilhos de uma, duas ou três cores.
  A partir do ano de 1938, a família começou a vender terrenos nas vilas denominadas Nova e Margarida, esta em homenagem à esposa de Ângelo. Ele faleceu em 1957 e pertenceu ao PRP, juntando-se à ala dissidente de Tonico Leite e Jacintho, contra Eduardo Salgueiro. De seus parentes se destacam o filho Otávio, inspetor de alunos no Instituto de Educação "Horácio Soares," e Isolina, filha do irmão Justo, que se casou com o ferroviário Antônio de Toledo Piza, casal que gerou Ary Christoni de Toledo Piza, o famoso comediante Ary Toledo. Casos semelhantes ocorreram com Joaquim Luiz da Costa, das terras da atual Vila São Luiz, além de Valeriano Marcante, da família Marcusso e de João Musa.

Antonia Pascoal

  Da Espanha para o Brasil em 1921, veio de navio dona Antonia, acompanhada de sua família, numa viagem que não foi muito boa, mas teve uma curiosidade: o gado, cuja carne era consumida pelos viajantes, era abatido no próprio navio, à vista de todos. Em Santos, a família de Antonia desembarcou vindo diretamente para a fazenda Furninhas, de Jacintho e Sá, onde trabalhou por um ano. Acreditava que ela não se acostumaria no Brasil. Em 1922, transferiu-se para outro sítio bem próximo a Ourinhos, o sítio de Domingos Perino, que foi para eles um bom patrão. Depois disso, o pai de Antonia melhorou de vida, comprou um carrinho de sorvete e foi, junto com José Calkhis, um dos dois primeiros sorveteiros da cidade. Cinco anos depois, a família mudou-se outras vezes: para a Argentina, onde viveu por dois anos, depois mudou para fazendas em Sorocaba e Rio Claro, e novamente para Ourinhos.

Antônio Augusto Saraiva

  Natural de Portugal, o Sr. Antônio veio em 1910 para o Brasil, fugindo da guerra e sonhando construir uma vida melhor. Estabeleceu-se em São Manoel, onde se dedicou à lavoura. Casou-se por volta do ano de 1917, com a imigrante italiana Maria Binotto. Em 1918 nasceu Antônio Augusto, seu primeiro filho. A família mudou-se para Canitar no ano seguinte, a então chamada Fortuna e continuou na lavoura. Ficou rico com o comércio de secos e molhados e aumentou com o nascimento de mais quatro filhos. Nessa cidade o menino Tonico cresceu, estudou no grupo e conheceu Ipaussu, Chavantes, Santa Cruz do Rio Pardo e Ourinhos, nos passeios que os pais faziam pela região.
  Ele voltou para São Manoel no ano de 1920, com o padrinho e comerciante Antonio Simões. Em 1934, estava novamente em Ourinhos trabalhando em um bar, de Carlos Cardoso, um imigrante português. O bar funcionava no prédio do antigo Bradesco, na esquina das atuais Rua São Paulo e Avenida Altino Arantes. Em 1936, foi balconista de uma casa comercial na Vila Maria, em São Paulo, e, em 1938, transformado em arrimo de família pela morte do pai, voltou a Ourinhos onde trabalhava na Casa Zanotto, depois Médici, Nicolosi & Cia., para se sustentar e aos irmãos.
  Casou-se em Janeiro de 1945, teve dois filhos. Em 1966 tornou-se sócio do primeiro supermercado da cidade, o "Serv Ourinhos", instalado onde hoje é o Santander/Banespa. Aposentado, tornou-se funcionário da empresa Marinho Veículos. Tonico Saraiva é figura que os antigos ourinhenses conhecem como bom pescador, como pessoa de trato fácil, gargalhada marcante e como um grande gozador. Era também "cobra" de destaque no "Butantã", antigo Bar Paulista e atual Central Shopping, vizinho ao prédio da Telefônica, onde os homens da cidade se reuniam para tomar café e trocar comentários, piadas e fazer pilhérias sobre todas as coisas que aconteciam em Ourinhos. Quem não se lembra de "cobras" como Quincas Machado, Duia Perino, Dalton Morato Vila Boas, Mota, Antonio Carlos Correia e tantos outros. O lugar também é conhecido como "Pedra" (lugar onde os picaretas, vendedores e corretores costumam se encontrar). As cidades do interior costumam ter um lugar como esse... "Pedra".

Antônio Saladini

  Os Saladini também ganharam notoriedade em nossa cidade. O patriarca era o alfaiate Tamante Saladini, chefe de uma família de artesãos e comerciantes. Ele se mudou de Pádova (Itália) para Ribeirão Preto e depois para Ourinhos. Seus filhos: Antônio consertava armas de fogo e bicicletas; era fotografo e entendia de sanfonas, que afinava, vendia e ainda tocava. Francisco era carpinteiro. O outro filho, Américo, era pedreiro.
  A convite de Henrique Tocalino, responsável por algumas das principais edificações públicas da nossa cidade, os Saladini vieram para Ourinhos e acabaram ficando. O filho, Antônio, ganhou notoriedade ao tocar nas festas e trabalhar como motorista de praça. Eles marcaram época em nossa cidade e Tamante viveu até 1938. O Sr. Antônio Saladini é pai de Chiquinho, Euclides, Izaira, Maria, Mercedes, Yolanda, Gilda e Jandira. José Saladini é casado com Norma, filha de dona Maria Cury e neta do casal Miguel e Benedita Cury. José e Norma têm dois filhos, Eliane é solteira e minha colega de advocacia e José Roberto Sfeir Saladini é médico, casado com Rosimar Dalpoz Saladini. Este autor e José trabalharam juntos no Banco Itaú.

Araceles Ruiz Romero

  Veio da Espanha para o Brasil no ano de 1921, a família Ruiz, porque seu chefe, José Ruiz, tendo participado das guerras européias como soldado, não desejava que seus filhos varões passassem, como ele, por semelhante experiência. Além disso, tinha sido aconselhado por uma de suas irmãs a vir para o Brasil, que era um país de muito futuro. Desembarcando em Santos, José, que na Espanha era professor e também lavrador, porque seu salário como mestre-escola não era suficiente para manter a família, veio para Ourinhos.
  Daqui foi para a Argentina, onde viveu por cinco anos e retornou definitivamente a Ourinhos, quando Araceles tinha oito anos e crescia como as meninas de sua idade: primeiro entre bonecas, lições e pequenas tarefas de casa, depois entre aulas de corte e costura, bailinhos, um namorado firme, noivado, marido e pai de seus filhos. Foi ao lado de Francisco Romero Filho que Araceles teceu sonhos e viveu uma longa vida em comum, orgulhosa como ele, da cidade que os adotou quando meninos. Ela e Chiquinho Romero são os pais do Wagner, Roberto, Ana Maria e Francisco. Chiquinho nasceu em 1914, em Espírito Santo do Pinhal-SP. Veio para Ourinhos em 1924.

Archipo Matachana

  O espanhol nascido em 1879, em Valladolid, veio em 1905, da Espanha para o Brasil. Archipo Matachana e sua esposa, D. Luiza Garcia Matachana, pais dos Srs. Fausto, Alberto, Paulo, Gaudência, Es-perança, Alzira, Mercedes e Maria (D. Mariquinha). O casal residiu por três anos na cidade de Pereiras, onde ele foi confeiteiro, e um ano em Santos. De lá, vieram para Ourinhos. Estabeleceu-se em Ourinhos com um armazém de secos e molhados, a Casa Matachana, mas também negociava com madeira e, junto com os filhos, atuou no ramo de calçados. Faleceu em 1968 e cada um de seus descendentes deu conti-nuidade a um ramo da empresa. Na Rua dos Expedicionários, n° 296, reside D. Maria Matachana Ferreira (Mariquinha), com 86 anos de idade. É tia do engenheiro Aldo Matachana Thomé e do médico José Luiz. É viúva de João Ferreira, cunhado do Sr. Antônio Ferreira, comerciante na Avenida Jacintho Sá.

Augusto Paschoal

  A bordo do vapor n° 59, em 1894, Augusto embarcou da Itália para o Brasil acompanhado de sua mãe. Seu filho, Augusto, casou-se com Genoepha Paschoal e tiveram 11 filhos. Outro filho, Fernando Antônio Paschoal, casado com Gabriela Lopes, foi um dos pioneiros no ramo de Olaria na Vila Odilon.

Djorge Mladen

  O sapateiro Djorge passou a vida numa oficina instalada na Rua 15 de Novembro. Veio da cidade de Vrsac, na Sérvia, onde vivia com a esposa, Zorka, trabalhando na lavoura. Os efeitos devastadores da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) levaram muitos habitantes da Europa a emigrar. Foi o que a família Mladen fez em 1924. Ele e Zorka, conhecida em Ourinhos como Dona Aurora, tomaram em sua cidade natal um trem para a Holanda. Em Amsterdam, solicitaram ao consulado brasileiro visto de entrada no País. Inicialmente, Djorge trabalhou em São Paulo, em uma fábrica de parafusos e em outra de plásticos.
  Depois se mudou para São Joaquim da Barra, onde havia um núcleo de imigrantes iugoslavos. Pouco depois, o casal mudou-se para Ourinhos. Djorge tornou-se sapateiro, comprou uma bicicleta e pedalava até Jacarezinho à procura de couro de boa qualidade. Com esse veículo, também fazia entregas e passeava pela cidade. Teve um filho, Milan, e três netos com nomes que seguem a tradição européia: George, Elizabeth e Rudolf. Zorka faleceu em 1974 e Djorge prosseguiu na profissão de sapateiro até pouco antes da morte, em 1983.

Felipe Dimants (Padre)

  Vinde benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado, porque estive enfermo e me visitastes... Mateus 25,35. Com certeza Padre Felipe Dimants ouviu estas palavras na sua despedida desta vida, e estará junto a Deus como bem-aventurado. Padre Felipe chegou a Ourinhos, como novo professor de Inglês no Instituto de Educação Horácio Soares, onde se aposentou como professor. Padre Felipe levava muito sério sua profissão de professor, às vezes com reclamações de alguns alunos.
  Uma coisa é certa: Padre Felipe fazia o aluno estudar; que o digam os professores de reforço na matéria em Ourinhos. Humilde, guardava em segredo sua vida religiosa do passado. Muito culto falava correntemente várias línguas. Conhecia profundamente o Latim e o Grego.
  Padre Felipe nasceu na Letônia, a 22 de janeiro de 1913, falecendo, portanto, com 88 anos. Consta que teria nascido na Finlândia e sido registrado na Letônia. Em seu documento de naturalização consta Letônia. O sobrenome de seu pai russo era Dimants, e ocupou na Letônia o cargo de representante do Czar Nicolau II da Rússia; deposto com a Revolução Russa de 1917. Sua mãe era alemã, de sobrenome Rubin.
  Seu pai era de religião Ortodoxa, e sua mãe protestante, mas ele foi batizado na religião católica na Alemanha. Seu pai foi morto na Revolução Russa; ele, sua mãe e irmão mais velho preferiram morar na Alemanha. Padre Felipe veio para o Brasil, com receios da política de Hitler e naturalizou-se brasileiro em 25 de abril de 1938, com 25 anos. Formado em Filosofia e Teologia, foi ordenado sacerdote na Ordem dos Beneditinos, com o nome de Dom Pio, vivendo no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, lecionando também no Colégio São Bento. Foi professor de Francês, Latim e Inglês. Secularizou-se como padre, saindo da Ordem de São Bento, e assumindo a evangelização nas paróquias e no magistério.
  Esteve como padre e professor em Cosmorama e Votuporanga, de onde veio para Ourinhos, como professor efetivo de Inglês, Instituto de Educação Horácio Soares, a 11 de março de 1957. Aqui, viveu 44 anos. Por muitos anos residiu no Asilo São Vicente, como capelão e, posteriormente, numa casa no Jardim Paulista, com seu sacerdócio na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, hoje Catedral da Diocese de Ourinhos. Aposentou-se no magistério estadual a 21 de dezembro de 1980. Tinha um gosto destacado em sua vida por automóvel, sempre limpo e conservado. Fez sucesso nos primeiros anos de Ourinhos, com sua Romiseta, o menor carro que circulou no Brasil. Era muito solicitado para bênção de veículos, o que fazia com grande prazer e devoção.
  Destaca-se sua grande virtude inspirada no Evangelho de São Mateus, visitando diariamente os doentes nos Hospitais e residências. Levava sua bênção e palavras de conforto, nestas horas em que vivemos a angústia de uma moléstia. Por isso, lá em Botucatu onde estava na Casa de Repouso dos Sacerdotes Idosos, ouviu as palavras do Senhor: "Venha, bendito de meu Pai, possua o reino que lhe está preparado desde o princípio do mundo, porque estive enfermo e você me visitou"... Padre Felipe vai continuar junto aos leitos dos enfermos, para sua bênção, seu conforto.

Feodor Gurtovenko

  Feodor ganhou o apelido de Alfredo, quando abriu um escritório de contabilidade com o nome de Alfredo. Daí em diante, em função do nome que levava sua empresa, ele passou a ser conhecido como Sr. Alfredo. Mais da metade dos seus amigos não tinha o conhecimento do seu nome verdadeiro. Ele fazia a contabilidade da olaria de papai. Era casado com Eunice Franco Gurtovenko. Tinha dez anos, quando a família e o tio, Pável Nadolenko, comerciantes e agricultores da região de Ciomele, Bessarábia, hoje República da Moldávia, decidiram emigrar para o Brasil. Convencidos por corretores de companhias de imigração, especializados em recrutar mão-de-obra para a lavoura de café, da abundância de ouro no interior do Brasil, os Gurtovenko chegaram a Chavantes, em 1930. Ficaram dois anos como colonos da Fazenda Santana, em Ribeirão Claro, onde depois compraram uma chácara, lá morando por dez anos.
  Os filhos vendiam banana e leite nas casas da vizinhança, o que permitiu à família juntar dinheiro para comprar uma segunda chácara. Ao trazer a mãe para uma consulta em Ourinhos, eles gostaram da cidade. Pável queria ser carroceiro, mas não podia por ter documentos romenos. Descobriu um talento até então inusitado: o gerenciamento de uma alfaiataria. Comprou uma oficina com o nome de "Sossega leão" e passou a ser conhecido como Paulo Nadolenko, falecendo em 1987. Detalhe: ele nunca soube costurar.

Francisco Ruiz, o "Chico Jornaleiro"

  Francisco nasceu em Málaga, na Espanha, assim como o pai de Chico, o pequeno proprietário rural, José Ruiz, era conhecido em sua cidade como professor itinerante de matemática em aldeias e fazendas. Em 1923, estimulado por uma carta da irmã, Maria, resolveu tentar a sorte no Brasil, com a mulher e os três filhos. Maria vivia em Ourinhos, casada com José Godoy, proprietário da casa de secos e molhados localizada na Rua Paraná. José veio para o Brasil com um contrato de dois anos para os cafezais da Fazenda das Furnas e trabalhou ainda como colono nas terras de João Villar, na Fazenda Água do Jacu. José Godoy e Maria mudaram para Apucarana-PR, e a família de José Ruiz buscou melhores condições de vida na cidade. Francisco tornou-se jornaleiro, passando a ser conhecido como Chico Jornaleiro. Morou com a irmã, Maria e, em 1975, quando faleceu, ainda gostava de ler e criar passarinhos.

Frederico Hahn

  Papai tinha um amigo, o fotógrafo Friedrich Hahn, conhecido entre os ourinhenses como "Frederico", nasceu em 24.02.1897, em Ingelstadt, no Estado da Baviera, no sul da Alemanha. Durante quase 50 anos foi o principal fotógrafo de Ourinhos, registrando casamentos, primeiras comunhões e outros eventos, sempre entregando o material com o timbre F Hahn, na margem. O motivo de sua mudança para o Brasil é incerto. A versão da família é que, em 1927, em viagem para a Argentina, perdeu o navio, por motivo não explicado, e acabou ficando em Santos.
  Daí, então, resolveu conhecer o país e, para sobreviver, contava com filmes, máquinas, métodos de revelação, papéis especiais e fotografia. Após um período em Chavantes, percebeu que teria maiores possibilidades em Ourinhos. Em uma viagem a São Paulo, conheceu Olga, gaúcha (filha de alemães), com quem se casou.
  Hahn era vegetariano, um homem reservado, carrancudo, mas de bom coração. Costumava tomar banhos gelados e calçava sandálias com meias. Como não teve filhos, praticamente adotou as crianças de um casal vizinho. O fato de ser alemão custou-lhe caro. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), populares destruíram a pedradas as janelas de vidros do primeiro andar de sua casa. O imigrante as tapou com madeira e, como forma de protesto, deixou-as assim durante anos. Faleceu em Ourinhos, em 1986.

Henrique Migliari

  Os avós maternos de Luiza Migliari Fernandes, Heráclito Sândano e Hermínia Ivonete Sândano, vieram para o Brasil em 1895 e trouxeram Cezira, a mãe de Luíza, com apenas cinco meses de idade. Foram morar em Óleo e depois vieram para Ourinhos, onde tiveram um hotel, em frente à Caninha Oncinha dos dias de hoje. Conta-se que Dom Pedro II, que viajava para Jacarezinho, a fim de comprar terras, parou em Ourinhos. Deixando o vagão especial que ocupava e que era forrado de veludo vermelho. Sua Majestade foi levado de liteira até esse hotel, aonde chegou após o término do horário do jantar e, mesmo assim, foi servido pela avó de Luíza, que preparou uma refeição especialmente para ele.
  Também por volta de 1895, os avós paternos de Luiza, Emma Marca e Henrique Migliari, vieram de Rovigo, na Itália. Viveram em São Paulo por uma temporada e se mudaram depois para Ribeirão Preto, onde se dedicaram pouco à lavoura e mais à mecânica e carpintaria, em uma oficina que montaram. De Ribeirão Preto transferiram-se para Cravinhos. Henrique Migliari chegou a Ourinhos em 1910, onde, como os Sândano, foram pioneiros. "Depois de uma longa enfermidade, faleceu no dia 15 o Sr. Henrique Migliari, com a idade de 64 anos, natural de Salerno, Itália, tendo vindo de Cravinhos para esta em 1910. Iniciando aqui uma pequena oficina de ferreiro, foi pouco a pouco engrandecendo, contando hoje para mais de trinta operários sob a direção de seu filho Narciso Migliari. Deixa viúva a Sra. Emma Migliari e diversos filhos. Seu enterro realizou-se à tarde, tendo grande acompanhamento por ser um dos mais velhos moradores daqui e benquisto por todos os seus amigos, onde deixa muitas saudades." (A Voz do Povo, 29.09.1935.). Anota do jornal dá-nos conta de que Henrique Migliari tenha nascido em Salerno, porém, sabe-se que era natural de Rovigo.
  Da união de seu filho Narciso com Cezira Sândano, nasceram filhos, entre os quais Luíza, que se lembra do pai como homem trabalhador que ia buscar madeira no Norte do Paraná e que seu pai, como todos os primogênitos dos Migliari, recebia anualmente dividendos da fortuna de um tio-avô, conde, que morreu solteiro na Itália.
  Narciso Migliari foi o responsável pela montagem de um dos primeiros cinemas da cidade, o Cine Tizim. Casado com Cezira Sandâno, também nascida em Pádua, Itália. Narciso e Cezira foram os primeiros e únicos patrões de minha mãe. Lauro Migliari, advogado, filho de Narciso, era diretor das Indústrias Migliari. Foi prefeito de Ourinhos em 01.02.69 a 02.07.69, e cassado pelo regime militar. Ao que consta, sua cassação foi indevida, pois nada foi comprovado, dando mostras de que tenha ocorrido por mera perseguição política. Dr. Lauro Migliari se casou com a professora Cleide Queiroz Migliari e tem três filhos: Athos, Afrânio e Átila. O engenheiro Mithuo Minami o substituiu na Prefeitura de Ourinhos

Henrique Tocalino

  Chegou a esta região em 1914. Veio de Ribeirão Preto e foi morar com a família na Fazenda Água do Bugre, hoje propriedade da família Meneghel, no município de Cambará. Trabalhou como construtor da sede, da colônia e dos terreiros de café. Naquela ocasião, a fazenda tinha mais recursos que a cidade de Ourinhos, como dentista, farmácia, etc...
  Depois veio com a família para Ourinhos, onde ficou até sua morte, aos 88 anos de idade. Em Ourinhos, construiu várias obras, como a residência do Dr. Hermelino de Leão, o hospital e a residência do Dr. Ovídio Portugal de Souza, Hospital Dr. Pena, mais tarde Monzillo, a Santa Casa, o Ginásio de Ourinhos, hoje Horácio Soares, as casas da Rede Ferroviária Federal, a estação Ferroviária de Ourinhos e todas as estações, desde Cambará até Rolândia. Henrique Tocalino foi o primeiro construtor de Ourinhos. Sua última construção foi sede da Fazenda das Furnas, na época propriedade de Olavo Ferreira e Sá.

Herculano Fantinatti

  Em 1884, Herculano transferiu-se com sua família de Rovigo, na Itália, para Pirassununga, assim como a família de Elisa de Morário também o fez, vindo em 1888, de Verona. Nessa cidade brasileira, Elisa e Herculano se conheceram, casaram-se, tiveram três filhos e decidiram transferir-se para Barra Bonita, onde seu Herculano foi fiscal de fazenda, oleiro e pai de mais doze filhos. Em 1936, seu Herculano, esposa e filhos se mudaram para Ourinhos, onde compraram uma pequena olaria na Vila Odilon, que é marcada até hoje pela presença viva da família Fantinatti.

Ibrahim el Hage

  O Sr. Ibrahim nasceu em Kfeir, no Líbano. Em 1891, veio para o Brasil. Em sua terra natal, ele possuía algumas vinhas, oliveiras e ca-bras. Levava uma vida difícil e exercia o ofício de barbeiro para incrementar o orçamento. Sua primeira mulher morreu no parto e a segunda, Nelly Abunasser, tinha a mãe e os três irmãos no Brasil. Em 1937, aos 45 anos, lbrahim veio com a esposa e o único filho, Elias, para o Brasil. Embarcaram no navio Conte Grande e chegaram a Santos. Nelly logo se reuniu aos familiares em Ourinhos. Os cunhados, Mansur e Abrão Abunasser, tinham uma casa de secos e molhados na Rua Paraná e a irmã, Saidi, casada com Abuassali Abujamra, era dona de uma beneficiadora de arroz na mesma rua.
  Após tentar fazer carreira como barbeiro, sem êxito, lbrahim passou a vender amendoim torrado e, mais tarde, passou a vender quibe, ficando conhecido como Abrão Quibeiro. O casal trabalhava muito. Acordava às 4 horas da manhã para acender o fogão a lenha e, às 7 e meia, ele saía de casa com a primeira cesta. A segunda leva estava à disposição entre 9 e meia e 10 e meia, para a freguesia habitual de funcionários de bancos, lojas e empresas.
  No começo da década de 1940, a família conseguiu comprar a própria casa, na Rua Souza Soutello. Embora não fosse funcionário da Drogasil, estava sempre lá, cinco ou seis vezes ao dia para vender seus quibes que, por sinal, eram muito saborosos. Na Drogasil, ele vendia fiado, para pagarmos na data do recebimento do salário. O Sr. Abrão tinha um caderno onde controlava suas vendas fiado. Tinha um controle de tudo e sem ler suas anotações, dizia de pronto o quanto cada um devia para ele; dificilmente ele se enganava. Abrão faleceu em 10.07.64.

Ítalo Ferrari

  Vindo de Pievi di Saco, localizada no norte da Itália, a família Ferrari chegou ao Brasil em 1906. A primeira parada foi na cidade de Sertãozinho, onde ele, os pais e mais sete irmãos foram colonos nos cafezais da região. Lá, ficaram oito anos. Depois foram para Ipaussu, ponta da linha da Sorocabana, lugar ideal para abrir novos negócios, como o comércio de bebidas.
  Mudou-se para Ourinhos em 1915 com sua mulher, Hermínia Crivelari, embalado pela fama de que o lugarejo começava a prosperar, devido à sua excelente posição geográfica. De início, abriu um bar na, hoje, Avenida Jacintho e Sá. Depois inaugurou um outro bar na Rua Paraná, com uma pequena fábrica de guaraná, chamada Ceci, e uma representação da cerveja Antarctica.
  Em 1930, o refrigerante foi rebatizado com o nome de Ivoran, em homenagem ao filho Ivo. Nos anos de 1940, a família decidiu concentrar-se na revenda de cerveja e na produção de aguardente em larga escala. Era o nascimento da Caninha Oncinha S/A. Com o sucesso, construiu uma casa na Rua Nove de Julho e passou os negócios para os filhos, falecendo em 1958.
  O casal teve cinco filhos: Lino, Nilo, Ivo, Alba e Genny. Lino Ferrari casou-se com Mariinha Chiaradia; tiveram três filhas: Jussara, Guacira e Moema. Ivo Ferrari casou-se com Irene Crivelari e tiveram quatro filhos: Ivonir, Ivaldemir, Ivanilde e Ivani. E Nilo Ferrari, casado com Luiza Moya, teve quatro filhos: Nildo, Nilson, Nilza e Nilce. Alba se casou com Antonio Dias Ferraz e tiveram dois filhos: Ordener e Ítalo. Genny é solteira e, seguindo a vocação religiosa, tornou-se freira. Nildo Ferrari, filho de Nilo, casou-se com Vildenice Barbosa e o casal teve dois filhos: Nilo e Vanessa. A esposa de Nildo, Vildenice, é filha de Ciro Barbosa.

João Carnevalli

  João veio da Itália ainda criança. Casou-se com Angelina Bressanin. Atuavam no ramo de cerâmica em Barra Bonita e se instalaram na Vila Odilon, em Ourinhos, onde abriram uma olaria para a fabricação de tijolos. João é considerado um dos pioneiros no ramo de olaria em nossa cidade. O casal teve sete filhos: Celso, Arthur, Lírio, Justino, Mauricio, Orlando, Maurilia (Nina).
  Seu filho Arthur se casou com Antônia e tiveram duas filhas, Maria Aparecida e Maria Marta. Justino se casou com Jandira e tiveram os filhos: Jane, João, Janira, Justino e Joirdes. Mauricio casou-se com Tereza Marquezini e tiveram os filhos: João Carlos, José Mauricio, Edson, Maria e Conceição. Maurilia se casou com José Paschoal e tiveram os filhos: João Carlos e José Augusto. Lírio Carnevalli se casou com Lourdes, tiveram os filhos: Maria Sueli, Odila, Roberto, Áurea, Renato, Valdir e Sandro. A filha de Lírio, Odila, se casou com Carlos Alberto Tavares Ribeiro, tiveram três filhas: Luciene, Simone e Angélica. Carlos Alberto trabalhou na Yarama S/A e na Prefeitura Municipal de Ourinhos, quando lá se aposentou.

José Fernandes Grillo

  Vindo de Portugal, o Sr. Grillo residiu em Avaré e lá viveu por vários anos, onde nasceram seus sete filhos. Depois, se fixou em Ourinhos e se dedicou ao trabalho de buscar toras em Jacarezinho com seu carroção de burros. Toda a família colaborava na tarefa, até as mulheres, que se levantavam de madrugada para dar água aos burros, pois os homens saíam nesse horário e retornavam somente às seis horas da tarde. Depois de muita luta e trabalho, José Fernandes Grillo montou uma Casa Comercial na esquina da Rua Paraná e casou sua filha, Benedita, com o imigrante libanês Miguel Cury, que viveu em terras e costumes diferentes até chegar a Ourinhos.

Julio Mori

  Julio era casado com D. Maria e pai do Oriente, Jetro, Antônio Carlos, Janet e do Morinho, filho do segundo casamento com D. Helena. A primeira firma dos Mori foi aberta em 1918. Primeiro, eles montaram uma serraria; depois, uma casa de secos e molhados e, finalmente, uma loja de materiais de construção.
  Em 1890, Julio Mori vivia na Itália, e na época atravessava em um período de muita pobreza. E foi pensando em se aventurar que, ainda moço, solteiro, deixou a província de Venteble no ano de 1894, vindo para o Brasil, adaptando-se facilmente, inclusive em termos de linguagem. Após longa viagem de navio, desembarcou no porto de Santos. A aventura se estendeu por mais alguns dias e a viagem continuaria, agora era de trem, em direção ao interior do Estado de São Paulo, parando na cidade de Botucatu. Dois anos depois, voltou à Itália para buscar a noiva. Depois de casado, viveu mais vinte e dois anos na cidade de Botucatu, vindo para Ourinhos somente em 1918, onde se dedicou com a família à indústria e ao comércio e contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da cidade.

Mário da Cruz Thomé

  Mário nasceu na Figueira da Foz, bairro de Barcos, em Portugal, em 30.11.1901. Veio para o Brasil em 1923. Residiu em São Paulo e depois se mudou para Ourinhos em 1930, onde se estabeleceu na Rua Antônio Prado, no prédio da antiga Drogasil, onde montou um bar.
  Em 31.01.1935, casou-se com Gaudência Matachana Thomé, e em 05.11.1935, teve um filho Aldo Matachama Thomé. No mês de abril de 1936, mudou-se para o bairro de Ribeirão dos Pintos, município de Salto Grande, onde se estabeleceu com o comércio de secos e molhados e revendedor Esmo. Nesse local também funcionavam as dependências do Correio. Em Ribeirão dos Pintos, atual Ribeirão do Sul, comprou dois alqueires de terra onde criava vacas leiteiras e, além de frutas que vendia do seu pomar, também vendia leite e hortigranjeiros para sobreviver. No seu pequeno sítio, não tinha energia elétrica. Em 1945, construiu uma pequena usina elétrica em sociedade com o fazendeiro Augusto Correia Gomes, com capacidade para atender a apenas duas residências, a sua e a deseu sócio. Eram as duas únicas casas que tinham energia elétrica. No ano de 1954, retornou para Ourinhos e nesta cidade faleceu em janeiro de 1993. Seu filho Aldo se formou engenheiro; mais tarde, se casou com Dorita, com quem teve duas filhas: Danielle e Christiane. Danielle casou-se com Alexandre, filho do Marinho, e tiveram dois filhos: Matheus e Angélica. Sua filha Christiane se casou com Miguel Grandini, e tiveram dois filhos: Franco e Bianca. Dona Gaudência é filha de Archipo Matachana, tia do meu vizinho Dr. José Luiz e irmã de dona Mariquinha que também é minha vizinha e amiga. Dr. Aldo foi prefeito em Ourinhos no período de 01.02.1977 a 31.01.1983. Sua grande obra realizada em Ourinhos foi a retirada da antiga Estação Rodoviária do centro da cidade e a construção da nova Estação, onde está hoje.

Miguel Cury

  Miguel nasceu em Beirute, na Síria, em 25 de março de 1892. Morou em Acfeir, antiga cidade da Síria, hoje parte do Líbano. Teve um único filho varão: Esperidião Cury. Seu pai era Cristão Ortodoxo, tinha mais três filhas. Miguel estudou no Egito e falava o árabe, o francês e o inglês. Seu pai, padre ortodoxo, participava de um ambiente de lutas religiosas. Quando, numa dessas lutas, vendo Miguel ser atingido por uma garrafada, decidiu que preferia ter o filho longe de si do que vê-lo morto. Aproveitou então a viagem de uma família conhecida para o Brasil e o enviou para cá, com apenas quatorze anos. Encaminhado para São Paulo começou a trabalhar como sapateiro, ofício que conhecia.
  Depois de um ano nessa cidade, Miguel veio para Ourinhos, talvez à procura de um lugar menor onde pudesse fazer sua vida e continuou na mesma profissão. Casou-se com D. Benedita, filha do comerciante José Fernandes Grillo, e com ela teve nove filhos. Iniciou sua vida como sapateiro, na Praça Mello Peixoto. Ele e D. Benedita são os pais de D. Maria, casada com Abdo Sfeir; de Mário, casado com Maria Lucia; de Nelson, casado com Aparecida; de Esperidião, já falecido, casado com Nair; de Carlos, casado com Dorly; de Osvaldo, casado com Maria Inês; de Teco, casado com Neide e de Samir, casado com Celeste. Miguel Cury estabeleceu-se com sua sapataria e progrediu. Em 1924, tornou-se representante da Chevrolet. Em seguida, abriu uma companhia de ônibus, que fazia a linha Ourinhos-Assis. Seu primeiro filho, Esperidião Cury, nascido em 1918, foi o primeiro de seus filhos a estudar em São Paulo, e foi, também, o primeiro prefeito de Ourinhos nascido na cidade. Governou Ourinhos de 01.02.83 a 31.12.88. Esperidião faleceu em maio de 2004. Já, seu irmão Mário, fez o Grupo Escolar em Ourinhos, foi presidente do Grêmio Recreativo, antes mesmo de ser o clube que é hoje, e foi o responsável pelo projeto de seu prédio.
  Miguel Cury faleceu em 1975. Em 1988, o Teatro Municipal foi batizado com seu nome. Eles possuíam uma oficina na Rua Duque de Caxias, esquina com Rua Pará, onde hoje está o Supermercado Avenida, divisando com a olaria de papai.

Salim Abuhamad

  Salim nasceu no Líbano, casado no Zelinda Nicolau teve dois filhos: Arnaldo e Norma, que se casou com Paulo Roberto, o casal tem três filhos: Paulo Jr., Eduardo e Ricardo. Arnaldo Abuhamad casou com Arlete e teve três filhos: Márcia, Marcelo e Marta. Marcelo casou com Danielle, e teve dois filhos: Mariana e Marcelo Filho. Márcia casou com José Carlos tem uma filha: Marina. Marta casada com Beto tem duas filhas: Maíra e Julia. O Sr. Salim, em Ourinhos foi proprietário do Bar Central, um dos melhores restaurantes que nossa cidade já teve. Seu filho Arnaldo foi proprietário, durante muitos anos, do Restaurante Ipê e seu filho, Marcelo Abuhamad, é proprietário do restaurante "Al Faiati", mantendo a tradição dos seus ancestrais. Marcelo Abuhamad é também, neto de Antônio Casseta, que foi proprietário da Alfaiataria Casseta, na Rua Paraná, durante longos anos. Marcelo gostava muito dos seus avós, Casseta e Salim, que, ao constituir seu restaurante, decidiu homenageá-los, dando ao estabelecimento o nome "Al Faiati", que quer dizer "O costureiro" por ser a profissão do avô materno. É, também uma palavra de origem Árabe, região de onde veio seu avô Salim. "Al Faiati". Além de decorar o local com elementos ligados, principalmente à profissão dos avós, foi muito bem aceito pelos amigos, que gostaram da sua atitude na homenagem prestada. O Restaurante "Al Faiati", localizado na esquina da Rua Antônio Carlos Mori com Rua Euclides da Cunha, é um dos melhores restaurantes da cidade. Marcelo é cliente em minha imobiliária e eu sou cliente em seu restaurante.

Victor Kaninev

  A pequena comunidade de língua russa, aliás, costumava se encontrar com freqüência na alfaiataria. Entre seus integrantes estava Victor, o imigrante solitário, dono de uma casa onde vendia e consertava rádios, na Praça Mello Peixoto, vizinha do Foto Machado, Ótica Paris, Alfaiataria Casseta, e da Singer. Homem alto, de andar elegante, gesto lento. Sobre sua história, pouco se sabe. Apenas que nasceu em 1889 e que, segundo contava, havia sido membro da guarda militar do Czar da Rússia e fora obrigado a abandonar o país com a revolução de 1917, que depôs a nobreza do poder. Trabalhou em São Paulo, Cubatão, Corumbá e Cambará, antes de fixar residência em Ourinhos, onde vivia nos fundos de sua loja. Mais tarde ligou-se à família Abuhamad, proprietária do Bar Central. Quando ficou mais idoso, passou a morar na casa deles. Faleceu no ano de 1978.

Vitório Toloto

  Acompanhados de seus doze filhos, em 1910 os pais de Vitório saíram da Itália com destino ao Brasil. Desembarcaram no porto de Santos, depois foram para Ribeirão Preto e aí, seus membros trabalharam como colonos. Depois eles se mudaram para cidade de Jacarezinho e ambará, onde um fazendeiro vizinho lhes ofereceu cinqüenta alqueires de terra pelo preço de quatorze contos de réis. Comprada a fazenda, os Toloto trabalharam muito, sem o auxílio das máquinas agrícolas, até então inexistentes. Depois da Fazenda Bela Vista compraram um sitio e foram proprietários durante o período 1937 a 1942, que foi vendido quando Vitório resolveu dedicar-se ao comércio. Eles trabalhavam muito, mas comiam bem. E a comida era italiana: leite com polenta, porco, sardinha, salada cozida, almeirão. Hoje, com os seis filhos formados, ele agradece a Deus e relembra, às vezes, a dureza daquela época, na qual ele usava botina e só conseguiu ter seu primeiro par de sapatos com treze anos de idade.

Os imigrantes japoneses

  A imigração Japonesa no Brasil começou no início do século XX, com um acordo entre os governos japonês e brasileiro. Atualmente o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão. São cerca de 1,5 milhão de pessoas. O uso do termo nikkei (aeu) é, atualmente, usado para denominar os japoneses e seus descendentes.
  O Japão vivia, desde o final do século XIX, uma crise demográfica. O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura. A pobreza passou a assolar o campo e as cidades ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores rurais miseráveis.
  O dia 5 de novembro de 1895 assinala um evento importante para o Brasil: a assinatura em Paris, França, do "Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, entre Japão e Brasil, para o bem comum de ambos os países". No Brasil, por sua vez, faltava mão-de-obra na zona rural. Em 1902, o governo da Itália, proibiu a imigração subsidiada de italianos para São Paulo (a maior corrente imigratória para o Brasil era de italianos).
  As fazendas de café, principal produto de exportação do Brasil na época, passaram a sentir a falta de trabalhadores com a diminuição drástica da chegada de italianos. O governo brasileiro, então, precisou encontrar uma nova fonte de mão-de-obra. Desta vez decidiu-se por atrair imigrantes do Japão.
  Em 18 de junho de 1908, no Porto de Santos desembarcaram do navio Kasatu Maru, o primeiro navio a aportar no Brasil trazendo imigrantes japoneses. Trazia 165 famílias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Nos primeiros sete anos vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da I Guerra mundial (1914), explodiu a imigração: entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil. Foram para São Paulo, visto que o estado concentrava a maior parte dos cafezais.
  O governo japonês também desejava a expansão da etnia japonesa para outros lugares do mundo e também que a cultura japonesa fosse enraizada nas Américas, a começar pelo Brasil. Porém o fluxo imigratório de japoneses ao Brasil ganhou relevo no período posterior a 1930, quando a imigração de espanhóis, italianos e portugueses sofreu considerável redução.
  Dentre os muitos aspectos culturais do povo japonês, posso citar que uma pessoa, quando completa 60 anos, volta a ser criança e por esta razão, pode usar peças do vestuário na cor da roupa de criança. Outra tradição da cultura japonesa é que os japoneses têm o hábito de comemorar até um ano antes o seu aniversário.
  Porém, da mesma forma que no decorrer do século XX o fluxo imigratório ocorreu no sentido Japão-Brasil, nos últimos anos daquele século esse fluxo começou a se inverter, com a ida de brasileiros, natos e descendentes, para o Japão. Hoje em dia vivem naquele país mais de 300 mil brasileiros, a maioria dos quais, são dekasseguis (brasileiros de origem japonesa e seus cônjuges, que vão ao Japão para trabalhar, a grande maioria como operários na indústria). A comunidade brasileira no Japão é a terceira maior fora do Brasil e, por sua vez, é a terceira maior comunidade imigrante no Japão, atrás apenas dos coreanos e chineses.

A Colônia Japonesa em Ourinhos

  Os japoneses vieram para Ourinhos quase nos primórdios da cidade e aqui formaram uma das maiores colônias do Brasil. A imprensa da cidade noticiou algumas participações dos japoneses na vida ourinhense. O Jornal A Cidade de Ourinhos estampava esta nota: "Importante Donativo: Sociedade Cooperativa Japonesa, cuja diretoria é composta pelos srs. Kuchi Tashiro, Juwakura Jimmusulke, Kanichi Suyama e Rinkuro Suzuki, fez à Caixa Escolar de Ourinhos o donativo de 153$000, num gesto digno dos nossos melhores aplausos. 23.08.1931." E o jornal A Voz do Povo noticiava: "Realizou-se, no dia 11, na rua Maranhão, a inauguração do prédio onde funcionará a escola nipo-brasileira primária de Ourinhos, 15.02.1936."
  A colônia Japonesa era muito numerosa em Ourinhos e muito unida. Na AECO, localizada na divisa da olaria de papai, funcionava a associação dos japoneses. Naquele local, eles se reuniam, mantendo também uma escola e aulas de língua japonesa aos filhos dos imigrantes. Como morador vizinho da AECO, eu conheci um número grande de japoneses, e com muitos deles tive amizade: Caio Mizubuti, Diro Fujihara, Ioshito Koga, Isao Hashimoto, Jorge Teshima, Kanae Sakay, Kenichi Koga, Kiyoji Shibata, Kiyoji Suzuki, Kuniyoshi (Foto), Mário Fugikawa, Masami Kichise, Masato Nobuyasu, Minoru (Foto), Satyro Miwa, Shibata, Saburo, Sinsuki Kuniyoshi, Sumi Uehara, Tadashi Yano, Taiti Ito, Takeshi Kodama, Tomoishi Shikawa, Torizo Tanaka, Toshihico Hara, Toshihico Yamaji, Yamasu Tutui, Yuko Kuniyoshi.

A Cooperativa Agrícola de Ourinhos

  Meu pai foi um dos fundadores da Cooperativa. Ele era associado e freguês do armazém de secos e molhados e também de insumos agrícolas da Cooperativa. Segundo meu pai, tudo lá era mais barato. Eu, pessoalmente, tinha uma grande amizade com o vendedor Antônio Nobuo Iamasita. Junto com ele trabalhavam: Hideaki Shinozaki, Laura Sato; no escritório tinha o Shiguero Komatsu, Tadashi Tatekawa, Hiratoshi Tanaka, Naohar Matsunaga, Naoki Kobuti, Hisao Kobuti. O presidente era Tadaci Takafaci. Tinha como associados: Shitinoske Yamamoto, Masatoshi Tatekawa, Kanyti Toda, Toshiharu Iwano, Tsutomu Sakaida, Mário Ueno, Isamu Ishiguri. O gerente da Cooperativa era o Misao Ishikawa.

Associação Esportiva e Cultural de Ourinhos (AECO)

  Está localizada na Rua Maranhão nº. 409. Segundo seu presidente, Natal Nishikawa, a colônia japonesa que está integrada por cerca de 400 famílias, teve um papel relevante no processo de desenvolvimento da cidade, nas mais diversas atividades produtivas do município, como agricultura e o comércio.
  De fato, os japoneses e seus descendentes, após deixarem as fazendas de café, passaram a reunir-se em grandes colônias, principalmente próximas a cidades, e, no caso de Ourinhos, eles não só contribuem no segmento rural, mas também no comércio, na indústria, na medicina, no ensino e até na política local.
  A Associação Esportiva e Cultural de Ourinhos (AECO) foi criada para prestar um serviço social e cultural direto aos imigrantes e seus descendentes. De forma que, além de uma sede social, a associação já teve até um bom campo para a prática do beisebol, um esporte muito praticado no Japão e que hoje é praticado até por brasileiros não-descendentes. Esse campo não mais existe, pois no terreno onde ele se localizava está instalada hoje a Estação Rodoviária de Ourinhos. Mas a sede da AECO continua na Rua Maranhão.

Eles vieram de longe para ficar

  Hisao Kobata. A bordo do navio Prata Maru, Hisao Kobata deixou Miagy-Ken em 1938, com dez anos, uma irmã de treze, e seus pais. Vieram tentar a sorte no Brasil, motivados pela propaganda que se veiculava no Japão. A imagem do Brasil, um país de trabalho e de fartura, acabou atingindo a família Kobata. Seu patriarca abandonou a profissão de oficial do exército e sua mãe deixou o magistério, embarcando rumo ao Brasil.
  Kemeichi Tsunoce. Chegou com a esposa, Matsuno Tsunoce, da cidade de Okayama para o Brasil em 1927, para trabalhar na Fazenda Mogiana, na cidade de Cornélio Procópio. O casal teve seis filhos: Masatero, Mário, Herculano, David, Zélia e Matico. Seu filho Mário Tsunoce veio para Ourinhos no ano de 1982 e casou-se com Leiko Tsunoce. O casal teve seis filhos: Jonhson, Joe, Mário Filho, Gerson, Lucia e Elizabeth.
  Kichitaro Yamakawa. Correndo atrás de seu sonho em possuir e cultivar grandes extensões de terras no Brasil, Kichitaro deixou Hokkaido, no Japão, em 1921, acompanhado do irmão mais velho, da cunhada e uma sobrinha.
Kiyoshi Hashimoto. No ano de 1936, com apenas quatorze anos de idade, Kiyoshi, acompanhado de seus pais e irmãos, partiu de Ku-Mamoto. Kiyoshi e sua família, no navio Prata Maru, vieram para o Brasil, como todos os imigrantes; saíram de sua terra em busca de melhores condições de vida.
  Koichi Seno. Nasceu em Wakayama no Japão, em 1892. É filho de Kenaske Nakao e de Koma Nakao. É casado com Tokuno Seno. Imigrou para o Brasil em outubro de 1932, como a maioria dos japoneses veio para a cidade de Mogiana-SP, para trabalhar na fazenda café, durante um ano, desde a chegada em Santos-SP. Depois em 1933, foram trazidos para Ourinhos por um primo que já se encontrava instalado na cidade, senhor Iwakura. Koichi foi proprietário durante 40 anos do Bar e Pastelaria Seno na rua Expedicionário nº.730. O casal teve seis filhos: Hatsune, Kimiro, Fumyo, Takaharo, Midori e Kiyoko. Hatsune casado com Alaor Damásio de Moraes tem quatro filhos: Kely, Rogério, Fabio e Márcia. Kimiro casada com Almir Tsunoce tem três filhos: Alexandre, Vivian e Almir Jr.; Fumyo casada com Roberto Murilo Rodrigues não tem filho; Takaharo casado com Ivone Persiani tem dois filhos: Vinicius e Viviane; Midori casada com José Ayres Ferreira tem dois filhos: Lívia e Letícia; Kiyoko casada José Rodrigues Pinheiro tem três filho: Sarah, Ana Paula e Pedro.
  Massao Katsui. Viajando a bordo de um navio cargueiro que parava em muitos portos, a família de Katsui, abandonam entre os anos 1918/19, a província de Nagasaki no Japão, levando noventa dias para chegar ao Brasil. Na véspera do desembarque no Rio de Janeiro, eles perderam a irmã, que ficou enterrada na Ilha do Governador.
  Mistugue Canda. Nascido no Japão, no ano de 1939, na cidade de Hiroshima, a bordo do navio Kasato Maru vieram para o Brasil os pais de Mistugue Canda, em uma viagem por mar que durou mais de dois meses.
  Nabe Harada. Originário da cidade de Kagoshima, no Japão, em 1934, a tecelã Nabe, mesmo contra sua vontade, acompanhou o marido, que resolveu vir trabalhar no Brasil, incentivado pela propaganda sobre nossa terra. A tecelã acompanhou-o na aventura com duas sobrinhas e uma filha de quase um ano de idade. Era sua única filha, já que os três filhos que tivera antes da menina tinham morrido ainda no Japão. Os Harada viajaram no Santos Maru.
  Shiro Watanabe. Com vinte e dois anos de idade, em abril de 1957, partiu do porto de Kobe, desacompanhado da família. Shiro havia terminado o colegial e o que desejava era aprender mais, melhorar sua vida, e o caminho que escolheu para conseguir seria sair do Japão com destino ao Brasil.
  Takanory Numa. Veio ao Brasil em 30.01.1929, com apenas sete anos de idade, Takanory, junto com seus pais e seus irmãos e embarcados em um navio cargueiro, depois de quarenta e quatro dias de percurso desembarcaram em Santos..Torataro Tone. Torataro com dezenove anos de idade, ainda solteiro, veio para o Brasil, partindo da província de Nara, no Japão, a fim de trabalhar na agricultura. Em 1927, chega ao Porto de Santos.
  Toyoo Oda. Com destino ao Brasil e à agricultura, no ano de 1918 Toyoo, com 18 anos, acompanhado por Tie Oda, de 17 anos de idade, deixou Migataken. Viajando no Santos Maru, depois de cinqüenta e três dias no mar, aportaram em Santos.

Meus colegas Japoneses

  Fiz o curso primário no chamado "Grupão", Grupo Escolar Jacintho Ferreira de Sá, com muitos filhos de japoneses e pioneiros ourinhenses como: Carlos Ivamoto, Mitsuyoshi Iwano, Hirofume Nakandakari, Tomiyo Issi, Sadamo Sakaida, José Miashiro, Macato Fukumoto e Mário Shinohara. E no ginásio: Seigi Yssi, Mauro Tadao Kimura, Renato Atushi Mihara, Setuko Sekino, Harumi Miwa, Jinji Kobata, Kasumi Nakagawa Kawamura, Shoshei Kotinda, Tamiam Honji, Yorimassa Miura, Kiyoo Oda e Isamu Sato.

A conquista do Norte Paranaense

  A conquista do chamado Norte Velho do Paraná passa pela nossa cidade, que se tornaria um importante entroncamento ferroviário durante décadas. As terras do Norte do Paraná, que o governo do Estado do Paraná oferecia a preços baixos, pelo motivo de não haver meios de transporte na região, eram tentadoras.
  O fazendeiro de Ribeirão Preto, Antônio Barbosa Ferraz Junior, conhecido como "Major Barbosa", pressentindo que o futuro da cafeicultura brasileira, em especial nossa região, estava nas terras roxas paranaenses, comprou a Fazenda Água dos Bugres. Era uma enorme gleba de terras férteis, localizada entre as cidades de Cambará e Ourinhos. Aquele inteligente e brilhante fazendeiro plantou, de saída, um cafezal de um milhão de pés, antevendo o escoamento da produção através da Sorocabana, evitando a distância do porto de Paranaguá.
  Com seu um milhão de pés de café plantados em 1910, o astuto major Barbosa, em 1923, dá início a uma segunda estrada de ferro, ligando o Norte do Paraná ao porto de Santos, passando por Ourinhos. Barbosa, seus filhos e outros fazendeiros da região, entre os quais Willie da Fonseca Brabazon Davids, casado com Carlota (filha do senador Mello Peixoto), Gabriel e Antônio Ribeiro dos Santos, Manoel da Silveira Correa e Cornélio Procópio, associaram-se para a construção da estrada de ferro ligando suas terras a Ourinhos. Fundaram, assim, a Estrada de Ferro Noroeste do Paraná, nome mais tarde alterado para Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná.
  A construção do trecho entre Cambará e Ourinhos, com uma extensão projetada de 29 quilômetros, com certeza traria muitos dividendos para nossa cidade. A concorrência para a obra foi vencida pela firma que tem à frente o engenheiro de uma tradicional família paulista, Gastão de Mesquita Filho, formado pela Escola Politécnica de São Paulo. Um ano de trabalho e de despesas torna evidente aos fazendeiros que seus recursos não seriam suficientes para o empreendimento. Barbosa Ferraz, presidente da estrada de ferro, decide procurar novos sócios. É o primeiro passo para a chegada dos ingleses.

Continua Capitulo IX ...

Eitor Martins

 

 
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