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Capitulo VIII - MINHA CIDADE
O início: Ourinhos de 1888 a 2008

120 anos de história
Ourinhos no passado cogitou de ser chamada de Jacarezinho, depois Nova Alcântara, Ourinho Paranaense e finalmente Costinha

  Na história falada de nossa cidade conta-se que a primeira notícia que temos sobre ela, embora polêmica, é aquela em que o mineiro Antônio Alcântara da Fonseca fixou-se nesta região por volta de 1888. (o início). Havia, na época, pequenas e perdidas povoações, que poderiam ser: Jacarezinho, Ourinho Paranaense, Nova Alcântara, ou ainda Costinha, em homenagem ao fazendeiro e político, Antônio José da Costa Junior, cuja fazenda chamava-se Ourinhos, que abrangia, inclusive, o lugar conhecido como Água do Jacu, atual bairro rural ourinhense, às margens do Rio Paranapanema. O nome da fazenda Ourinhos, ajudou a determinar o nome de nossa cidade. Quando, finalmente, os trilhos da Sorocabana oficializaram em definitivo a Ourinhos Paulista, esta herdou o nome por tradição oral. A história da cidade, que relatarei mais adiante com mais detalhes, começa com a aquisição, pelo fazendeiro Jacintho Ferreira e Sá, de uma vasta gleba de terras da Sra. Escolástica Melchert da Fonseca. Com a extensão para seus domínios, dos trilhos da ferrovia, nasceu o núcleo que se desenvolveu e transformou-se na cidade que, no início, chamou-se Ourinho (singular). Era apenas uma Vila, subordinada a Salto Grande do Paranapanema. A Câmara Municipal da cidade de Salto Grande do Paranapanema reunia-se mensalmente e, naquele tempo, fazia parte de suas atribuições a administração de Ourinho. Com a implantação dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana a cidade foi se desenvolvendo. Em 1910, a cidade já abrigava os trabalhadores que desmatavam as áreas para assentar os trilhos da ferrovia, e pequenas pensões que atendiam principalmente aos trabalhadores da estrada de ferro e caixeiros-viajantes. Em dezembro de 1918, o Diário Oficial trouxe estampado, na primeira página, o ato de criação do novo município, assinado pelo governador Altino Arantes Marques. No princípio, a cidade tinha poucas casas, mas, por volta dos anos 1916 a 1918, já havia mais de 50 casas de madeira e cinco de tijolos sendo, na maioria, feias, baixas, mal divididas. Nada possuíam de conforto ou melhoramento: era um poeirão vermelho, que somente desaparecia com as chuvas, quando, então, tudo se transformava em um grande mar de lama.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Ourinhos, nos anos de 1920

Dona Amélia Souza Galvão, filha de Chico Manco e Micaela, veio de Portugal com os pais em 1906, residindo inicialmente no Rio de Janeiro, chegando a Ourinhos em 1914. Seus pais tinham um bar famoso na época, na esquina das ruas São Paulo e Expedicionários. Amélia é tia de Ignes, Celso, Helio e Maria Teresa. Ignes foi aluna do professor Norival Vieira da Silva e os dois, juntos, reconstituíram o centro comercial da cidade na década de 1920, recompondo as primeiras ruas de Ourinhos, graças à memória prodigiosa de Amélia, que residia na esquina São Paulo com Expedicionários, onde hoje se localiza o Posto São José. Consta no primeiro Censo, realizado em 1920, pelo IBGE, que Ourinhos tinha uma população de 4.273 habitantes. As grandes casas de comércio pela década de 1920, ficavam nas duas quadras da Rua Antônio Prado, da Praça Mello Peixoto até à Avenida Jacintho Ferreira e Sá. Naquele tempo, o comércio, semelhante aos nossos supermercados, era denominado pelas Casas de Comércio ou Armazéns de Secos e Molhados. Ali se encontrava de tudo, com pequenas variações. O interior era sempre o mesmo: um longo balcão, o estrado onde ficavam os sacos abertos de cereais para a venda a quilo na balança Filizola, que ficava sobre o balcão. E atrás a longa prateleira com as garrafas e latarias. As primeiras Casas Comerciais ficavam nas duas quadras citadas acima, com nossos primeiros comerciantes que fizeram a história dos primeiros tempos. Na esquina da Praça Mello Peixoto com Rua São Paulo ficava a Casa de Comércio de Souza Soutello, que morou vários anos em Ourinhos. Continuemos a descer pela Rua Antônio Prado, a partir da praça, com os olhos voltados para 1920. Do lado direito de quem, na esquina onde há hoje um pequeno restaurante, ficava a Casa de Comércio de Alfredo Areias, com sua residência nos fundos dando a entrada para a Rua São Paulo. Depois vinha o Hotel Comercial, instalado por João Duarte, seguido na direção por José Fernandes e pelos portugueses Antônio Dias e o Sr. Sá. Sua construção é de épocas diferentes, que devido a ampliações, atualmente tem três andares. Os prédios eram todos de madeira. A seguir, Adriano Braz, com sua Selaria. Tinha ele carroças de aluguel, e quem as dirigia era Manuel Teixeira. Logo a seguir, uma residência do casal Líbia e Hermógenes, que davam aulas às crianças, revezando-se na sala, a Casa de Comércio Matachana, de Arquipo Matachana, no mesmo local de hoje. A Serraria do espanhol Domingos Garcia, parente de Adolfo Alonso, que acompanhava a linha da Sorocabana, vinha logo a seguir. Voltemos agora para a praça, onde vemos a residência de João Neder, em cujo quintal ficava o famoso Jaracatiá, isto no local onde hoje é a praça. Na esquina do Edifício Bradesco havia a Confeitaria do alemão Humer, seguida pelo Bar de Carlos Cardoso, e mais tarde Bar do Pontara, pai do Côca, Nair, Cacilda e outros. No resto da quadra, havia casas, todas de madeira. Comecemos agora a descer a quadra, partindo da Linha até a avenida. No lado direito, a Casa Comercial de Joaquim Carvalho, conhecido como Mineiro. A seguir, a Sapataria do espanhol Vicente Lopes e, completando a quadra, a residência e loja de Abraão Salem Abujamra, onde ficava a loja Nossa Casa e, hoje, há um varejista de doces. Na esquina, em frente, já na Avenida, ficava a residência dos irmãos Moisés e Miguel Lupércio, uma das melhores casas de Ourinhos. Embora fosse de madeira, era ali que os visitantes ilustres eram hospedados. O Juiz da Comarca de Santa Cruz, quando dava expediente em Ourinhos, hospedava-se nessa casa. Voltemos para a linha férrea, descendo novamente. Olhando para a esquerda, havia uma Caixa d'água, usada para abastecer as locomotivas da Sorocabana e cuja água era bombeada da Chácara dos Perino. O terreno, a seguir, era de Abuassali Abujamra, conhecido como Pascoal, com sua Casa de Comércio. Ele sempre dizia aos parentes e amigos para comprarem terrenos no local, pois seria o centro da cidade. Assim se explica a aglomeração da família Abujamra naquelas quadras. Todas as citações se baseiam nas afirmações de Amélia Galvão com sua feliz memória, algumas confirmadas por outras pessoas. Com o tempo, o comércio foi se espalhando pela Avenida Jacinto Sá, Praça Mello Peixoto, primeira quadra da Rua Paraná, com destaque para a Casa de Comércio de Eduardo Salgueiro, o primeiro prefeito da cidade, na esquina das ruas Paraná e Antônio Carlos Mori, onde hoje é uma Loja de Calçados do Irineu Nunes Faria. E, mais abaixo, a casa Comercial de Vicente Amaral, na esquina das ruas São Paulo e Paraná. Não havia água potável na cidade. Havia água somente para quem tinha poço e com pouca água e sua profundidade era enorme. Quem não tinha poço, tinha que buscar água da mina, que ficava longe, no sítio do Christoni. Não havia calçadas, nem mesmo calçamento nas ruas. Nas ruas, aliás, havia um mar de poeira ao sol, que se transformava em um mar de lama sob a chuva. Quando chovia, atolavam carros, caminhões, até carroças afundavam na lama e as pessoas se juntavam para ajudar a tirá-los do barreiro. Atolavam também os sapatos dos moradores, que chegavam a cair de barriga no chão. Uma das soluções para se atravessar as ruas sem afundar nos atoleiros ou cair no lamaçal, era fazer uma trilha de um lado ao outro da rua e cobrir essa trilha com pedaços de madeira e pó-de-serra. Porém, mesmo com todos esses problemas, Ourinhos e região estavam destinadas ao avanço da exploração cafeeira, pela qualidade de suas terras. Com a expansão da lavoura cafeeira e com o avanço da estrada de ferro, a cidade também começava a prosperar. A estrada de ferro trouxe consigo os imigrantes japoneses, espanhóis, italianos, portugueses e alemães, que vieram contribuir para um desenvolvimento ainda maior da nossa cidade.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Aspectos geográficos

  Localização: Ourinhos está localizada no Sudoeste do Estado de São Paulo e faz divisa com o Norte do Estado do Paraná. Coordenadas Geográficas: Latitude: 22º 58' 28" S. Longitude 49º 52' 19" W. Gr.
Limites: Norte, São Pedro do Turvo; Sul, Jacarezinho; Leste, Santa Cruz do Rio Pardo; Oeste, Salto Grande. Distâncias: São Paulo 365 km - Marília 97 km - Bauru 131 km - Presidente Prudente 193 km - Londrina 157 km - Itapetininga 220 km - Curitiba 371 km. Acesso: Rodovia Castelo Branco - Rodovia Orlando Quagliato - Rodovia Raposo Tavares e BR-153 (Rodovia Transbrasiliana). Hidrografia: Rios Paranapanema, Pardo e Turvo (todos os três praticamente dentro do perímetro urbano da cidade) Clima: Clima Sub-Tropical, com temperatura média anual de 21º C. Altitude - 478 metros (sede municipal).
  Topografia: Mais ou menos regular, levemente acidentada. Ourinhos está localizada em cima do maior lençol freático da América Latina, o Aqüífero Guarani, que começa no Brasil e vai até a Argentina.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
O perfil da cidade

  População: Pelo Censo/2007, Ourinhos tem uma população de 98.868 habitantes, sendo 91.876 habitantes na área urbana e 4.992 na área rural, e a população estimada em 2008 é de 109.533 habitantes A distribuição da PEA por setor (censo/2000) é: comércio/serviços 67%, indústria 21% e outros 12%. Ourinhos é uma cidade de comércio forte, com setor de serviços em franca evolução e um parque industrial diversificado. No campo agro-industrial, sobressaem os setores de açúcar e álcool, óleo de soja, ovos, leite, destilado de cana e café. Dois distritos industriais, dotados de toda infra-estrutura, abrigam empresas já consolidadas e em fase de implantação. O comércio atrai consumidores de toda a região, no setor de atacado e varejo.
  A localização estratégica e a malha rodo-ferroviário são favoráveis tanto para quem produz como para quem distribui riquezas. Esta condição logística privilegiada faz da cidade um autêntico Portal do Mercosul, oferecendo vantagens naturais aos potenciais investidores.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A história do município de Ourinhos - origens

  Ourinhos, com todas as características dos municípios da zona pioneira e da fase econômica que se iniciou com o avanço de café para as novas terras de florestas derrubadas na região às margens do Rio Paranapanema, era pouco conhecida nos primeiros anos deste século. Com a presença de um elemento novo - o colono italiano - conseguiu-se uma rápida ocupação da terra, com a predominância da cultura de café e algodão, integrando-se à vida econômica da monocultura e do Estado. A história da região onde hoje fica a cidade de Ourinhos começa em 1905, com o início da derrubada da mata entre a Ilha Grande (Ipaussu) e Salto Grande do Paranapanema (atual Salto Grande) para a construção da Estrada de Ferro Sorocabana, que estava "parada" em Cerqueira César.
  Na realidade, em 1906, deu-se o início do povoado de Ourinhos, com reduzido número de casas. O coronel Jacintho e Sá planejava e articulava politicamente para fixar a parada do trem dentro de sua fazenda, porém o lugar escolhido era pedregoso e sem água e ficava no morro Bela Vista. Para se construir a parada do trem foi preciso descer um pouco mais, até a sua atual localização, em terras pertencentes também a Jacintho e Sá e a Fernando Pacheco e Chaves, dono da Fazenda Santa Maria. Em 1908, foi criado o Posto da Estrada de Ferro, que foi, quatro anos mais tarde, elevado a Estação. Dessa época em diante, teve um desenvolvimento condicionado à exuberância de suas terras e pela sua excelente condição geográfica.
  A fundação da cidade de Ourinhos, porém, teve o seu primeiro grande marco no dia 11 de fevereiro de 1910, quando em São Paulo, Dona Escolástica Melchert da Fonseca passou a escritura de sua Fazenda das Furnas ou Salto do Turvo, uma vasta gleba de terras (quase a totalidade do atual município), para o coronel Jacintho Ferreira e Sá, figura tão importante para a cidade, que até virou nome de avenida. Ele loteou a parte central da cidade e doou terreno para a construção de um grupo escolar e de uma igreja. Efetivamente, em 15 de julho de 1912, o posto da Estrada de Ferro Sorocabana foi elevado à categoria de Estação e, no mesmo ano, o presidente da Câmara Municipal de Salto Grande, a quem Ourinhos era ligada, propôs a desapropriação de 10 alqueires de terras próximas da Estação Ferroviária para realizar melhoramentos e, principalmente, vender terrenos a preços acessíveis aos moradores e às pessoas que chegavam em busca de trabalho.
  Em 1913, moradores de Ourinhos encaminharam uma petição à Câmara Municipal de Salto Grande solicitando providência para a redução dos impostos que pagavam àquela Prefeitura. Em seguida, enviaram telegramas, cartas e abaixo-assinados reclamando dos altos preços dos terrenos para a moradia vendidos em Ourinhos, em busca de autonomia política e administrativa.
  Dois anos depois, a Câmara Municipal de Salto Grande aprovou projeto desapropriando 15 alqueires de terras de Jacintho Ferreira e Sá e Fernando Pacheco Chaves em troca de uma indenização. O objetivo foi ampliar a área de Ourinhos e beneficiar os moradores mais antigos, para que pudessem, finalmente, comprar terrenos a preços acessíveis.
  Ainda em 1915, foi criado o Distrito de Paz de Ourinhos, por meio do Decreto-lei Estadual n°. 21484, com a nomeação do Juiz de Paz, Afonso Salgueiro, irmão de Eduardo Salgueiro, futuro primeiro prefeito da cidade. Cabia ao juiz de paz tomar as providências legais e administrativas para realizar eleições e viabilizar a criação do município, o que ocorreu em 13 de dezembro de 1918, por meio da Lei Estadual nº. 1618.
  Antes que isso ocorresse, a Câmara Municipal de Salto Grande teve que nomear um subprefeito para coordenar a transição. O médico Américo Marinho Azevedo ocupou o cargo por três meses, renunciando sob a alegação de que estava se mudando para São Paulo. Assumiu, então, Fernando Foschini, que também renunciou após oito meses. A Câmara nomeou, então, Leondino de Giácomo, que ficou até a posse de Eduardo Salgueiro, primeiro prefeito de Ourinhos, em 21 de março de 1919.
  A passagem de Ourinhos à condição de cidade foi possível graças a dois homens politicamente fortes: Ataliba Leonel e Antônio Evangelista da Silva, conhecido como coronel Tonico Lista, do município de Santa Cruz do Rio Pardo. Ambos utilizaram a sua influência para que o local atingisse o estatus de município, cuja instalação oficial ocorreu no dia 20 de março de 1919.
  De pequeno povoado, torna-se Distrito da Paz subordinado a Salto Grande de Paranapanema, em 1915. Três anos depois é elevado à categoria de município, em 13 de Dezembro de 1918, cuja instalação se deu a 20 de março de 1919. Em 20.06.1920, torna-se paróquia, sob a invocação do "Senhor Bom Jesus".
Com o constante desenvolvimento e progresso, acaba se tornando sede da comarca, transferida que foi esta de Salto Grande para Ourinhos, em 30 de novembro de 1938, pelo decreto-lei nº. 9.775, sendo de terceira entrância e com duas varas, apenas uma instalada.
  Dentre os primeiros moradores do município, citam-se os senhores Heráclito Sândano, Francisco Lourenço, Manoel de Souza Soutello, Abuassali Abujamra, Benedito Ferreira, Ângelo Christoni, José Felipe do Amaral, Isordino Cunha e muitos outros.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A origem do nome Ourinhos

Um velho mapa de 1908 mostra a cidade de Ourinho (no singular), no Paraná, no lugar da atual Jacarezinho. Não é obra anônima ou de amador. Editado pela seção cartográfica do Estabelecimento Graphico Weiszflog Irmãos, de São Paulo, foi incluído como o Mappa da Viação Férrea de São Paulo, mostrando a zona tributária da Sorocabana Railway Company, no relatório da ferrovia. O mapa ainda não registra a existência de Ourinhos. Existe apenas o pontilhado vermelho indicando o trecho da estrada de ferro em construção entre Ipaussu e Salto Grande. O começo do nosso começo.
  Apesar do trabalho detalhado dos irmãos Weszflog, há um falso mistério e algumas polêmicas entre historiadores municipais em torno desses nomes. Na realidade, a Ourinho paranaense foi também Nova Alcântara e seu fundador, o mineiro Antônio Alcântara da Fonseca, fixou-se naquelas terras em 1888. Jacarezinho era um distrito policial do município de Tomazina.
Todas elas, pequenas e perdidas povoações. Jacarezinho é, originalmente, o nome de um rio e Ourinho, o de um riacho que vai dar no ribeirão Fartura, afluente do Paranapanema. Movia então a roda d'água da serraria de João Frutuoso de Melo Coelho, por volta de 1896. Em 1926, foi represado para servir de piscina pública. Hoje está canalizado na parte central da cidade.
  Entre tantas denominações, o patrimônio de Nova Alcântara, ou Ourinho, correu o risco de se chamar Costinha, em homenagem ao fazendeiro e político Antônio José da Costa Junior, que recusou a discutível honraria. Sua fazenda, aliás, chamava-se Ourinhos e, atravessando o Rio Paranapanema, chegava até o lugar conhecido como Água do Jacu, atual bairro rural ourinhense. Nunca se estudou o fato, mas há a possibilidade de a fazenda ter ajudado a determinar o nome da cidade de Ourinhos, já que a cidade se formou entre a cidade de Ourinho, no Paraná, e a propriedade de Costa Júnior.
  Finalmente, a lei estadual 352, de 2 de abril de 1900, estabeleceu que Nova Alcântara (ou Ourinho) e o distrito policial de Jacarezinho fossem levados a termo (criação do Judiciário) de Jacarezinho, nomeado juiz e adjunto de promotor. A Lei 525, de 9 de março de 1904, criou a comarca de Jacarezinho. Deixava de existir a Ourinho paranaense, ainda que os mapas seguissem por algum tempo a antiga denominação. Os trilhos da Sorocabana oficializaram por sua vez a Ourinhos paulista, que herdou o nome por tradição oral. Estava no caminho daquela outra, a do Paraná, e da fazenda de Costa Júnior. É a hipótese mais viável.
  A origem do nome do município de Ourinhos ainda é desconhecida. Sabe-se da polêmica existente entre historiadores em relação à origem do atual nome, ou mesmo de outros nomes como: Ourinhos, Ourinhos Paranaense e Nova Alcântara. Segundo relato de pessoas mais antigas do município, devido à fertilidade do solo e à grande convergência de agricultores, tudo ali valia "ouro", daí o nome Ourinhos; são apenas comentários; informações mais precisas não se têm.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A Estrada de Ferro Sorocabana

  A Sorocabana foi a primeira estrada de ferro a explorar o interior paulista; ela foi constituída em 1871 e iniciada em 1872. Documentos Oficiais registraram que, em 31 de dezembro de 1908, a Estrada de Ferro Sorocabana Railway avançou um ponto em direção ao Rio Paraná. Seu avanço promoveu o crescimento da economia e a melhoria da qualidade de vida na região. A ferrovia trouxe, também, os imigrantes alemães, japoneses e italianos que viriam contribuir para um desenvolvimento ainda maior. Traços de sua cultura e tradições estão presentes por toda a região do Paranapanema.
  A primeira locomotiva inglesa Nasmyth & Wilson apitou longamente como era de costume, ao entrar pela primeira vez na vila de Ourinhos. Todos a esperavam: trabalhadores da obra, os técnicos, os vendedores ambulantes e os primeiros moradores estavam preparados para sua inauguração.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A Estação

  A estação de Ourinhos foi inaugurada no dia 31 de dezembro de 1908 e, em 1926, foi construído um novo edifício devido ao aumento do tráfego na região. Em 1922, teve início a construção da Estrada de Ferro que ligaria o Estado de São Paulo ao Estado do Paraná. A partir de 1929, de lá passou a sair a Estrada de Ferro para o Norte do Paraná, primeiramente E. F. São Paulo-Paraná e depois encampada pela RVPSC, no início chegando até Cambará e, hoje, atingindo a cidade de Cianorte.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Dona Escolástica e Jacintho:
Um resgate de nossa história

Escolástica Melchert da Fonseca

Nascida em Itu, em 1860, Escolástica perdera, em 1908, o marido, empresário e proprietário de terras em Itu e em São Paulo, João Manoel da Fonseca Júnior, falecido com 50 anos, e a filha, Maria Thereza, com cinco anos. Restou-lhe a filha Matilde e terras, tanto nos arredores de São Paulo, que mais tarde seriam loteadas, como em locais longínquos, que nunca visitou e que, pela dificuldade de administrar, acabou vendendo. Era o caso da Fazenda das Furnas, com 1.230 alqueires de terras, em Ourinhos.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Jacintho Ferreira e Sá

Jacintho nasceu em 8 de janeiro de 1876, em Lagoa Seca, na região de Diamantina- MG. A vida de Jacintho, por sua vez, foi marcada por aventuras. Seu pai, Manuel Ferreira de Aguiar e Sá, também chamado Neco das Pindaíbas, na segunda metade do século XIX, concluiu que não havia mais futuro na lavra de diamantes em Lagoa Seca-MG. Manoel acreditava que o futuro estava nas novas regiões do café no Oeste de São Paulo. Toda a família, que trabalhava com o garimpo naquela região, migrou para Santa Cruz do Rio Pardo. Jacintho se casou com Josefina da Silva e Sá, filha do Coronel Pio da Silva, residentes em Santa Cruz do Rio Pardo. Entre os oito irmãos, Jacintho se destacou pelo espírito empreendedor. Fundou, em 1896, a Casa Três Irmãos (Jacintho, Salathiel e Saul), que comercializava secos e molhados. Enquanto os irmãos cuidavam do estabelecimento, Jacintho se dedicava ao transporte das mercadorias, que chegavam de trem na cidade de Cerqueira César, onde ia buscá-las. Eram mais de cem quilômetros de estradas precárias, percorridas por ele, que comandava uma tropa de burros, uma comitiva de carregadores e um cozinheiro. O empreendimento deu tão certo, que ele logo começou a realizar transportes pagos para outras pessoas. Essas viagens proporcionaram numerosos contatos a Jacintho. Os principais foram Ataliba Leonel, chefe político da região da Estrada de Ferro Sorocabana, e João Baptista de Mello Peixoto, aliado de Ataliba, senador, duas vezes secretário estadual (Fazenda e Agricultura) e líder em Chavantes e imediações, o que incluía Ourinhos. Em suas idas e vindas, ele foi se relacionando com outros políticos, com pessoas importantes de São Paulo e do alto escalão da Estrada de Ferro Sorocabana. Ficou sabendo, com certa antecedência, do projeto de um prolongamento dos trilhos dessa ferrovia de Cerqueira César a Salto Grande. Depois, fez uma importante amizade com o diplomata José Carlos de Macedo Soares, deputado estadual, interventor em São Paulo, duas vezes ministro da Justiça e Relações Exteriores e marido de Matilde, a filha de Dona Escolástica, proprietária da Fazenda das Furnas. Jacintho, homem honesto, dinâmico, astuto e inteligentíssimo, um hábil negociador e um profundo conhecedor da região, com uma visão magnífica, anteviu o futuro e vislumbrou uma vasta área de terras e, no meio daquelas terras, os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana. Trilhos que as sangrava, cortando-as por inteiro, de Nordeste a Sudeste. No centro, bem no centro mesmo, no meio daquele quintal, sua fazenda, estava plantada uma estação de trem, no meio do nada, cercada de matas por todos os lados, infestadas por insetos, cheias de animais selvagens e predadores. Mesmo assim, ele enxergou lá na frente e vislumbrou o nascimento de uma grande cidade, construída naquele quintal. A estação de trem seria o futuro, o elo de ligação de todo o interior do Estado, a entrada e saída para o Estado do Paraná. Naquela estação, passaria tudo o que fosse produzido na região, no Estado vizinho e no sul do País. Naquela estação plantada ao lado de sua cozinha, estaria o futuro e tudo nela se concentrava. Sabiamente via que o futuro estava nas terras roxas da nossa região e enxergou o escoamento e o transporte de toda a produção da Alta Sorocabana e de norte do Paraná; tudo isso estava diante do seu nariz e poderia ser seu; bastava tão somente sua determinação e, era o que não lhe faltava. Finalmente, ele conseguiu comprar aquele quintal. Conseguiu comprar 1.230 alqueires de terras na Sorocabana, sem dispor de nenhum vintém. Comprou tudo fiado, somente pela auto-confiança e determinação, sem levar em conta ainda, que recebeu em 11.02.1910, a escritura definitiva das terras, em mãos, para ir pagando da maneira que pudesse, a prazo e aos poucos. Com as terras adquiridas, l.230 alqueires mais 1.065 alqueires de terras que já possuía, tornava-se no maior proprietário de terra em nossa região. Nascia aí o lendário, o pioneiro, coronel Jacintho Ferreira e Sá. Mas nem tudo eram flores para o Jacintho. Em 1924, na Revolução, Isidoro Dias Lopes veio para Ourinhos e queria prender o Coronel Jacintho, por ser ele chefe político da cidade. Invadiram a casa onde residia com a família, localizada em frente onde hoje é o Banco do Brasil. Ele evadiu-se de madrugada, a cavalo, com destino à Fazenda das Furnas e não foi preso. Na sua propriedade, plantou café, construiu uma serraria, olaria de tijolos, cerâmica da melhor qualidade e foi plantador de algodão em grande escala. Apesar de fazendeiro dominante na cidade, chefe e guia político, Jacintho dava mostras de que permitia a outros que tivessem a chance de progredir e enriquecer. Um bom exemplo de seu temperamento progressita é que o pai do atual Prefeito Toshio Misato, quando chegou do Japão diretamente para Ourinhos, foi arrendatário na área denominada Lagoa Seca, nas terras do Jacintho. Ali, ele plantava sua lavoura e, quando ela não ia bem, o coronel Jacintho não cobrava nada e ainda perdoava a dívida. Jacintho fez várias doações de terrenos em Ourinhos: doou a principal praça pública da cidade, denominada por ele "Praça Senador Mello Peixoto" e muitas outras, como das Igrejas Matriz e Metodista. Ele foi o primeiro prefeito que projetou a cidade desde a sua fundação, com suas ruas amplas e bem traçadas. Jacintho faleceu em 13.05.1928 com 50 anos de idade. Ele não tinha tempo de cuidar da sua saúde; precisava ir para São Paulo, mas não queria se ausentar da sua terra e cidade. Aqui, ficou doente com tifo e o Dr.Theodoreto tratava-o como se fosse maleita. Levado para São Paulo, no Hospital Matarazzo, o Dr. Nicolau Soares do Couto declarou e sentenciou: "O senhor chegou tarde e não há mais solução". Jacintho morreu de tanto trabalhar, sem pensar em cuidar da sua saúde. Foi sepultado na cidade de Ourinhos. O nome de Jacintho Sá não consta apenas na farta documentação histórica da cidade, nem mesmo por acaso. Além de ter sido o homem que abriu o caminho para o surgimento de uma cidade inteira, tem seu nome lembrado em uma escola e uma avenida. A Avenida Jacintho Ferreira e Sá foi a primeira via pública e por muito tempo a mais importante de Ourinhos. Foi a partir dela que tudo começou. Nas palavras de seu filho Jacintinho, relembrando o começo da história da nossa cidade: "No início, a avenida tinha dois ou três quarteirões para cada lado em relação à estação. Havia apenas uma capelinha da igreja católica, aonde uma vez por semana, vinha um padre de Salto Grande para celebrar missas, casamentos e outras cerimônias. O comércio era intenso e, continuou sempre em evolução. A principal casa de comércio era a Casa Carlos, de secos e molhados, do Sr. Carlos Amaral.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Como eram os pioneiros

Os pioneiros eram homens fortes, corajosos e destemidos. Entre os imigrantes que vieram para cá, destacam-se os italianos. No início do século XX, a crise econômica da Itália e as lutas pela unificação envolvendo grupos rivais, pequenos reinados e potências estrangeiras, levaram muitos italianos a buscarem a sorte em novas terras, princi-palmente nos EUA, na Argentina e no Brasil. Eram pessoas que deixavam a sua terra natal com muita esperança. E geralmente o certificado de uma sociedade de imigração que, por acordo entre o governo brasileiro e o italiano, lhes assegurava o trabalho em alguma lavoura. Herdeiros de uma tradição industrial e técnica que inclui habilidades no comércio e artesanais, como marcenaria e fundição, que resultaram na fundação de pequenas indústrias, muitos imigrantes escaparam do campo para as cidades, tendo, inclusive, se organizado em sociedades de apoio mútuo. Os filhos deram continuidade aos empreendimentos dos pais. Eram pessoas generosas, que muito contribuíram para o desenvolvimento de nossa cidade. Dos muitos desses, lembro-me de alguns, como dos filhos do fazendeiro Antônio José Costa Junior (1843-1919), que tinha 104 alqueires de terras na Água do Jacu, a Fazenda Ourinhos, que deu o nome à nossa cidade. Lembro-me dos filhos de Álvaro Ferreira de Moraes, nascido em 28.01.1879. Ele tinha duas fazendas: Boa Esperança e Santa Maria. O Sr. Álvaro teve catorze filhos, alguns ainda residem em Ourinhos com seus netos. Os pioneiros eram membros de famílias mais tradicionais e influentes. Eram comerciantes, médicos, fazendeiros, mineradores, políticos, religiosos, e entre suas mais variadas atividades eram proprietários de fazendas. Sua presença tinha uma conotação política indireta e servia também para chamar a atenção para outros donos de terras, além de Jacintho e Sá, que fizeram de Ourinhos um núcleo de produção agrícola. Alguns fazendeiros residiam nas capitais, alguns em suas propriedades, mas a maioria morava na cidade. Mesmo morando fora, todos eles exerciam influência política em nossa comunidade. Além de agricultores e fazendeiros, eram também inteligentes, determinados e bons administradores. É o caso, por exemplo, de Álvaro Ferreira de Moraes, um homem de temperamento difícil, além de muito religioso. Mas foi também cidadão audacioso nos projetos rurais; e essa audácia ajudou a construir Ourinhos. Poderia ter organizado a vida numa das mais bonitas regiões do Estado do Rio de Janeiro, entre propriedades senhoriais surgidas no Império, onde sua família tem raízes antigas. Poderia, mas preferiu abrir novas fazendas e fundar outro ramo dos Moraes na região de Ourinhos. Comprou duas fazendas, a Boa Esperança e a Santa Maria.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A importância dos pioneiros e imigrantes

Os pioneiros e imigrantes que aqui se fixaram, foram muito importantes para nossa história. Eram pessoas de muita fé e determinação, que abandonaram suas casas, seus países para buscar a sorte, com esperança de recomeçar uma nova vida e, por conseqüência, construir nossa cidade. Não me recordo dos patriarcas dessas famílias, apenas lembro-me vagamente de alguns deles. Mas lembro-me das suas histórias e de alguns dos seus filhos, que eram meus contemporâneos. Conhecendo suas histórias, é possível entender melhor o trabalho dessas pessoas. Recordo também das histórias que meu pai contava sobre os primeiros fazendeiros que aqui adquiriram suas terras. Lembro-me dos personagens narrados no conto, dos fatos, das épocas, porém as datas e os nomes foram objetos de pesquisas. É claro! Ainda estão vivos e residem em Ourinhos, cinco pessoas que nasceram no mesmo ano em que a cidade foi elevada à categoria de Município, a partir da aprovação da proposta pela assembléia do dia 13.08.1918. Neste ano, o grupo completa 90 anos. São eles: Thereza Guidetti, que mora na vila Margarida e nasceu em 23 de junho; Aparecida Valverde Pasqueta, que mora na vila São Francisco, nascida em 24 de janeiro; Mariana Monteiro, do Jardim Califórnia, que nasceu em 11 de outubro; Caetano Moreira, residente na Usina São Luiz e que nasceu no dia 07 de julho; e Manoel Theodoro de Melo morador na Vila São Francisco, nascido em 17 de junho de 1918. Lembro-me de algumas conversas de papai e mamãe sobre antigos moradores de Ourinhos, como o ex-prefeito José Galvão (1926/30). Papai não o conheceu, mas diziam que era considerado um dos melhores prefeitos da primeira fase do município. Dizia-se que era um homem alto, usava chapéu e bengala. Curiosamente, perguntei para papai por que os homens daquela época só saiam de casa empunhando suas bengalas? Respondeu-me ele, que elas serviam de arma de defesa contra possíveis agressões ou contra investidas de cachorros bravos, que andavam soltos pelas ruas. Algumas bengalas eram camufladas. Dentro delas, escondiam-se lanças, espadas, facas e algumas escondiam até arma de fogo.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A luta entre os detentores do poder

Em 21 de março de 1919, foi instalado com toda solenidade o novo município de Ourinhos. Logo em seguida ao ato de posse da nova Câmara, realizou-se a eleição para os corpos municipais, sendo eleitos: Presidente da Câmara, Francisco Onofre; Prefeito, o Sr. Eduardo Salgueiro. A criação de municípios se fazia através de acordo prévio entre lideranças regionais. Com o crescimento da agricultura no interior do Estado, a expansão da ferrovia e outras mudanças no setor da economia, tudo isso provocou o surgimento de novas cidades. Mudanças que o PRP cuidadosamente controlava. Muito embora a emancipação da nossa cidade tenha transcorrido em um clima de paz, dois homens poderosos a nível estadual e regional, demonstraram suas forças. De um lado estava o Sr. Ataliba Leonel e do outro lado estava o Sr. Antônio Evangelista da Silva, o temível coronel Tonico Lista, de Santa Cruz do Rio Pardo. Ataliba Leonel era forte candidato a governador do estado, quando Washington Luís foi deposto e Getúlio tomou o poder, num golpe mortal para o PRP. O coronel Tonico Lista era um homem rico e proprietário da Fazenda Mandaguari, com 900 mil pés de café. Pelo seu estilo brutal de mando na política, dominou completamente a cidade. A ele se atribuiu, ou se acusou diretamente, mortes, espancamentos e todo tipo de perseguição aos adversários; seus homens, sempre armados, infundiam o terror. O coronel Tonico mandava e desmandava na cidade, tendo como aliado o prefeito Eduardo Salgueiro, enquanto Jacintho Ferreira e Sá e outros pioneiros não aparecem nessa cena. Dos conflitos entre perrepistas, surgiam facções que se juntavam nos Partidos Municipais, aceitos pela legislação da época. Jacintho Sá não se manifestou, porque tinha outros planos. Manteve-se fiel a Ataliba Leonel, chefe incontrastável de todos, mas procurou alianças próprias na região. Em 1921, as articulações de Jacintho e Sá atingiram duramente Tonico Lista e Eduardo Salgueiro. Em Santa Cruz do Rio Pardo, foi criado o Partido Municipal e dele faziam parte como tesoureiro Saul (irmão de Jacintho), como tesoureiro, e o coronel Albino Garcia. Em Ourinhos, Jacintho lançou pessoalmente o mesmo partido. O momento era mais do que propício para essa operação política. Tonico Lista e Eduardo Salgueiro estavam às voltas com a Justiça. Chegaram a ser presos e, naquele período, estavam na defensiva. Eduardo Salgueiro renunciou à Prefeitura ourinhense, fato explorado rapidamente por Jacintho, que conseguiu fazer o sucessor, Benício do Espírito Santo, antes de ele mesmo assumir o cargo em 1923. Foi uma virada completa na cidade; o começo de um tempo diferente, mais organizado e pacífico.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Os poderosos

Em 27 de agosto de 1921, Paulo Bulcão Ribas, médico e fazendeiro, ofereceu sua casa para a primeira reunião dos dissidentes do Partido Republicano Paulista (PRP) que se opunham ao prefeito Eduardo Salgueiro. À reunião compareceram: o coronel Tonico Leite (Antônio de Almeida Leite), dono da Fazenda Lageadinho; Jacintho Ferreira e Sá; Edmundo Amaral; Angelo Christoni e Vicente da Costa Melo. Antônio Leite anunciou que a finalidade do encontro era a escolha dos candidatos às três vagas que haviam surgido na Câmara com a renúncia dos vereadores Eduardo Salgueiro, José Antônio Rabello e João Dolfim. A reunião dos dissidentes escolheu um novo vice-prefeito, Manoel Rodrigues Martins. A Prefeitura foi assumida por Benício do Espírito Santo, morador antigo e muito próximo a Jacintho e Sá. Ele ficou no cargo por dois anos. Em 1923, foi sucedido por Jacintho, prefeito até 1925, que tinha o mesmo Benício como vice. Acertos políticos, nomeação de amigos e represálias aos adversários transformam em rotina as futuras reuniões. Afastado Eduardo Salgueiro, o caráter oposicionista do grupo se diluiu rapidamente.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
A tocaia a Fernando Foschini

Fernando nasceu na cidade italiana de Udine no ano de 1885. Era administrador da Fazenda Santa Maria e homem de confiança de seu proprietário, Fernando Pacheco e Chaves. Foi de Foschini o primeiro automóvel a aparecer em Ourinhos. Homem alto, forte, tinha cabelos castanhos repartidos ao meio, bigodes bem tratados e levemente retorcidos para cima. Vestia-se com apuro, não dispensando chapéu-palheta, e dirigia carros luxuosos. Os parentes dizem que era também temperamental, como bom italiano. Sua breve passagem por Ourinhos, no início da cidade, estava destinada a transformá-lo numa espécie de personagem de folhetim histórico. Os fatos que cercam suas atividades políticas e o seu assassi-nato permaneceram por mais de meio século no claro-escuro das versões fragmentárias e das lacunas que o tempo se encarregou de aumentar. Administrador da fazenda de Fernando Pacheco e Chaves, ele foi indicado subprefeito em janeiro de 1918, mas renunciou em agosto. Após escapar de um atentado em 1919, foi assassinado em 8 de abril de 1920, com apenas 34 anos. Fernando era filho de um lavrador imigrante, Edmundo Foschini, e manteve ligações com o campo, mas em condições privilegiadas. Tornou-se amigo e homem de confiança de Fernando Pacheco e Chaves, que o escolheu para administrador da Fazenda Santa Maria, em Ourinhos. Fernando casou-se com Orieta de Araújo, e vieram para Ourinhos onde, sete anos mais tarde, uma bala certeira tirou de cena, no meio da Rua Paraná, o administrador da Santa Maria. O atestado de óbito descreve que a vítima sofreu "uma hemorragia cerebral traumática em conseqüência de ferimento na região frontal". O sepultamento foi em São Paulo e o julgamento dos criminosos no ano seguinte. Os acusados de sua morte, inclusive o possível mandante, Eduardo Salgueiro, primeiro prefeito de Ourinhos, foram absolvidos pela Justiça.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Personalidades importantes de nossa história

Altino Arantes Marques

Natural da cidade de Batatais, interior de São Paulo, foi mais um entre muitos governadores de São Paulo a formar-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em 1895. Foi membro da direção do Partido Republicano Paulista - PRP e também seu presidente. Antes de chegar à presidência do Estado de São Paulo foi deputado federal por dois mandatos: 1906/8 e 1909/11, tendo sido também Secretário de Estado do Interior (1911/15). Foi governador do Estado de São Paulo de 05.1916 a 05.1920. Em seu governo foi promovida a segunda valorização dos preços do café (a primeira foi em 1906, por força do Convênio de Taubaté). Com a geada de 1918, esse produto, com grandes excedentes no Porto de Santos, duplicou de preço, permitindo a Altino Arantes, um governo cheio de realizações. Com a queda da produção foi possível colocar os excedentes no mercado internacional, permitindo ao governo, com o desafogo, retirar das mãos de um grupo norte-americano, o controle da Sorocabana. Entre 1921 e 1930, foi novamente deputado federal. Em 1946, foi deputado constituinte e, mais uma vez, deputado federal. Foi o primeiro presidente do Banco do Estado de São Paulo, tornou-se mem-bro e presidente da Academia Paulista de Letras - ABL e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Faleceu na cidade de São Paulo, em 1965. Altino Arantes, como governador, assinou o Decreto n° 1608 criando o município de Ourinhos, em 13 de dezembro de 1918, instalado em 21 de março de 1919. Motivo pelo qual, em reconhecimento, deram o seu nome ao principal logradouro do centro da cidade.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Álvaro Ferreira de Moraes

Nascido na Fazenda São Lourenço, em Cantagalo, Rio de Ja-neiro, em 1879, Álvaro Ferreira de Moraes era neto de João Antônio de Moraes, Barão de Duas Barras. Casado com a mineira de Juiz de Fora, Elvira Ribeiro de Moraes, e amigo de Benício do Espírito Santo, que seria segundo prefeito de Ourinhos, veio para a cidade do interior paulista no final da década de 1910 e comprou duas fazendas: a Boa Esperança, que hoje é um bairro com esse mesmo nome, e a Santa Maria, de propriedade, agora, de Renato da Costa Lima. Falecido em 1942, Álvaro de Moraes doou os terrenos para a construção da Santa Casa, do antigo ginásio, hoje Instituto de Educação Horácio Soares, e o da Igreja Metodista, na Rua São Paulo. Álvaro e a esposa, Elvira, tiveram 14 filhos. Três mulheres se casaram com membros da família de Jacintho Ferreira e Sá. Entre os filhos homens, alguns residiram em Ourinhos e lidaram com terras. Paulo, por exemplo, promoveu o loteamento da Vila Moraes, enquanto Álvaro Ribeiro de Moraes, conhecido como Vico, foi vereador e figura expressiva do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no início dos anos 1960. Sua filha Jenny Moraes Ferreira e Sá, nascida em 07.08.1907 no Rio de Janeiro, casou-se em 1933 com Olavo Ferreira e Sá. Jenny contribuiu com diversas instituições, entre elas a mais importante, a doação do terreno (dez alqueires de terra), situada no final da Avenida Jacintho Ferreira e Sá, onde se localiza o recinto da Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos. Ela doou com a condição de livre ingresso, sem cobrança para todas as categorias sociais que se utilizam do Parque de Exposições Olavo Ferreira e Sá. Seus sucessores participaram ativamente da Revolução Constitucionalista de 1932. Eles eram soldados revolucionários e agiram em favor de São Paulo. Seu filho Paulo, morreu no dia 09 de julho, último dia da Revolução Constitucionalista, com 21 anos de idade. Participaram também com ele, como soldados, seus sobrinhos Moacir de Mello Sá, o médico Dr. Zorô Ferreira de Sá e o Sr.Rubens Moraes.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Antônio de Almeida Leite

O coronel Antônio Almeida Leite, chamado popularmente de Tonico Leite, chegou a Ourinhos, vindo de São Carlos do Pinhal, em 1915, e comprou 600 alqueires de terra roxa da região do Córrego Lageadinho, que seria utilizado para definir uma das divisas do município. Plantador de café, ele desenvolveu equipamentos avançados para a época, como secadeiras, com um desenho que facilitava a ventilação e a secagem dos grãos. Também tornou rotineira a utilização sistemática de adubos orgânicos nas lavouras. Ele organizou ainda, confortáveis colônias, setores nos quais moravam os trabalhadores e pagava os salários em dia. Após as colheitas, promovia um baile, oferecia um churrasco e en-tregava prêmios aos empregados que mais se destacavam. Almeida Leite integrou o Partido Republicano Paulista (PRP). Perdeu poder com a Revolução de 1930, em que os cafeicultores foram derrotados, mas continuou morando em Ourinhos até 1935. Alternava temporadas na Fazenda Lageadinho e em São Paulo, onde faleceu em 1959. Depois da sua morte, um de seus nove filhos, Mário da Cintra Leite, passou a gerir a fazenda, transformando-a num bem-sucedido modelo de administração. Ele comprou as partes dos irmãos, menos a de Maria Amélia. Com ela, montou a Sociedade Fazenda Lageadinho Ltda. A propriedade aderiu, principalmente, à cana-de-açúcar, mas conserva cerca de 300 mil pés de café e parte da mata original, região em que ainda vivem macacos em liberdade.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Antonio Evangelista da Silva - Coronel Lista

Um dos mais lendários nomes do coronelismo paulista foi o do Coronel Antônio Evangelista da Silva. Líder político regional, o coronel Tonico Lista, nasceu em São Simão em 1869. Chegou a Santa Cruz do Rio Pardo com 11 anos, onde o pai abriu uma casa de ferragens; plantou café e integrou-se à vida política santa-cruzense, radicando-se na cidade ainda nos últimos anos do século XIX, tomando-se um homem de decisiva importância no seu destino político. Enquanto isso, o filho Tonico Lista aprendia a arte de ganhar dinheiro, como simples balconista Ao poucos, ganha espaço na vida empresarial da cidade. Tornou-se dono de seu próprio negócio; monta uma loja bem sortida, a "Rainha do Sertão", a famosa loja do Lista anunciada nas colunas do Correio do Sertão, como uma da mais estocadas da antiga vila. O coronel Tonico Lista tornou-se proprietário da Fazenda Mandaguari, com 900 mil pés de café e dominou politicamente a cidade. Do sucesso comercial ao sucesso como fazendeiro e dono de inúmeras propriedades, foi apenas questão de tempo. Determinado, logo Tonico Lista torna-se poderoso fazendeiro, cercado de empregados da lavoura, competindo com outros nomes da fértil Santa Cruz e da região. De fazendeiro bem sucedido à política foi apenas um passo tranqüilo para Antônio Evangelista. Bem relacionado com os amigos coronéis, convive com eles e desenvolve sua grande capacidade de comando. Torna-se membro da Guarda Nacional como Capitão e mais tarde como Coronel, passando a viver na cúpula das decisões de Santa Cruz, expandindo seu carisma no alto círculo da vida política do estado, ora como delegado de polícia ou como vereador, ora como prefeito ou como chefe político do antigo PRP. Muito embora tenha angariado simpatias e respeito de seus correligionários, também armazenou ódio, rancor e medo em seus inimigos políticos. A imprensa da oposição desenhou sua imagem como a de um bandido. Um jagunço sedento de poder e extremamente maquiavélico que, através de seus comparsas ou capangas, ia semeando tocaias e vinganças para obter sucesso em seus intentos. Foi acusado de mortes e espancamentos de adversários em diversos processos, todos encer-rados sem conseqüências. Foi influente na região de Ourinhos até 1920. Em 1922, foi atacado a tiros pelo soldado Francisco Alves, ordenança da delegacia de Santa Cruz do Rio Pardo. Reagiu, matou o agressor, mas, muito ferido, foi levado para São Paulo de trem, porém acabou falecendo na viagem. Com a morte do coronel Lista em 1922, abriu-se espaço para uma nova liderança em Santa Cruz do Rio Pardo. Leônidas do Amaral Vieira, ligado a Altino Arantes, elegeu-se deputado estadual, fortalecendo o poder de Jacintho Sá em seu grupo, entre eles o prefeito José Galvão, em Ourinhos. A maior civilidade nas relações políticas e o crescimento econômico de Ourinhos atraíram à cidade uma segunda estrada de ferro, a São Paulo-Paraná, que levou a região a ser visitada por dois membros da família real inglesa. A proximidade do Paraná tornou a cidade um importante entroncamento ferroviário, com amplas possibilidades de crescimento econômico. Quem desencadeou boa parte dessas ações foi o fazendeiro Antônio Barbosa Ferraz Junior, conhecido como major Barbosa, proprietário da Fazenda Água dos Bugres, em Cambará. Barbosa Ferraz era proprietário de terras nos arredores de Ribeirão Preto e, em 1910, percebeu que o futuro da cafeicultura estava nas terras roxas paranaenses. Comprou, então, uma grande área entre Ourinhos e Cambará, onde plantou um milhão de pés de café. Para garantir o escoamento pela Sorocabana, evitando maior distância do porto de Paranaguá, juntou-se a outros fazendeiros da região para construir a Estrada de Ferro Noroeste do Paraná, mais tarde, Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Antônio José da Costa Júnior

Nasceu no ano de 1843. Era dono de uma grande fazenda entre a Água do Jacu, em Ourinhos, e proximidades de Jacarezinho. Suas posses no lado paulista ocupavam 104 alqueires, dos quais 40 de mata virgem. Era a fazenda chamada Ourinhos, detalhe que liga Costa Junior à formação da cidade. Ligação ocasional, porque Costa Júnior viveu mais em São Paulo, ocupado com a política. O vínculo com a região, com Ourinhos particularmente, iria se prolongar através de seu neto, o excêntrico Christiano Costa Júnior (1912-69), um homem talen-toso e provocador que alardeava a condição de descendente de uma família poderosa. Foi candidato a deputado estadual por Ourinhos em 1946. Não se elegeu. Antônio José da Costa Junior foi um exemplar perfeito das elites brasileiras na fase entre final do Império e início da República. Nascido em Campo Belo, Estado do Rio de Janeiro, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, em 1864. Iniciou a carreira de advogado e político em Resende (RJ) ainda no Império. Filiado ao Partido Liberal, foi duas vezes deputado provincial. Republicano de primeira hora, ao lado do seu amigo, Campos Salles, elegeu-se Deputado Federal na Constituinte de 1891, a primeira do Brasil republicano. Seria reeleito até 1899, ano em que comprou as terras no Paraná. Era proprietário de boa parte do bairro paulistano da Água Branca, onde residia. No local há uma rua com o seu nome. Teve nove filhos do casamento com dona Ana Ignácia de Macedo Costa. Uma das filhas, Idalina, casou-se com o médico Francisco Carlos de Abreu Sodré. São os pais do ex-governador paulista Roberto Costa de Abreu Sodré. Na década de 20, o Dr. Francisco Carlos ainda viajava a cavalo até Ourinhos para dar consultas. Costa Júnior faleceu em abril de 1919 no seu casarão da Avenida Água Branca, 75. Está enterrado no cemitério da Consolação, em São Paulo. Em 1926, a Fazenda Ourinhos, cujo nome oficial era Companhia Agrícola Costa Júnior, era a única do Estado de São Paulo a exportar café diretamente para a Europa. Produzia ainda milho, arroz e criava gado holandês. Administrada por prepostos e desmembrada entre os herdeiros, a Fazenda definhou. Pertence hoje a um grupo empresarial paulista e se chama Cia. Agrícola Usina de Jacarezinho.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Arlindo Gomes Ribeiro da Luz

Em maio de 1926, o diretor geral da Estrada de Ferro Sorocabana, Dr. Arlindo Luz, veio de passagem por Ourinhos, encontrar-se com o prefeito José Esteves Mano Filho. O motivo da visita era substituir o melancólico barracão de madeira da Estação de Passageiros de Ourinhos, levantado em 1908, por um novo prédio. A obra seria dirigida por Henrique Tocalino, que também se encarregaria da construção de todas as casas dos ferroviários no trecho entre as ruas Antônio Prado e São Paulo. Mano Filho foi ao encontro do Dr. Arlindo, para agradecer o melhoramento trazido pela estrada de ferro e aproveitou a ocasião para reivindicar uma passagem ligando a futura estação à Avenida Jacintho Sá, onde o comércio era mais forte. Motivo que levou o prefeito a dar seu nome a uma rua. A estação finalmente foi inaugurada em março de 1927. Curiosamente, existiam algumas coincidências entre esses dois administradores: eram do mesmo ramo profissional. Arlindo Luz era engenheiro civil e Mano era agrimensor com curso na Escola Militar do Realengo, Rio de Janeiro. Arlindo Luz seria conhecido como um dos grandes administradores ferroviários do país. Mano trabalhou na Noroeste do Brasil e na Sorocabana, no trecho São Paulo-Sorocaba, angariando prestígio suficiente para ocupar duas vezes a Prefeitura de Ourinhos, em 1926 e em 1937. Eram mineiros e da mesma cidade, Campanha da Princesa. Arlindo Gomes Ribeiro da Luz, nascido em 16 de setembro de 1871, era quase onze anos mais velho do que José Esteves Mano Filho, nascido em 21 de julho de 1882.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Ataliba Leonel

Uma verdadeira lenda na chamada Primeira República (ou República Velha, de 1889 a 1930), Ataliba Leonel foi um dos vultos de projeção na vida política de São Paulo, que se destacou entre seus pares no remoinho das atividades públicas, pugnando pelo interesse da coletividade em alevantado espírito de patriotismo e evidentes provas de solidariedade. Foi o General Ataliba Leonel figura ilustre de homem público que sempre soube exercer com dignidade e honradez as funções que lhe atribuíram. Nascido na cidade de Itapetininga, no Estado de São Paulo, a 15 de Maio de 1875, era o ilustre General Ataliba Leonel Ferreira filho de Mariano Leonel Ferreira e de dona Francisca Rolim Leonel Ferreira, também naturais de Itapetininga e descendentes de tradicionais famílias paulistas. Fez seus estudos de humanidades no Seminário Episcopal de São Paulo e no Ateneu Paulista, realizando o seu curso superior na Faculdade de Direito de São Paulo, na qual se bacharelou em 1895, em Ciências Jurídicas e Sociais. Iniciou sua vida profissional advogando em Piraju, onde também teve início sua agitada vida política que o levaria à celebridade e à glória. Em 1898, é eleito pela oposição para cargo de Vereador à Câmara Municipal de Piraju, cargo que manteve em sucessivas reeleições. Assumiu a chefia da política local em 1899, fundando o diretório do Partido Republicano Paulista, tendo sido também presidente da Câmara Municipal daquela cidade. Com seu espírito organizador, dotado de grande energia, iniciativa e combatividade, tornou-se uma das figuras de maior prestigio entre seus correligionários do Partido Republicano Paulista. Em 1904, o General Ataliba Leonel foi eleito Deputado Estadual. Tendo sido reeleito para legislaturas subseqüentes, sempre com assinalados serviços prestados à causa pública. Foi também eleito Senador Estadual. Novamente eleito em 1927, para o cargo de Deputado Estadual, veio a ter o seu mandato renovado para a legislatura seguinte. No início de sua vida pública, além de exercer a advocacia, ocupou-se com atividades agrícolas, formando uma das melhores fazendas de café da zona sorocabana. Era forte candidato a Governador do Estado, quando Washington Luís foi deposto por Getúlio Vargas em 1930. Faleceu em São Paulo, em 24 de novembro de 1934.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Eduardo Salgueiro

Eduardo foi o primeiro prefeito de nossa cidade. Nasceu em Botucatu, filho de espanhóis; foi prefeito de 1918 a 1921. Tinha um armazém e foi escolhido prefeito pela primeira Câmara Municipal, eleita em 1918, quando Ourinhos foi elevada à condição de município. Era um homem claro, de tipo forte, quase gordo, tido como "arbitrário e rancoroso". Apontado como mandante, em 1920, da tocaia que vitimou Fernando Foschini, administrador da Fazenda Santa Maria, renunciou ao cargo, mas, absolvido da acusação de homicídio qualificado, retomou seus negócios e manteve importantes laços políticos com figuras como Ataliba Leonel. Faleceu em 1932, de septicemia. Quatro anos mais tarde, Benício do Espírito Santo, que o substituiu no cargo, foi sepultado ao seu lado no cemitério municipal de Ourinhos. O primeiro prefeito de Ourinhos era ligado a Tonico Lista. Indiciado junto com Tonico Lista, pela acusação de mandarem matar Fernando Foschini, teve seu poder enfraquecido. Embora ambos tenham sido absolvidos, o simples indiciamento já era um sinal de que a política estava mudando. Pressionado, Salgueiro renunciou ao cargo de prefeito, e Jacintho Sá conseguiu fazer o sucessor, Benício do Espírito Santo, antes de ele mesmo assumir o cargo, em 1923. O episódio mostra que a política no interior de São Paulo estava mudando. Após a violenta ocupação da região, inclusive com a matança de índios e a formação de bandos armados pelos fazendeiros e chefes políticos, Washington Luís, então Governador do Estado, desejava criar uma imagem mais civilizada da região com o objetivo de atrair novos capitais para o campo e imigrantes como mão-de-obra. Os sinais dessa nova orientação foram justamente a prisão de Tonico Lista e de Eduardo Salgueiro.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Fernando Pacheco e Chaves

Dono da Fazenda Santa Maria e de terras no centro de Ourinhos, próximas à estação, Fernando Pacheco e Chaves era filho de um rico fazendeiro da região de Araras, chamado Elias Antônio Pacheco e Chaves e neto de um famoso casal paulista, Martinho e Veridiana da Silva Prado, que tinham três milhões de pés de café na Fazenda Guatapará, em São Simão. Nascido em Itu, em 1842, Elias Chaves construiu uma residência em São Paulo, que se tornaria o Palácio dos Campos Elíseos, que foi sede do governo estadual paulista. Entre seus empreen-dimentos destaca-se a fundação da Companhia Balneária do Guarujá, que loteou terras da família nas praias locais da Enseada e Pitangueiras, e a Sociedade Prado Chaves & Cia., depois denominada Companhia Prado Chaves Exportadora, que montou uma rede de agências na Europa e nos EUA para a venda de café e algodão, que incluiu um grande depósito na Av.Jacintho e Sá. Ele teve dez filhos no seu casamento com dona Anésia, filha de Martinho Prado e Veridiana, e faleceu em São Paulo, em 1903. Fernando nasceu em 1875 e passou os últimos anos de sua vida no Rio de Janeiro, como advogado. Faleceu em 1944 e teve cinco filhos de seu casamento com Alzira Leite de Barros. Deles, Maria (1903-75) e Mário (1903-80) foram os que mais se dedicaram à Fazenda Santa Maria, que foi loteada após a morte do pai. Maria conservou a sua parte até o fim de seus dias. Da fazenda original, restou apenas a Vila Pacheco e Chaves.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Horácio Soares

O fazendeiro Horácio Soares, nascido em Atibaia, em 5 de junho de 1894, descendente de tradicional família paulista e filho de fazendeiro, foi, inicialmente contador da Caixa Econômica Federal. Com a herança da mulher, Emília Santos, e com as suas economias, demitiu-se e, em 1925, veio para Ourinhos, onde comprou, do médico Paulo Bulcão Ribas, os 135 alqueires da Fazenda Múrcia, que incluía quase a metade do centro de Ourinhos. A área passou a ser chamada de Fazenda Chumbeadinha, indo da Avenida Altino Arantes ao atual bairro de Nova Ourinhos. Produzia café e alfafa e tinha ótimas minas, cuja água chegou a ser engarrafada e vendida com o nome Fonte da Saúde. Foi escolhido para prefeito em 1938 e no ano seguinte, Soares começou a lotear a Fazenda Chumbeadinha. Primeiro, criou a Vila Emília, em homenagem à esposa, e, depois, as Vilas Santo Antônio e São Jorge. O restante foi loteado pelos filhos, sendo que, em 1959, começou a criação do atual Jardim Paulista e, mais tarde, a Nova Ourinhos. Soares era ligado ao PRP. Passou brevemente pela dissidência do Partido Democrático, mas logo retornou às origens. Ligou-se, posteriormente, a Adhemar de Barros e, quando este foi interventor do Estado de São Paulo (1938-41), foi nomeado prefeito. Ocupava o cargo, quando foi fundado o primeiro ginásio de Ourinhos e era presidente da Câmara Municipal quando o estabelecimento particular passou para a rede estadual. A escola recebeu o seu nome em 1952, ano em que ele faleceu. Da fazenda, transformada em bairros novos, restam chácaras pertencentes aos filhos.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
João Baptista de Mello Peixoto

Nome da principal praça e de uma rodovia em Ourinhos, João Baptista de Mello Peixoto nasceu em Garanhuns-PE, em 1856. Formou-se em Direito, em 1879, pela Faculdade de Direito do Recife e foi nomeado promotor público em Bom Conselho-PE, onde permaneceu até 1882, quando se transferiu para o Sul. Chegou ao Rio de Janeiro e, graças a uma carta de recomendação ao Visconde de Ouro Preto, chefe do Gabinete Imperial de D. Pedro II, foi encaminhado para trabalhar no Vale do Paraíba. Nomeado inicialmente juiz em Cunha, foi removido para Caçapava, dedicando-se, em seguida, à advocacia e à política. Filiou-se ao Partido Republicano Paulista (PRP) e foi nomeado secretário da Justiça do Estado em 1895. A família sempre foi bem relacionada. O filho de Mello Peixoto, também chamado João Baptista, casou-se com a filha do governador estadual, Francisco de Assis Peixoto Gomide, e o próprio pai foi nomeado secretário da Fazenda e, interinamente, secretário estadual do Interior (1897-1900). Em 1902, tornou-se secretário da Agricultura. Faleceu de síncope cardíaca em 1915 e foi enterrado no cemitério da Consolação, em São Paulo. A decisão de dar o nome do político à principal praça de Ourinhos foi, provavelmente, de Jacintho e Sá, amigo e aliado político de Mello Peixoto. A praça, após a Revolução de 1930, virou Praça João Pessoa. Após a Revolução de 1932, passou a ser Praça da Bandeira, mas logo voltou a receber o nome original.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
José Esteves Mano Filho

Mano foi um prefeito também muito lembrado em Ourinhos. Mineiro, de Campanha da Princesa, onde nasceu em 16.11.1882, graduou-se como agrimensor na Escola Militar do Realengo, Rio de Janeiro, tendo trabalhado na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e no trecho São Paulo-Sorocaba, da Estrada de Ferro Sorocabana. Fez carreira na Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, obtendo prestígio para ocupar a Prefeitura de Ourinhos em dois mandatos, iniciados em 1926 e em 1937. Em 1946, obteve o título de construtor pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, e abriu escritório na cidade, realizando ainda obras em Tupã, Pompéia e Marília. Em 1952, mudou-se para o Rio de Janeiro, vindo a falecer em Barra Mansa, RJ, aos 86 anos. Uma das obras mais lembradas na primeira gestão de Mano Filho é a construção da nova estação da Sorocabana, inaugurada em 1927, substituindo o antigo barracão de madeira, erguido em 1908. Como o diretor geral da Sorocabana, na época, era Arlindo Luz, em sua homenagem, a antiga Rua Pará recebeu o seu nome.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
José Galvão

Galvão foi prefeito no final dos anos 1920. Nasceu em São Miguel Arcanjo, em 1894. Formou-se na Escola Normal Peixoto Gomide, de Itapetininga, em 1914, e diplomou-se em 1924, pela Escola de Far-mácia e Odontologia de Pindamonhangaba. Ingressou, dois anos depois, na Escola de Medicina de São Paulo, mas desistiu por falta de recursos. Voltou então para Ourinhos, tornando-se um dentista respeitado, orador requisitado e amigo de Jacintho e Sá. Foi, assim, eleito prefeito pela Câmara e reeleito três vezes. Entre suas principais realizações, estão a instalação de serviço de água encanada e a reurbanização do centro da cidade. Em 1927, a Rua Paraná foi a primeira da cidade a receber os primeiros trechos com sarjetas e calçadas ladrilhadas. Ligado ao PRP e identificado com a chamada República Velha, após a Revolução de 1930, entregou a prefeitura ao Dr. Hermelino Agnes de Leão e partiu com a esposa, um filho e duas filhas para Sorocaba, onde se tornou presidente e orador do Clube União Recreativa e do Sorocaba Clube. Faleceu em 1948, logo após ter-se formado em Direito pela Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Manoel de Souza Soutello

Soutello, pastor evangélico da Igreja Presbiteriana, como era conhecido, nasceu no dia 01.09.1878, em Portugal, no distrito de Braga, lugar de Soutello, lugarejo vizinho da aldeia onde papai nasceu. Ele chegou ao Brasil em 1889 em companhia de seu irmão mais velho. Mudou-se para Ourinhos aos 16 anos e, na primeira década do século XX, abriu uma loja atacadista e de secos e molhados. Em 1912, Manoel se casou com Maria de Barros, tendo o casal residido na cidade até 1918, quando foi diagnosticado que sua esposa Maria sofria de câncer. Em busca de melhor tratamento, ele com a família mudaram-se para o Rio de Janeiro. Maria faleceu no ano seguinte, com apenas 32 anos de idade. Manoel viajou então para Portugal com sua filha Maria da Glória, de 4 anos de idade e com Mário, de 2 anos de idade, deixando ambos com a avó das crianças, para serem educadas. Voltou a Ourinhos, em 1924, e casou-se com Clotilde, que passou a cuidar dos seus enteados. O casal foi morar no Rio de Janeiro, onde Soutello faleceu no ano de 1948. Depois que Soutello se casou, ele não mais residiu em Ourinhos. No entanto, sempre que possível visitava a cidade. Soutello foi importante para Ourinhos, pelo seu empenho em urbanizar e remodelar a cidade. Sua popularidade pode ser medida pela nota publicada em 04.10.1931, no jornal a Cidade de Ourinhos: "(...) o sr. Souza Soutello, proprietário de várias casas de tábua no ponto mais central, a praça Mello Peixoto, está estudando a demolição das mesmas, substituindo-as por elegantes construções de tijolos. Dado o espírito progressista do adiantado proprietário, que residiu por longos anos nesta localidade, e do entusiasmo crescente que o mesmo dedica ao futuro deste município, é de crer-se que este projeto se transforme em realidade (...)". Algumas dessas edificações foram reformadas e ainda estão no local; algumas foram demolidas e outras vendidas pelo filho Mário ao Dr. Luiz Monzillo. Cabe destacar que Mário, filho de Soutello formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, pelo que se sabe, foi o primeiro ourinhense a ter diploma universitário.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Manoel Vieira de Brito

Manoel de Brito adquiriu 200 alqueires e plantou café, trigo e alfafa, além de criar cavalos, na sua fazenda, que chamou de Canaã. Ligou-se ao PRP e foi pioneiro na inclusão da mulher nas atividades partidárias, com a participação da esposa, Ananisa Franco Amaral Brito, no diretório e conselho consultivo do Partido. Eunice, filha de Manoel e Ananisa, casou-se com o professor e farmacêutico Alberto Braz que, com a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo, em 1945, foi prefeito provisório de Ourinhos entre março de 1946 e março de 1947, por indicação do Partido Social Democrático, tendo sido, ainda, vereador e vice-prefeito de 1956 a 1960. Nos anos de 1950, a Fazenda Canaã foi vendida para Francisco de Paula Dupas, pois, após um derrame, a saúde de dona Ananisa inspirou cuidados e obrigou a família a se mudar para São Paulo. Em 1966, a fazenda foi desmembrada em glebas menores. Deixou de existir definitivamente com a morte do novo dono, cuja família conservou algumas partes e preservou o nome Porto Dupas numa delas.

Capitulo VIII - MINHA CIDADE
Paulo Bulcão Ribas

Paulo, nascido em Tatuí, em 1891, formou-se na Faculdade de Medicina de São Paulo. Não optou por trabalhar em Pindamonhangaba ou no Vale do Paraíba, onde a família era poderosa, nem por clinicar em São Paulo, onde ficaria à sombra do pai, o célebre médico Emílio Ribas, que dirigiu o Serviço Sanitário do Estado de 1898 a 1917. Preferiu exercer a profissão em Ourinhos, onde foi um dos primeiros médicos. Adquiriu a Fazenda Múrcia e ligou-se ao Partido Republicano Paulista (PRP). Amigo de Jacintho Ferreira e Sá e do major Antônio Barbosa Ferraz, de Cambará-PR, elegeu-se vereador, sendo em sua casa a célebre reunião em que os dissidentes do PRP, contrários a Eduardo Salgueiro, se agruparam no Partido Municipal, de breve existência. Vereador por cinco anos, Ribas renunciou em 1926 e mudou-se para Campos do Jordão. Nessa cidade, em 1927, foi assassinado por Moacyr Barbosa Ferraz. Filho do coronel Antônio Barbosa Ferraz, Moacyr acusava-o de ter um caso com sua esposa, dona Cecília, paciente do médico. Dona Cecília e Moacyr tinham um único filho, Mário. Depois da tragédia, Cecília se casou com Luiz Pacheco e Chaves e não tiveram filhos. Dr. Paulo deixou duas filhas, Maia Carolina e Ilia Natividade.

Continua Capitulo VII ...

Eitor Martins

 

 
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