(14)
3322.1810
-
(14)
99650-4140
Como você quer ser atendido?

Imobiliaria Shalom    

Imóveis em Ourinhos e região

 

Capitulo IX - GENTE QUE FEZ OURINHOS...
Aos cidadãos que tanto fizeram para ajudar Ourinhos a crescer.
Aos pioneiros. Aos anônimos. Aos nossos queridos desconhecidos.
Aos excêntricos. Aos durões. Aos valentões. Aos folclóricos.

  A todos, de nossa cidade, que a construíram e ainda a constroem, seja com seu trabalho, com sua luta no dia-a-dia, seja através de seus descendentes. Muitos para aqui vieram lá no começo do século vinte, outros mais tarde. Muitos se tornaram personalidades influentes; outros tantos, pessoas comuns... que na luta do dia-a-dia ganhavam o suficiente para o seu sustento e de suas famílias. Porém, estas pessoas também são as responsáveis pelo crescimento de Ourinhos, posto que fizeram desta cidade o seu refúgio, o castelo que decidiram construir e defender até o fim. Eis alguns nomes:

Abrahão Abujamra

  Abrahão veio em 1939, de Salto Grande para Ourinhos, com a transferência da Comarca Judiciária. Casado com Alice Ribeiro Homem, Abujamra teve os filhos: Alix, Geraldo, Ciro, Alceu, Ibrahim, Irineu e Décio. Alix teve uma filha, Stella. Ciro teve uma filha, Selma. Alceu teve os filhos, Alcea e Alceu. Décio teve um filho, Leandro. Geraldo, casado com Ondina, teve os filhos Heraldo e Deise. Heraldo, casado com Cleusa, teve os filhos Lisandra, Alessandra e Geraldo. Deise, casada com Bernard Bozon Verduraz, teve os filhos, Paul, Jean e Cecile. Ibrahim Roberto Ribeiro Abujamra, teve os filhos Antônio Roberto, Marilice e Helenice. Ibrahim estudou comigo na faculdade de Direito, ITB, de Bauru. O cartório do 1°. Tabelionato de Ourinhos, atualmente, está em mãos de Deise Abujamra, neta de Abrahão.

Alberto Matachana

  Consta que Alberto Matachana foi o primeiro nascido em Ourinhos a ser registrado. Como Ourinhos era uma simples estação da Estrada de Ferro Sorocabana, não era distrito, foi registrado no Cartório de Ipaussu, no dia 7.03.1910, filho de Archipo Matachana e Luiza Garcia Matachana. Fadado a ser o primeiro, foi o sócio nº. 1 do Grêmio Recreativo e um de seus fundadores. Casou-se com Guiomar Mariani Matachana em 29.07.1945, com seus dois filhos Ciomara e Alberto Matachana Filho.
  Estudou na Escola que havia na Rua Paraná, de madeira, na altura da hoje Casa Nunes. Completou seus primeiros estudos no Grupo Escolar Jacinto Ferreira e Sá, o Grupão, na rua que transformaria com seus empreendimentos. Para se traçar um perfil de Alberto, destaquem-se duas qualidades: elegância e tino empreendedor. Essas, ele as deixou por sua vida. Nos tempos de sua mocidade, a elegância era complemento indispensável em muitos da classe. Alberto não poderia ser diferente, esteve sempre entre os mais elegantes, registrando três de seus maiores amigos de festas e bailes: Tufy Abucham, Bráulio Tocalino e Oriente Mori, ao lado de muitos outros.
  Como os moços da época, vestiam-se com ternos cortados pelos magos da tesoura em Ourinhos: Antônio Casseta e os irmãos Dácio e José Silva. As características dominantes de Alberto Matachana foram marcando seus passos. Abriu uma loja com seu irmão Fausto, na Rua Antônio Prado, mas seu destino seria modificar o panorama da Rua Nove Julho, onde adquiriu um prédio e abriu sua loja de confecções, bem ao lado de seu grande amigo Tufy. Era comum verem-se os dois, na frente de suas lojas para o bate-papo. Mas o elegante sonhava mais, começou a construção da maior loja de roupas e calçados na história de Ourinhos, a menina de seus olhos, a tradicional CASA ALBERTO. Na região, somente Bauru poderia competir com ela.
  A Casa Alberto faz parte da história de Ourinhos, a maior loja no ramo até hoje, com o rígido sistema de elegância. Nela se vestiram os elegantes de diversas gerações. Quem comprava uma camisa ou blusa, tinha a certeza da atualidade da moda, e nunca seriam vendidas duas iguais em toda a região. Era a exclusividade da elegância, dirigida por seu tino de bom gosto. Mantinha uma foto de Ronda Fleming, quando filmou na região com Rossano Brazzi provando, escolhendo e comprando calçados. Três lojas ocupam hoje o espaço físico da Casa Alberto. Com 55 anos, iniciou a construção do Ourinhos Palace Hotel, no imóvel adquirido de Tico Migliari. Era a grande novidade de hospedagem na época.
  Para enfrentar suas despesas com a construção do Hotel, sem empréstimos, vendeu todos os seus imóveis em Ourinhos e São Paulo, com exceção da menina de seus olhos a Casa Alberto. Com o Hotel em funcionamento, voltou a adquirir imóveis para seus empreendimentos. Todos na Rua Nove de Julho. Mas o empreendedor queria mais. Adquiriu de Otávio Ferreira a esquina da Nove de Julho com Rio de Janeiro, onde construiu um prédio com garagem subterrânea, ocupado por muito tempo pelo Banco BCN. Seus filhos guardaram muito de seu pai. Na mesma Rua Nove de Julho, esquina com Rio de Janeiro, seu filho Alberto Filho construiu o Centro Comercial Alberto Matachana I, e sua filha Ciomara saiu da Rua Nove de Julho para construir na esquina da Av. Altino Arantes com rua Cardoso Ribeiro, o Centro Comercial Alberto Matachana II. Assim como de Alberto Matachana, devemos resgatar a memória dos grandes empreendedores comerciais de nossa cidade, uma cidade traçada para ser um grande centro comercial.

Alberto de Paula Leite

  O pecuarista Alberto, paulistano, casado com Beatriz Ferreira de Sá Moraes, pais de quatro filhos, Alberto, Maria Beatriz, Maria Silvia e Maria Cristina, dois netos, Alberto e Luciana, priorizou durante sua gestão como Presidente da Fapi, a maior valorização da pecuária e agricultura. Alberto morou várias vezes na região. Quando proprietário da Fazenda Marcondinha, morou no município de Chavantes e em Ourinhos, quando administrava outra propriedade, a Fazenda das Furnas. Nunca se envolveu em política por achar que essa não era sua área de militância.

Dr. Alfredo de Almeida Bessa

  Era natural da cidade Cajuru, formado em 1936, em Niterói. Veio parar aqui em Ourinhos por acaso e adotou a cidade para sempre. Lutou contra a maleita, cuidou dos ferroviários e interessou-se por política, elegendo-se vereador. Testemunha de mais de meio século da vida municipal. Os médicos estão presentes desde o início ourinhense. Fizeram política, assumiram a Prefeitura e exerceram a vereança. Eles deixaram seu bom nome, como administradores.
  A vila era só um distrito de paz de Salto Grande, quando a Câmara daquela cidade escolheu o Dr. Américo Marinho de Azevedo para subprefeito de Ourinhos. É a primeira autoridade executiva da história local. Permaneceu pouco tempo e, mais tarde, seu nome aparece no jornal O Estado de São Paulo, na seção de anúncios dos médicos da capital. Dr. Paulo Ribas, filho do médico sanitarista Emílio Ribas, também residiu, clinicou e foi vereador em Ourinhos, onde possuía uma fazenda. O Dr. Theodureto Ferreira Gomes foi médico respeitado e prefeito em 1931. E o Dr. Hermelino Agnes de Leão está na memória de todos como médico e três vezes prefeito. O Dr. Clóvis Chiaradia foi, portanto, o quarto médico a chegar à Prefeitura, entre esses pioneiros da medicina e da vida pública.

Antônio Dias Ferraz

  Sua cidade natal é a antiga Espírito Santo, no sul de Minas Gerais. Descende da família Dias, veio de Santana do Parnaíba, e dos Ferraz, que vieram da Capitania do Maranhão para a de Minas Gerais. Desde seus tataravôs, sua família é mineira da Zona da Mata e tem parentes nos Estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Desde o ano de 1922, Antonio já conhecia nossa cidade, quando viajou para visitar o pai e o irmão que estavam abrindo uma fazenda em Cambará. Em 1929, veio para cá definitivamente, quando o governo de Getúlio Vargas encampou a cidade e ele, empregado federal, foi cedido para prestar serviços aqui. Aqui se casou com Alba e teve filhos; foi suplente de vereador, chefe de partido político. Aposentou-se e sempre falou com carinho sobre a cidade da qual foi um dos primeiros moradores.

Antonio José Romano Curia

  Natural de Longobucco, na Italia, nascido em 23.02.1938. Formado pela Faculdade de Direito de Bauru em 1963. Militou como Delegado de Polícia nesta cidade e tem a honraria de ser "Comendador". Cidadão Honorário de Ourinhos, no ano de 1981. Delelegado de Polícia Titular do Município de Ourinhos I de 1969 a 1986. Aposentou-se em janeiro de 1989. Tem quatro filhos: Marco Antonio - advogado, Mauro Sérgio - médico veterinário, Paulo - Chef de cozinha em Londres e Luciana - Relações públicas. Cidadão Honorário de Ourinhos em 1981. Aposentou-se em janeiro de 1989. Sempre voltado para as artes, dedicou-se à pintura. Tem suas obras em várias repartições públicas. Recebeu sempre o incentivo indispensável de sua inseparável companheira Therezinha Queiroz.

Antônio Nunes Faria

  Antônio possuía uma loja de calçados, a "Casa Nunes", na Av. Jacintho Sá, onde está a atual sorveteria Pingüim. Depois de alguns anos, mudou-se para ao lado da loja de móveis Pinchowisk. Depois, abriu uma loja ao lado do antigo Bazar do Pedrinho, na Rua Antônio Prado e, finalmente, mudou-se para a Rua Paraná, onde está instalado até hoje.
  Após seu falecimento, seus filhos dissolveram a sociedade e cada um montou sua loja. José tem a "Nunes Magazine"; Noel tem a "Esquina dos Calçados"; Luiz tem uma loja em Santo Antônio da Platina, a "Nova Nunes". Antônio tem uma loja em Jacarezinho, a "Nova Nunes". A esposa de Milton tem uma loja em Piraju, a "Nova Nunes". Antônio Nunes Faria, casado com Dona Francisca Cherubina teve oito filhos: José, Irineu, Alice, Catarina, Luiz, Toninho, Noel e Milton.
  José, casado com Helena Furlaneto, tem uma filha, Rita de Cássia, que é casada com Alexandre. Alice, casada com Raul, tem três filhos: Catarina tem um filho, Danilo. Luiz tem dois filhos; Antônio tem dois filhos; Milton é falecido. Irineu tem três filhos, foi meu colega no Grupo Escolar Virginia Ramalho, onde fizemos o primeiro ano do curso primário, em 1950. Nossa professora era dona Ana Augusta Assunção Pedroso.

Antônio Ragoni, o "Faísca"

  Das figuras que marcam o cotidiano de uma cidade como Ourinhos, uma delas foi o "Faísca", o mestre do rabecão. Veio de Lençóis Paulista, e viveu sempre sozinho entre nós, até falecer na Santa Casa e seu corpo ser buscado por um irmão que era enfermeiro no Hospital das Clínicas. Faísca, ou Antônio Ragoni, era músico, mestre em seu rabecão. Morou em um quarto na rua São Paulo, numa série de outros solteiros que ali alugavam quarto, à esquerda da Igreja Metodista.
  Dizem que Lino Ferrari foi como um pai para ele, pois era músico querido da Ferrari e sua Orquestra. Músico da antiga e famosa boate da Conga. Mas foi com Ferrari que criou fama. Formou alguns anos mais tarde um trio, o "Trio Boite", com Ramiro, na bateria, Celso Silva, no acordeom, e Faísca, no rabecão. E assim percorreu os salões de bailes e festas da região. Muito se conta sobre o Faísca, e alguma coisa vai narrada, "fidedigna", por seus conterrâneos.
  Trabalhou na Sanbra, Moinho Santista na época, como conferente de descarga de sacos de cereais. Como encontrava dificuldade em guardar na memória os números seguidos de sacas, para cada saco colocava no bolso um grão de milho, que no final eram contados para a soma total. Com ele também trabalhou Ramiro, músico seu colega. Assim conta Eraldino Rolim, seu companheiro de firma, que acrescenta mais uma: Quando dormia, de barriga para cima, tinha o tique de colocar uma escova de roupa sobre o peito, na qual ele passava a mão para o sono chegar. Os freqüentadores de bailes afirmam que, pela madrugada, Faísca dormia encostado ao rabecão, mas conservando o ritmo. E, com isso, às vezes não atendia ao comando do maestro.
  Num baile no Yara Clube de Cambará, dizem, ele caiu do palco com rabecão e tudo. Conta José Facini, que muitas vezes lhe entregava o caixa de seu bar, na esquina da Praça Mello Peixoto. Invariavelmente, quando demorava para voltar, ao chegar encontrava Faísca mais pra lá do que pra cá. Da mesma fonte: quando da morte do Faísca, que então morava num quarto na rua Gaspar Ricardo, foi o José Facini, particular amigo, convidado pelo delegado Dr. Curia para testemunhar quando entraram em seu quarto para verificação dos pertences. Era quarto de um solteirão mesmo. Diz Facini, que ao verificar o bolso de um paletó dependurado, viu muito papel picado e constatou que ali começava um ninho de rato. Mas Ragoni, o Faísca, era estimado e tinha muitos amigos. Boa prosa, alegre, era presença obrigatória e tradicional numa das pontas de Ferrari e sua Orquestra. De dia, quando era só músico, estava sempre nas esquinas da Praça Mello Peixoto, sempre com amigos. Faísca, mestre do rabecão em Ourinhos.

Anuar Haddad

  Nasceu em Bernardino de Campos, no dia 08.12.40, veio para Ourinhos em 1954, para trabalhar no 2º Tabelião - Cartório do João de Almeida Prado, cuja esposa Ester Merege, era sua tia. Casou com Cleide e tiveram três filhos: Emmanuel, Drausio e Rafaela. Anuar trabalhou 40 anos, como oficial de justiça no fórum de Ourinhos.

Ary Pocay

  Esta é a história de um menino que, órfão de pai aos nove meses de idade, teve a graça de Deus de ter como mãe Dona Escolástica. Esta ficou viúva com seis filhos - Ary, ainda de colo e cinco filhas (a mais velha com dez anos). Com poucos recursos - apenas algumas vaquinhas de leite - foi obrigada a trabalhar para o sustento dos seus. Empregou-se como servente no Grupo Escolar de Salto Grande, sua cidade, onde conseguiu com dignidade e esforço criar c educar os filhos.
  Este exemplo fixou-se na mente do pequeno Ary. Aos nove anos, além de estudar, ajudava a mãe na distribuição de leite, à tarde, no trabalho de limpeza e manutenção das salas de aula. Esta luta roubou-lhe a oportunidade de desfrutar sua infância e adolescência como os demais meninos.
  Aos treze anos deixou sua casa - humilde, porém cheia de amor, e foi para Ourinhos, trabalhando de dia num cartório e estudando a noite. Dois anos depois, com a criação do Ginásio na cidade onde nasceu, retornou ao lar, continuando os estudos e também trabalhando. Com o início da construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Salto Grande, Ary conseguiu uma vaga na empresa responsável pela obra, a Servix Engenharia. Pensava no escritório mas, como lá não havia vaga, trabalhou como aprendiz na oficina de manutenção de equipamentos - ali descobriu sua vocação para a mecânica e construção de maquinas. Em pouco tempo aprendeu o ofício de torneiro mecânico e mais tarde e de frezador, destacando-se pela destreza e disciplina.
Isto interrompeu seus estudos, pois o serviço o exigia até altas horas da noite e, por muito tempo sua media de trabalho foi de 360 horas por mês (a período normal é de 240 horas/mês). Para compensar optou por um curso de desenhista mecânico e projetista de maquina, por correspondência.
  Sua tenacidade e dedicação foram reconhecidas pele engenheiro superintendente e este nomeou-o chefe geral de produção das oficinas, com apenas cinco anos do inicio de seu aprendizado. Participou da fabricação de diversos equipamentos utilizados na construção da barragem, os quais eram importados na época, Saciando sua sede de saberia a 1ivrarias técnicas quando passava por São Paulo; à noite, após o jantar, ficava horas e horas nessas livrarias, pesquisando sobre construção e projetos de máquinas, e comprando os livros mais próximos de sua atividade. Desta forma, podia associar sua experiência pratica à teoria dos livros. No afã de aumentar seus conhecimentos participou ativamente de cursos, palestras e seminários sobre temas técnicos.
Em 1960, quando foi criada uma subsidiária da Servix Engenharia, Ary Pocay foi convidado e aceitou o cargo de Gerente Técnico e Administrativo da nova indústria. Nesta fabrica deu provas de capacidade dirigindo-a por seis anos.Participou da fabricação de diversos equipamentos pesados uttilizados na montagem de usinas hidrelétricas de diversos Estados brasileiros (comportas, tubulações forçadas de grandes diâmetros etc,).
  O tino comercial de Ary levou-o a diversificar as atividades da empresa, e, em 1964, começou, a prestar assistência técnica às fabricas de óleos vegetais da região. Essas fábricas trabalhavam com equipamentos importados, e o setor estava carente de tecnologia, Antevendo um futuro promissor, passou a pesquisar e desenvolver equipamentos com tecnologia própria e adequada ao mercado brasileiro - o que veio a economizar muitas divisas ao País, Foram anos de trabalho árduo, mas muitas importações foram substituídas pelas máquinas produzidas sob sua direção.
  Este campo, no entanto, era muito grande. Em 1966, Ary Pocay tomou a mais importante e arrojada decisão de sua vida: deixou a Servix Engenhada e formou uma empresa voltada exclusivamente ao setor da extração de óleos vegetais. Não foi fácil desligar-se da Servix, após quinze anos de trabalho e bom relacionamento. Os diretores tinham-no coma filho e tentaram conter seus impulsos com propostas tentadoras, mas ele tinha a certeza que, com a graça de Deus e sua imensa força de vencer, atingiria a meta final. Fundou, então, a IMCAL - INDÚSTRIA MECANICA CARDOSO LTDA., da qual participava com 40%, das cotas e ocupava o cargo de Diretor Geral. Dirigindo uma equipe de excelentes profissionais, projetou e fabricou maquinas e equipamentos para indústrias de óleos vegetais de 1966 à 1976.
  No entanto, esta linha de produtos não era completa, pois faltava desenvolver o projeto de uma extração contínua de óleo. Este processo, moderno e eficiente, exige tecnologia das mais avançadas. Alem disso, era preciso fazer frente as grandes multinacionais que se instalaram no. País nesse período.
  E isto só seria possível desvinculando-se da IMCAL e constituindo uma outra empresa, com técnicos e engenheiros do mais alto nível. E assim, em 13 de maio de 1976, fundou a TECNAL - TECNOLOGIA NACIONAL, especializada em projetos, pesquisas e desenvolvimento de processos de extração de óleos vegetais, com tecnologia própria e 100% brasileira.
  Em 12 de outubro do mesmo ano fundou a TNL - INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA., para fabricar os equipamentos desenvolvidos pela TECNAL. o progresso foi rápido e vertiginoso. A TECNAL e a TNL, com a aplicação de sua tecnologia e equipamentos, conquistaram o mercado de instalações para extração de óleos vegetais. Com menores custos. sobrepujou as grandes multinacionais que se afastaram dos Pais por não conseguirem preços competitivos.
  Em 1981, para atender a demanda sempre crescente, Ary Pocay fundou a TSG - INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA em Salto Grande, sua terra natal Esta unidade e voltada a fabricação de transportadores mecânicos, que são partes integrantes do setor de óleos. Estas empresas formam, hoje, O "GRUPO TECNAL", e dominam uma tecnologia que abrange desde o recebimento dos grãos ate a extração final do óleo.
O sucesso alcançado pelas instalações "TECNAL" rompeu as fronteiras do Brasil e conquistou o mundo, tal qual os bandeirantes, Ary Pocay e seus companheiros fixaram uma bandeira em cada país e formaram o Brasil de importador a exportador de tecnologia, equipamentos e instalações de extração de ó1eos vegetais.
  Mais tarde, sentindo sólida a posição do grupo. realizou um grande sonha de menino: comprou propriedade agrícola. onde tem criação de gado. das empresas, possui também diversas propriedades urbanas.
  Tudo isto, entretanto, não seria valido se ele não tivesse constituído uma família. Leonor, sua esposa sempre o apoiou em todas as decisões, participando tanto das horas difíceis como das alegres. Em 1959 e 1961 nasceram seus dois filhos, Elisabeth e Silvio, que o motivaram ainda mais a fazer e empreender tudo aquilo a que se propunha. Ary costuma a dizer que, graças a Deus, tem os filhos que sempre sonhou - e considera-se gratificado por isto. A exemplo do pai, eles começaram a trabalhar aos 14 de idade. nas empresas do Grupo. Hoje, já formados em cursos superiores, fazem parte do seu administrativo.
  VIDA SOCIAL - Sempre brincalhão e rodeado de amigos, gosta de recebê-los em sua casa de campo e partilhar o lado descontraído da vida. Jogos de futebol e vôlei, e esportes náuticos na empresa de Salto Grande sempre acontecem nessas oportunidades Além disso, já participou ativamente da direção de serviço e instituições filantropicas.
  MENSAGEM - "CRIANCAS: dêem graça por terem nascido no nosso Brasil. O País oferece oportunidades incalculáveis para todos, e quase tudo tem para ser feito - só depende de vocês.
  Não é preciso ter posses: basta o trabalho, a dignidade e a perseverança."

Benedicto da Silva Eloy

  O jornalista Eloy fundava em 27 de outubro, o Jornal da Divisa, que teve sua primeira edição em maio de 1967, mesmo ano que o jornalista se estabeleceu em Ourinhos, depois de percorrer o Norte do Paraná, onde fundou e manteve diversos semanários. Trouxe à luta, os ideais, sobretudo o sonho que nunca abandonou: construir um grande diário. Figura ímpar da imprensa Ourinhense, notabilizou-se pela defesa intransigente das grandes causas pelo desenvolvimento da região e, entre estas, a consolidação da Fapi.

Carlos Augusto Amaral

  Carlos veio de Pilar do Sul, perto de Sorocaba, para Ourinhos. O nome do estabelecimento de Carlos Amaral, que ficava na Avenida Jacintho Sá, foi sempre Casa Carlos. Mas o homem era mais importante, daí o comum com a Casa Amaral, que existiu na esquina da rua São Paulo com Paraná, foi de seu pai, Vicente Amaral, que depois a vendeu para dois portugueses, Abel Agante e Moraes Sarmento. Vicente Amaral é figura histórica da cidade, tendo sido político influente nos primeiros nos tempos do PRP.
Carlos era conhecido pela gentileza, pela elegância, quase sempre sentado a uma mesa no fundo de seu estabelecimento comercial. Amaral foi dessa figuras humanas que impõem um respeito modelar. Distinto, trabalhador, com sua esposa Brasilisa Lima Amaral, sabia receber os amigos como ninguém.
  Deixaram dois filhos, José Vicente do Amaral, advogado, e Ligia Amaral, artista plástica, e muitos netos. Dalva Regina Amaral, Carlos Augusto e José Vicente e em Penápolis, Maria Lígia, Mário e Maria Cecília. Dalva Regina, fez Bacharelado e Mestrado em Direito, em Jacarezinho. Carlos Amaral tinha paixão pelos pássaros. Seu quintal era sonorizado e enfeitado por gaiolas, com as mais variadas espécies, cercadas de todo carinho e cuidado. Um dos empregados da loja sempre as trazia modelarmente limpas. E os passarinheiros ficavam vidrados quando na frente de uma espécie rara. Outro gosto comum era a predileção pelos sabiás, pardos, laranjeiras, e o sabiá-una, preto, só nativo nas praias do litoral paulista, especialmente Ilha Bela e São Sebastião.

Carlos Deviene

  Carlos, casado com Anselma Deviene, teve cinco filhos: Alfredo, Thomires, Santa, Mariinha e Carlos. Alfredo Deviene casou-se com Izolina Catae Deviene e teve dois filhos: Alfredo Deviene Jr. e Adhemar. Thomires casou-se com Benedito Monteiro, teve quatro filhos, José, Paulo, Gloria e Maria Ângela. Santa casou-se com Américo Granato, teve três filhos: Gerson, Gláucia e Glaura. Mariinha, já falecida, era solteira.
  Carlos Eduardo Deviene nasceu em Socorro, em 03.10.1901. Veio para Ourinhos para trabalhar na Rede Viação Paraná-Santa Catarina, onde se aposentou. Depois montou uma loja de madeiras e materiais de construção, em 195l. Casou-se com Benedita Lopes Deviene teve dez filhos: Oswaldo, Carlos Filho, Lourdes, Cleide, Odete, Cleuza, José Luiz, Roberto, Sergio e Benedita. Depois de viúvo, casou-se com Avelina Almeida Deviene, e não teve filhos. Sergio Deviene é meu colega de advocacia e de imobiliária. Sergio casou-se com Maria Elvira e tem três filhos: Alexandre, Andrey e Sergio Filho.

Prof. Carlos Nicolosi

  Dono de um pequeno hotel em Tietê, o italiano Narciso Nicolosi, pai de Carlos, mudou-se para Ourinhos, onde foi juiz de paz e um dos novos donos da antiga Casa Zanotto, de Hermenegildo Zanotto. Seu pai associou-se com o avô materno, Henrique Tocalino, e com o Pedro Médici.
  O professor Carlos é um homem de comportamento emotivo e atitudes que eventualmente, poderiam ser tomadas como excêntricas. Andar pela rua com os seus queridos cachorros perdigueiros, por exemplo, ou demonstrar seus dotes na execução de músicas antigas, na gaita de boca, para os ouvintes ocasionais do Café Paulista. Fiel ao temperamento, o professor entrou de coração aberto nas evocações da Casa Zanotto e dos que a dirigiram, entre eles seu pai, Narciso Nicolosi Filho, o Zico. Refere-se com carinho ao avô Henrique Tocalino, um nome ligado a mudanças importantes no panorama urbano e arquitetônico de Ourinhos.

Irmã Celestina Maria (freira)

  Em 1952, chegavam duas irmãs, vindas do Ipiranga, São Paulo, Casa Mãe, as Irmãs Celestina Maria e Vivalda, que até hoje pertencem à comunidade de Ourinhos. Irmã Celestina Maria será sempre nossa, de nossa cidade de Ourinhos. As Irmãzinhas da Imaculada Conceição, Congregação fundada por Santa Madre Paulina, chegaram a Ourinhos em 1947. Pessoas da cidade ajudaram a arrumar um local para elas, num barracão situado na Rua São Paulo, onde iniciaram seu apostolado em nossa cidade. Na Igreja Matriz pequenina, na Praça Mello Peixoto, prestavam sua ajuda na catequese.
  Logo Dr. Hermelino Leão teve a idéia, e levou algumas irmãs para a Santa Casa, onde trabalharam tantos anos. Longa seria a história de seus trabalhos no Barracão da Rua São Paulo, onde não havia qualquer conforto. Mas logo acorreram moças para o aprendizado de Corte e Costura, Bordados, e depois o início do curso primário. Em 1950, mudaram para sua casa, onde se iniciava um tradicional Colégio em nossa cidade com o nome de Colégio Santo Antônio.
  Irmã Celestina tem uma aura de santidade e bondade como religiosa. Irmã Celestina Maria nasceu em Catanduva, Estado de São Paulo, aos 16 de Janeiro de 1920. Sua família era um berço de honestidade, fé, piedade profunda, num ambiente de alegria e paz. Jovem, como tantas outras, aos 18 anos percebeu sua inclinação para a vida religiosa, religião que cultivava desde seu berço.
  Com 19 anos, formava-se professora primária, em sua cidade natal. Mas em seu coração continuava acesa a intenção para um chamado de Deus, que lhe indicava a vida religiosa. Tomou sua decisão, resolveu entrar na Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Foi para São Paulo, onde, na Casa Mãe, conheceu a fundadora, Santa Madre Paulina, já bastante debilitada e cega, mas o semblante sereno e santo.
  Era o mês de Julho de 1940: com seus 20 anos, iniciou imediatamente sua formação religiosa, com o Postulado, Noviciado, e aos 21 de janeiro de 1943 fez seus primeiro votos, consagrando-se inteira e perpetuamente a Deus e aos irmãos. Em 1942, já recebia sua primeira missão: foi como professora para o Colégio Cristo Rei, em Joaçaba, Santa Catarina, estado onde foi fundada a Congregação, em Nova Trento. O magistério seria o campo de apostolado da Irmã Celestina Maria. Permaneceu em Joaçaba por 10 anos. Em 1952, juntamente com irmã Vivalda, foram transferidas para nossa cidade, para o Colégio Santo Antônio.
  Foi a fundadora e primeira Diretora da Escola Normal Imaculada Conceição. Quantas professoras continuaram seus apostolados por nossas escolas, com as virtudes, sabedoria e humildade que aprenderam ao vivo com a professora e diretora, Irmã Celestina Maria. Em 1970, quando o colégio passou para a Fundação Educacional Miguel Mofarrej, ela continuou trabalhando naquela casa que sempre foi sua, como encarregada do Setor Pessoal, permanecendo até 1990.
  Nesse setor, quantos jovens, guardinhas, aprenderam com a Irmã Celestina. Ela faleceu em Bragança Paulista, na Casa de Repouso da Congregação.

Ciro Barbosa

  Ciro possuía uma olaria em Marques dos Reis e era muito amigo de meus pais. Meu pai cortava lenha de eucalipto, que produzia em seu sítio e quase sempre trocava por tijolos e telhas, ou então vendia para seu amigo Ciro. A filha de Ciro se casou com o empresário Nildo Ferrari.

Clóvis Chiaradia

  Os avós de Clóvis, vieram no início de 1900 da Itália para o Brasil, desembarcaram no porto de Santos e dirigiram-se para cidade de Tietê. De Tietê, após a morte do chefe da família, uma parte dela se deslocou para Botucatu, de onde Silvano e seu irmão Orlando, pai de Clóvis, vieram para Ourinhos em 1930. Orlando ainda retornou a Botucatu, mas fixou-se definitivamente em Ourinhos, em 1940.
  Em Ourinhos o tio de Clóvis, o Sr. Silvano Chiaradia, foi gerente do primeiro banco de Ourinhos, o Banco Francês e Italiano, que estava localizado onde hoje se encontra atualmente o Banco Itaú. Seu pai e seu tio Silvano fundaram a primeira gráfica de Ourinhos - a Indústria Gráfica Chiaradia, situada entre o prédio do Itaú e o atual Teatro Municipal Miguel Cury. Sua gráfica era a maior de toda região da Sorocabana, responsável por toda a propaganda, programas e boletins impressos encomendados pela região que se estende entre Sorocaba e Londrina.
  Clóvis cresceu em Ourinhos, estudou, torceu pelo Operário, fez a Faculdade de Medicina em Curitiba, casou-se com a professora Adelheid Maria Litzinger, uma contemporânea de Faculdade e voltou a esta cidade. Bem sucedido pessoal e profissionalmente, viu nascer e crescer os três filhos, Bruno, Caio e Betina. Clóvis, atualmente, continua clinicando e se dedica também a estudos, pesquisas e política. Dr. Clóvis Chiaradia foi prefeito de Ourinhos de 1989 a 1992 e vice-prefeito no mandato de Toshio Misato no período de 1997/2000.

Demerval Ferreira da Silva

  A gente passa a vida entre risos e lágrimas. São fatos que nos obrigam a um deles, e pessoas também. Demerval, fez muita gente rir. Contador de causos, de piadas, animando a roda de amigos. Ninguém melhor para relembrar e falar dessa pessoa que seu grande amigo professor Norival. Diz o professor: Quantas vezes, um grupo estava no Café do Ponto, Demerval aparecia na frente de sua casa, e alguém gritava: Demerval, vem para cá. E ele chegava de mansinho, sorriso leve, sentava-se: é, na casa do Eloy um dia, e todos atentos esperavam um fato do passado todo recheado de verdade e fantasias.
Conheci o Demerval da Yarama, da Ford, vendendo tratores, caminhões e automóveis. Se o comprador não comprava alguma coisa, uma coisa era certa, saía sorrindo. Seus causos eram longos, muitas vezes repetidos, mas sempre ouvidos com prazer, porque ele tinha um modo próprio para contá-Ios. Foi assim que Tibério Bastos lhe disse um dia, repetindo Benjamin Disraeli: "Se a versão é mais interessante que o fato, conte a versão".
  Certa vez, vindo de São Paulo, em sua companhia, de automóvel, começou a me contar uma história de nosso amigo, quando saímos da Castelo, e terminou quando estávamos passando pela FAPI.
  Quantas vezes já a caminho da rádio para minhas crônicas, telefonava para ele; Selma atendia e o chamava. Ele me tirava de pronto qualquer dúvida que tivesse sobre o passado. Pai amoroso, vô encantado, tinha coração para tudo, como foi um drama para ele quando o Átila, seu boxer, desapareceu.
  Demerval não foi só contador de histórias, estórias e causos, bom vendedor, excelente amigo. Se alguém, eu tantas vezes, tivesse que ir a São Paulo sozinho, era só pedir ao Demerval e, havendo disponibilidade, ele acompanhava com prazer, e esperava a gente da casa da tia da Selma e sua.
  Conhecedor profundo da música popular, principalmente do samba, declamava letras com facilidade, entoava a melodia, e pincelava a biografia de nossos autores e cantores. Ouvinte assíduo de rádio, sabia os locais onde estavam os sambas e músicas antigas. Seresteiro, com pouca voz é verdade, mas gostava de acompanhar os amigos. O teatro o aproveitou pouco, pois sabia interpretar, tinha sentimento de sobra e arte de como comunicá-los. Poucas vezes pegou uma ponta.
  Tenho um remorso. Sempre falou para mim que gostaria de ir a Tietê, para conhecer algo mais sobre Cornélio Pires. Fui sempre adiando, e não fiz essa vontade de meu amigo. Sabia tudo sobre seus livros.
  Figura tradicional no bar de seus cunhados Júlio e João, no Café Paulista. O interessante que em suas histórias sempre as dosava de modo a não ofender ninguém.
  Calou-se a voz dos causos. Quantos momentos alegres fez nós seus amigos passar. Agora, só nos resta passar para frente: assim contava o Demerval ...

Domingos Ângelo Filho

  Domingos, casado com Lídia, tem cinco filhos: Ilson casado com Diva; Eunice, casada com Reinaldo; Nivaldo é solteiro; Nilton, casado com Silmara; e Nilson, casado com Dirce e tem três filhos: Abner, Adrinei e Ariane. Domingos trabalhava na oficina da Rede Ferroviária Federal. Abner é solteiro, trabalha como free-lance para a Rede Record.

Padre Eduardo Antônio Murante

  Padre Eduardo assumiu, em 23.03.1941, os destinos espirituais da paróquia, em substituição ao cônego Miguel dos Reis Mello, procedente da localidade de Ingá. Foi um dos mais benquistos sacerdotes católicos da história ourinhense. Sempre agitado, conversador e informal, usava óculos de desenho antiquado. Freqüentemente era visto à direção de sua pequena caminhonete calhambeque, transportando material de construção para a nova matriz e doações dos paroquianos.
  Nasceu em Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, em 18 de julho de 1908. Estava com 33 anos incompletos quando assumiu a paróquia de Ourinhos. O padre Eduardo, em certa altura da vida, tornou-se freqüentador do Bar do Daniel, o que lhe trouxe problemas com a hierarquia da Igreja, mas não o diminuiu na simpatia dos ourinhenses. Passou seus últimos dias no Asilo São Vicente de Paula, onde faleceu, em 1983, aos 75 anos.

Eduardo Caldas de Mello Peixoto

  Eduardo é um executivo bem-humorado, esportista, que vive em um casarão histórico restaurado em Santana do Paranaíba. Filho de João Baptista de Mello Peixoto Neto e bisneto do senador Mello Peixoto. O velho Mello Peixoto, por exemplo, comprou três grandes áreas de terra em São Paulo, quando os filhos eram pequenos. Na época, as glebas situadas além do Tietê eram muito distantes do centro. Peixoto recomendou aos filhos: "Só vendam as terras quando valerem pelo menos mil contos de réis".
  A família achou aquilo uma extravagância, pois os terrenos estavam num fim de mundo e sem valor. Eduardo Mello Peixoto conta que o bisavô estava certo. "Aqueles terrenos valeram mais de mil contos e pagaram as fazendas que agora hoje integram os bairros do Belenzinho, Penha e Tatuapé".
  Essa informação ajuda a entender um aparente mistério que envolve nossa cidade. Naqueles bairros existem ruas com o nome de gente de Ourinhos. Pioneiros da cidade de Ourinhos, que viveram com negócios ou contatos em São Paulo, a tal ponto de serem lembrados pelas autoridades paulistanas. É que a família Mello Peixoto, ao criar os loteamentos na cidade de São Paulo, decidiu homenagear seus amigos e políticos. Foi assim que surgiram em São Paulo, as ruas Heráclito Sândano, Odilon Chaves do Carmo, José Felipe do Amaral e Jacintho Ferreira e Sá, entre outras.

Eloy Chequer

  Eloy nasceu em Avaré, em 28 de fevereiro de 1920. Morou em Ipaussu e em Chavantes e se fixou em nossa cidade, sempre na sua chácara, próxima ao aeroporto, com arvoredos bem cuidados e animais de estimação. Cavalos, sempre os teve, com boa raça, tratados sempre com muito carinho.
  Na política, só se envolveu em Chavantes. Em Ourinhos, acompanhava os conluios que sempre se realizavam no local dos encontros da época, o Café Paulista, de gente boa como João e Júlio Zaki, os proprietários, de pouca fala, mas muita atenção; a Júlia e Maria Budai, o Ditinho, menino que ali cresceu e hoje vive em Goiânia, com Juízes Advogados na família.
O amigo de todas as horas, Cristiano Costa Júnior, muitas vezes se abrigava sob o teto do Eloy na chácara. Eloy se destacava ao lado do Quincas, Prof. Dalton. Aliás, sempre foi uma característica do Eloy, gostar de gente em sua casa, para conversar, beber a pinguinha juntos, saborear as comidas gostosas, algumas árabes.
  Eloy deixou de sair de casa, por causa do danado de um fêmur. Passou a viver em sua chácara, à sombra dos arvoredos. Sua família foi aumentada e agora moram lá todos os filhos, noras, filhas e netos. Eloy apreciava companhia, era de seu gosto ter a casa sempre cheia, com amigos dos velhos tempos, e amigos de seus filhos. Na enorme casa da chácara abrigam-se Junior, José Roberto, Lidiane, Andressa, Márcia, Bruno, Luiz Paulo, Priscila, Neto, Ronald, Mateus e Vitória; todos são a alegria do Pai e Avô.
  Até aos 88 anos de idade, mas sempre com bom humor, recebia os amigos em casa, para lembrar do passado, sempre com um sorriso cheio de saudade. Pendurados na parede, ainda existem muitos dos objetos que manuseou. Um laço, freios, estribos, chicote, tudo no estilo da época. Muita coisa há para se lembrar do Eloy dos velhos tempos. A famosa água de sua Chácara, límpida e fresca. Eloy mandou fazer várias análises e dizia que era milagrosa. Ourinhos, em grande parte, ia buscar a água do Eloy e, ainda hoje, vão alguns. Eloy Chequer, um símbolo da honestidade, da hospitalidade e da amizade, faleceu no dia 12 de fevereiro de 2008, deixando saudade. Agora faz parte, definitivamente, da história de nossa e sua querida Ourinhos.

Emílio de Leão

  Emílio era tio do Dr. Hermelino. Homem de estatura pequena, tinha a fama de homem violento e muito bravo. Foi vereador pelo Partido Democrático. Era o proprietário da balsa que fazia a travessia do nosso Estado para o Estado do Paraná. João Ferreira de Campos, conhecido como João Sentado, foi o terceiro chofer a trabalhar na praça Mello Peixoto. Além de trabalhar na praça, foi balseiro do Sr. Emilio por mais de oito anos. É sua, a seguinte afirmação: "Aquele baixinho era realmente um homem muito bravo, mas, ao mesmo tempo, era um homem muito bom e caridoso".
  Na Revolução de 1930, lutou aqui na barranca do Rio Paranapanema. Formou um batalhão de voluntários, composto por mais ou menos quarenta homens. Seu colega, José Campos Teixeira, trouxe também um grupo de quarenta homens e os dois comandavam da pedreira do Eloy Chequer até o Porto Mangueirinha, que era a estrada que vai para a cidade de Ribeirão Claro, no Estado do Paraná. Sob o comando dos dois militares revolucionários, aqueles homens defenderam honradamente nossas divisas. O Sr. Emílio foi comandante nas duas Revoluções, as de 1930 e 1932.
  Segundo o amigo de papai, Manoel Teodoro de Melo, que tinha comércio nos dois lados do rio, a ponte que havia ali, foi derrubada na Revolução do Isidoro Dias Lopes, em 1924, depois de bombardeada. A balsa do Sr. Emílio fez a travessia do rio até a construção da nova ponte da estrada de ferro, chamada São Paulo-Paraná. Segundo antigos moradores, Emilio Leão, de fala fina, era miudinho, gostava de uma violenciazinha e tinha muitos capangas.
  Associado aos cunhados, Joaquim José Bittencourt e Rodopiano Leonis Pereira (prefeito de Ourinhos em 1931), organizaram a firma José J. Bittencourt & Cia., a primeira fábrica de macarrão de Ourinhos, máquina de beneficiar arroz, moinho de fubá e torrefação de café. Dois anos depois, Emilio e Leonis compraram a parte de Bittencourt e organizaram a firma Leonis e Leão.

Fauez Mahmoud Salmen Hussain

  Salmen nasceu no ano de 1942, em Domélia, município de Agudos-SP. Filho dos comerciantes Mahmoud Salmen e Rasma Fayad, que chegaram nesta cidade por volta da década de 1950. Salmen se formou na Faculdade de Direito de Bauru e elegeu-se vereador em 1972, sendo re-eleito por mais oito eleições consecutivas pelo povo ourinhense o que o levou a tornar-se um dos raros parlamentares do país a conseguirem tal feito, após a revolução de 1964. Salmen é casado com a professora Dirce Salmen, e tem três filhos: Fadir, Amir e Karina. Fadir é formado em engenharia eletrônica com mestrado em Ourinhos. Amir Roberto é engenheiro agrônomo e delegado na cidade de Andirá. Karina é advogada na capital paulista.

Francisco Cardoso Ribeiro

  Nasceu em 17.05.1876, na localidade de Cachoeira, na província de São Paulo. Formou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, em Ciências Jurídicas e Sociais, respectivamente, em 1895 e 1896. Logo depois de formado, foi nomeado Promotor Público de Pindamonhangaba, iniciando assim sua carreira pública. A seguir, foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Campos Novos do Paranapanema, Santa Cruz do Rio Pardo, Taubaté, Atibaia e Campinas, tendo-se salientado nessas comarcas pelo grande espírito de justiça que presidiu todos os seus atos, merecendo a estima e consideração da população.
  Em 1920, foi nomeado Secretário da Justiça e Segurança Pública do Estado de São Paulo, onde desveladamente cuidou dos interesses da Justiça com a alta capacidade de cultor do Direito e dotes que possuía. Assim, promoveu a reforma judiciária do Estado em 192l, que teve como pontos principais, o concurso para ingresso na Magistratura, a instituição das entrâncias, a substituição dos juízes togados, a supressão das custas e abolição dos despachos remunerados. Terminado o quatriênio, foi nomeado Ministro do Tribunal de Contas do Estado.
  Em Ourinhos, o juiz, ao julgar uma contenda, deu a sentença favorável a Jacintho Sá em desfavor de Tonico Lista, famoso político violento, que mandava matar os seus adversários. Temendo por sua segurança tomou o trem para São Paulo no dia seguinte, fugindo de Tonico Lista.
  Em sua homenagem, por sua honradez, decência e espírito de justiça, Jacintho Ferreira e Sá deu seu nome a uma importante rua de Ourinhos, a rua Cardoso Ribeiro (como ele era conhecido). Esse juiz, tempos depois, foi nomeado secretário da Justiça.

Francisco Constante Netto

  Francisco se mudou para Ourinhos no ano de 1945, para administrar a Fazenda das Furnas, de Olavo Ferreira e Sá. Era casado com Lindaura Gandolfo Constante, e o casal teve oito filhos: Miguel, Roberto, Mauricio, Olinda, Irene, Lenita, Arnaldo e Francisco Filho. Francisco Filho trabalhou comigo na Drogasil, durante cinco anos. Chicão, como era chamado, faleceu ainda muito jovem.
  O Maurício trabalhou na farmácia do Aristides. Anos depois, montou sua farmácia em sociedade com seu irmão Miguel, localizada na Rua Nove de Julho, esquina com Expedicionários, denominada Farmácia São Miguel. Roberto Gandolpho Constante, casado com Marilene, tem três filhos: Liliane, Luciene e Viviane. Roberto foi presidente da Fapi de Ourinhos, em 1972.

Francisco José Hial

  Hial nasceu em Olimpia-SP, em 24.07.1941, Formado pela Faculdade de Direito de Tupã SP, no no ano de 1973. Foi Delegado de Polícia nesta cidade de Ourinhos, de 1978 até 1993. Hial ficou bastante conhecido pelos feitos realizados, em especial no setor investigativo. Aposentou-se em janeiro de 1989. Teve três filhos: Roselene, Raquel e Ricardo que faleceu ainda jovem. Roselene casada Carlos Pelissari, tem três filhos: Raquel teve somente um filho Icaro.
  Aposentou-se em janeiro de 1993. Não se acostumando com a vida de aposentado, incentivado pela sua companheira Jocelli Fátima Vivan, unidos há mais de vinte anos, voltou ao mercado produtivo. Trabalhou na Secretaria de Desenvovimento Econômico da Prefeitura Municipal. Posteriormente foi convidado para municipalizar o Trânsito de Ourinhos, daí pasou a exercer o cargo de chefia desse departamento. Amante de pescarias tendo vários amigos dentre eles o Scarabello e o Dr. Quincas, com este um relaciomento mais constantes.

Francisco Morini, o "Chico Barbeiro"

  Francisco Morini, não era muito conhecido, mas se falar em Chico Barbeiro, muita gente sabe quem era. Trata-se de um dos mais antigos barbeiros de nossa cidade, tornando-se tradicional. Chico começou a profissão em 1942, em Chavantes, chegou em Ourinhos em 1948, exercendo a mesma profissão, em sua casa na Rua Cardoso Ribeiro nº. 1.292. Em 1951 mudou-se para rua Paraná, com sua barbearia, no quarteirão do calçadão, subindo da praça Mello Peixoto. Ali permaneceu durante 15 anos, para voltar para sua casa na Rua Cardoso Ribeiro em 1966, perto da linha da passagem da Sorocabana, onde permanece na ativa até hoje.
  Com 53 anos de barbeiro, cortando cabelos, conversando, ouvindo prosa... Chico conta com uma série de velhos fregueses, como Dr. Roald Correia, Felipini, Celso Silva, Dr. Paulo Miranda, Dr. Omar e outros amigos da velha guarda. Além da barbearia, sempre gostou de caçar e pescar. Adora ouvir o canto sonoro de passarinhos em seu salão. É um hábil artesão de gaiolas, com grande capricho e muita procura.
  Quando não há alguém em suas cadeiras, fica sentado na calçada, procura os vizinhos, pois como barbeiro todo que se preza, deve sempre estar na prosa. Segundo sua afirmação, ainda em atividade está o Ilson, da Avenida Jacinto Sá, e cita o aposentado Ico Crivelari.
  Chico Barbeiro se caracteriza como um indivíduo calmo, e sente que não se pode mais caçar, pois sempre tratou bem de seus passarinhos. Gaiolas sempre limpas, água fresca, alpiste e verdura bem verdinha. Pescaria ainda continua, com suas varinhas para dar banho em minhoca, e trazer seus peixes para uma fritada. Quando se pergunta, Chico você já é aposentado? Ele responde: Xiii...faz muito tempo, mas o trabalho não faz mal a ninguém; gosto de minhas tesouras, de minhas máquinas, e principalmente dos fregueses.

Francisco Romero Filho

  Em 1924, atendendo a pedido do pai, Francisco, com apenas 10 anos de idade, órfão de mãe e criado pela avó materna, portuguesa, abandona a roça em Espírito Santo do Pinhal e vem para nossa cidade. Em Ourinhos, o filho do espanhol morou numa casinha na esquina das atuais ruas Antônio Carlos Mori e Arlindo Luz, onde hoje fica a Praça Prefeito Camargo, a Praça da Catedral. Ia para a entrada da Shell com outros moleques para comer pindaíba, uma frutinha vermelha e gostosa que só dá em mata virgem. Estudou na escola que ficava na Rua Paraná, no local em que hoje está a Nunes Magazine. Foi mecânico, sapateiro, entregador de jornais. Gostava tanto de jogar futebol que, em 1927, fundou o primeiro time juvenil do Clube Atlético Ourinhense.
  Entre 1928 e 1932 trabalhou na Casa Zanotto, na Casa Camargo - depois Supermercado Tone - e posteriormente no Banco Comercial do Estado de São Paulo. Casou-se, teve quatro filhos. Reproduzo aqui, uma carta enviada a Chiquinho, pelo professor Norival: Meu velho amigo Chiquinho Romero, não somos diferentes, por circunstâncias seguimos caminhos diversos, você no seu banco e eu no magistério. Temos mais coisas em comum, do que diferenças por circunstâncias. Somos dois apaixonados. Unidos na paixão pela poesia. Vemos o belo nas coisas mais simples, no abrir de uma flor, no verde das folhas, no sol que nasce ou se põe, no olhar de uma criança, nos cabelos brancos dos que já muito viveram, na conversa de amigos.
  Temos uma mesma paixão por Ourinhos, gostamos de escrever sobre o passado, revivendo momentos, amigos e fatos. E trocamos as lembranças. Quantas vezes citei fatos que ouvi de você, como aquele do menino Chiquinho, que para ser contemplado com um ingresso para a sessão, em cima da carroceria de um caminhão, batia bumbo para propaganda do Cine Municipal, da firma H. Rodrigues; lembra-se até do simples fato de que uma vez estourou o couro de um bumbo. Sabe Chiquinho, você citou tanto a Crônica da Cidade, da Rádio Clube.
  Sei que é ouvinte assíduo, para relembrarmos juntos através das ondas sonoras, nessa Crônica que se impôs e me dá tanta satisfação. Você certamente compara as palavras com suas lembranças. Recitei várias poesias suas nessa crônica. A Crônica da Cidade foi uma dádiva de Deus, deixando-me a impressão de continuar nas escolas, não para ensinar, mas conversar sobre o passado e sobre o cotidiano. Veja Chiquinho como somos iguais, unidos por uma paixão por nossa querida Ourinhos, procurando não deixar seu passado se perder. Lembrou muito bem que nossas famílias moravam vizinhas, participando junto, às vezes, de mesmas festas. Quando voltei do Hospital das Clínicas em 1964, repousando na casa da Carminha, você ou a Maria toda manhã perguntavam como eu ia passando. E seu companheiro do Banco Comercial, meu irmão Nenê, onde partilhavam o dia a dia, com muita estima entre si e pelo Banco.
  E aqueles livrões de Caixa e Conta Corrente, que tantas vezes manusearam. Chiquinho, agora aqui para nós, só em Ourinhos mesmo se destrói um prédio tão bonito como o Banco Comercial, com sua porta e janelas artísticas, nas suas grades de ferro fundido, bem no centro da cidade, ao lado da primeira igreja que também se foi. Chiquinho, alguns vão dizer: olha os dois velhos na hora da saudade! Hora da saudade sim, das coisas boas do passado, para nós dois inspiração de muitos poemas e crônicas. Que Deus nos conserve, para, em mais alguns anos, possamos escrever ainda muita coisa sobre Ourinhos. Um abraço mais uma vez, velho Chiquinho Romero, o abraço do Nono, na alegria com que recebi as suas palavras, meu sincero amigo de seus quase 90 anos.

Gabriel Botelho de Souza Neto

  Gabriel Botelho de Souza Neto, foi casado com Olímpia Durvalina de Souza Botelho. Tiveram oito filhos: Gabriel, José, Ernestina, Sebastião, Olímpia, Maria, Jovilo, O Sr. Gabriel veio para Ourinhos em 1950, para estudar seus dois filhos caçulas. Tinha uma fazenda no município de Ubirajara, na Água do Paiol - Alambari. Residia vizinho, o irmão de Dona Olímpia Durvalina, o Sr. Antônio Botelho, já falecido. Ele era casado com Ernestina de Paula Vieira, tinham quatro filhos: Maria Dirce, Dinorá Lúcia, Dina Vieira Botelho e Darci Botelho. Seu filho, Darci, estudou comigo no primeiro ano do Grupo Escolar Jacintho Ferreira e Sá, o "Grupão", em 1950.
  Tinham fazenda na região, no município de São Pedro do Turvo, Água das Perobas, Fazenda São José e Fazenda Santa Maria, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, em comum com seus irmãos e todos viviam da pecuária. Gabriel residia na Avenida Domingos Perino, 229, a mesma avenida em que residia José Carlos Botelho, casado com Ernestina do Carmo Botelho, com quatro filhos: José Roberto, Carlos César, Angélica, Vanda. O Sr. José Carlos trabalhava como inspetor de alunos no Instituto Horário Soares e seu filho José Roberto trabalhou comigo muitos anos na Drogasil

Harugi Shibata

  Harugi, casado com Marie, teve dois filhos, Carlos e Elizabeth. Falecido em 2007, tornou-se o primeiro vereador nissei de Ourinhos e teve muita projeção junto à comunidade japonesa da região da Média Sorocabana, nas décadas de 1950 e 1960.
  Filho de Saburo Shibata e Yachiyo Shibata, ambos naturais de Wakayama, Japão. Eles emigraram para o Brasil em outubro de 1932, vindos no mesmo navio Kasato-Maru. Conheceram-se durante a viagem. Com o curso técnico concluído, veio com a família do irmão. Yachiyo, com o primário concluído, veio com os pais e irmãos. Como a maioria dos imigrantes japoneses, seus pais trabalharam numa fazenda de café na região da Mogiana (SP), durante um ano, desde a chegada em Santos (SP).
  Depois de trabalharem um ano na região da Mogiana, foram trazidos para Ourinhos por um primo que já se encontrava instalado na cidade, o senhor Iwakura. Dedicaram-se à pequena agricultura de algodão e, mais tarde, depois de casados, ao comércio de hortifrutis e de peixes. Ao contrário da maioria dos casos da época, Yachiyo sempre trabalhou lado a lado com o marido, na conhecida Quitanda São Pedro. Eles tiveram quatro filhos: Shoichi, Harugi, Kiyoji e Harumi.
  Harugi e seu irmão Kiyoji permaneceram em Ourinhos ao lado do pai, dedicando-se ao comércio de peixes voltado para a região da Sorocabana e da Paulista, durante muitos anos. Com os esforços dos pais, todos os filhos concluíram o curso superior. Kiyoshi Shibata, nasceu em Ourinhos, casou-se 1979 com Bárbara, nascida em Palmital, filha de José Silvério Cruz e Iracema Ferreira Cruz. O casal tem três filhos, Juliana, Fabrício e Fernando.

Hélio Gavioli

  Casado com Ema Maria Bernardeli Gavioli, veio para Ourinhos no ano de 1975, de Porto Feliz; comprou uma Fazenda de Luiz Coronado na Água da Prata. O casal tem oito filhos: Alcides, casado com Marlene; Ari, casado com Angelina; Nair casada com Donizete; Cláudio (da pamonha); Valdir, casado com Ligia; Célia, casada com um Argentino; Helio Filho, solteiro e Flávio também solteiro.

Dr. Hermelino Agnes de Leão

  O Dr. Hermelino era o médico da minha família. Veio para Ourinhos em 25.01.1925, e casou-se com Maria Aurora Gomes de Leão. Foi prefeito de Ourinhos em 1930, depois em 1941/44 e de 09.03.45 a 22.11.45. Clinicou até à hora de sua partida, que ocorreu em 21.11.1973. Seu filho Dr. Nelson Leão, que também é médico, é casado com Maria Lúcia Leão. Maria Lucia é sobrinha de Ester Merege do Prado, esposa de João de Almeida Prado. O Sr. João era tabelião do Cartório Civil do segundo tabelionato de notas de Ourinhos, localizado na Rua Nove de Julho. João e Ester tiveram dois filhos: Sebastião, que atualmente é advogado militante da comarca e José de Almeida Prado, que foi juiz de direito em Ourinhos. Maria Lúcia e Sonia trabalham no Fórum de Ourinhos.

Hermilo Coelho Tupiná

  Hermilo nasceu em 24.04.1935, em Ourinhos, filho de Olimpio Coelho Tupiná e Maria Tupiná (Nega). Era contador e advogado, casado com Maria Conceição Mori. O casal teve um único filho, Aurélio Mori Tupiná, engenheiro civil. Hermilo tinha três irmãs, Cléa, Maria Ângela e Célia Regina. É neto de Hermilo Coelho Tupiná, coletor estadual aposentado e de Clementina Ferreira Tupiná, tataraneta do Barão do São Romão.

Humberto Mella

  O Sr. Humberto, casado com Maria Cavezali Mella, teve dez filhos: Ernestina, Albina, Carolina, Osvaldo, Milton, Natal, Josefina, Maria, Diva e José Antonio. Na década de 1930, Humberto tinha uma pensão na Rua Paraná. Seu filho, Milton Mella, casou-se com minha vizinha Dulce, filha de Benedito Pelegrino, que naquela época era gerente da Prado Chaves. Milton possuía uma farmácia na Avenida Jacintho Sá. Seu irmão, José Antônio Mella, mais conhecido como Mella, ainda jovem trabalhou no Banco Comercial. Também trabalhou durante muitos anos no comércio de bebidas, e ainda se associou aos irmãos Ruiz, na fabricação de telhas na Vila Odilon. Casou-se com Iracy Alves de Souza Mella, e tiveram seis filhos: Luiz Antônio, Ricardo, Sandra, Paulo, Sergio e Humberto.

Izaíra Saladini Crivellari

  Izaíra Cabeleireiras, ou Salão da Izaíra, ou ainda Salão do Ico, por muito tempo foi um dos centros da elegância de Ourinhos. Durante 30 anos, o Salão Izaíra fez a cabeça das moças e senhoras ourinhenses. Por ele passaram as moças e as madames de nossa sociedade pelas décadas de 1930, 40, 50 e 60. O salão da Izaíra pertence à história.
  Era o local de trabalho dos mestres Izaíra e Iço (João Batista Crivellari e Izaíra Saladini Crivellari) no prédio onde hoje está a Loja da Cida Freitas. Vieram de outras cidades, como a maioria dos ourinhenses daquela época. Em 1921, Ico veio de Ipaussu, então Ilha Grande. Lá era barbeiro e seu cunhado, Ítalo Ferrari, apaixonado e da diretoria do Ourinhense foi buscá-lo.
  Por muitos anos, o barbeiro de Ilha Grande tornou-se barbeiro em Ourinhos e o garoto de ouro do Clube Atlético Ourinhense, o ligeiro e técnico meia-direita. Deixou a herança para os filhos, principalmente o canhoteiro José Luiz, e o ás do basquete, Tadeu. Izaíra veio de Ribeirão Preto, com sua família Saladini, filha de Chiquinho Saladini, o histórico sanfoneiro, de muitas serestas e muitos bailes. Deram à cidade 7 novos ourinhenses: João Carlos, José Luiz, Joel Antônio, Maria Izaíra, Maria Tereza, Maria Celeste e Tadeu. Hoje, há ainda o coroamento com 14 netos e 10 bisnetos. Suas freguesas sempre encontravam as novidades da moda. Izaíra, por três anos, foi professora leiga. Casados em 1931, o ciumento Ico não quis mais que ela trabalhasse, continuando ele com seu salão de barbeiro, e jogando futebol. Depois de algum tempo, Izaíra também abriu seu salão de Cabeleireira para mulheres. A freguesia começou a aumentar, e Ico mudou sua cadeira para o salão da esposa. Por 30 anos, trabalharam juntos; primeiro, na Rua Paraná e, depois, por mais tempo, na Rua Antônio Carlos Mori.
  No casamento da neta, Dra. Karina com o Dr. Severino, os octogenários dançaram sua valsa, valsa para os noivos. O filho João Carlos passou a ajudá-los como cabeleireiro, e as filhas Maria Izaíra e Maria Teresa como manicuras.
Por 15 anos, o Salão Izaíra foi único em Ourinhos. Apareceram outros, mas a freguesia não diminuiu. Eram os patriarcas da arte dos cabelos em nossa cidade. Gostam de receber amigos para a memória dos velhos tempos. Sempre muito religiosos, seu passeio era a igreja. Ele foi congregado mariano, e ela da Confraria Coração de Jesus e São José.

Jaime Rodrigues de Souza

  Jaime escreveu muito de sua vida em nossa cidade. Estava escrito na seção Gente de Minha Terra, o seguinte, publicado no dia 11 de março de 1973: "Ontem, no Palácio das Convenções, em São Paulo, entre os bacharelandos da Faculdade de Direito de Bragança Paulista, deveria estar um Advogado de porte atlético, negro, trazendo a noite na cor, como diria o poeta. Não compareceu à formatura, pois é muito pesado o custo. Quem seria ele? Dr. Jaime Rodrigues de Souza, o "Jaime do Correio", como era chamado em Ourinhos.
Jaime era um negro alto e forte, de porte atlético. Os mais velhos se lembram. Ele percorreu na vida vários setores, sempre de conquista em conquista até chegar à Chefia no Correio, Bacharel em Direito, formado em Administração Pública. Mas sua maior conquista foi sempre seu padrão de vida, a simpatia que inspirava, a atenção com que atendia a todos, o exemplo de vida que foi. Nasceu em São Jerônimo, e viveu sua infância no norte do Paraná. Olhem só seu currículo de vida: engraxate, balconista, fazedor de colchão, servente de pintor de paredes.
  Foi para o Rio e viveu no morro e em favelas, onde viu de tudo da malandragem, não se misturando. Iniciou aí a Capoeira, da qual seria pioneiro em Ourinhos. Em São Paulo, foi cobrador de bonde. Serviu no exército, chegando a cabo. Não resistiu ao apelo da volta à Guanabara, onde aprendeu a fazer massagens, no que sempre foi bamba. Assim com capoeira, ginástica e massagens. Voltou para a região de nossa terra vermelha, onde foi para a lavoura carpir café e colher milho. Mas, dentro disso, levava um sonho, os estudos.Com 31 anos passa em dois concursos: entra para o Correio como servente e nos exames de admissão para a escola de Comércio do Jorginho. Fez o Ginásio Industrial em nossa cidade, onde se formou torneiro, profissão que exerceu. E começou o Científico, à noite, no Horácio Soares, aonde às vezes chegava atrasado na primeira aula, pois estava lavando o correio. Entrou na Faculdade de Direito de Jacarezinho, transferiu-se para Bragança Paulista, onde se formou Bacharel em Direito. Ascendeu para o cargo de Assessor Jurídico, na D.R. dos Correios em Botucatu.
  Em 1976, foi de Ourinhos para Bauru, para um cargo de Chefia. E agora Jaime do Correio, em Bauru, nos deixou, a seus filhos e demais parentes, aos amigos. Deixou tudo de sua vida de trabalho, a terra vermelha do Norte Pioneiro do Paraná, sua querida Ourinhos, que dizia onde ficava seu coração, as mais humildes profissões que exerceu, o gingado do samba dos morros cariocas ao som da cuíca e tamborim, sua capoeira querida, suas massagens, seu xadrez a que era afeiçoado, seus estudos, diplomas e, sobretudo, exemplo de vida para filhos e amigos.

Jairo Teixeira Diniz

  Jairo nasceu em Santos, em 04.12.1921. Casou-se com Elza e tem dois filhos: Luiz Sergio e Sonia. Luiz Sergio se casou com Maria Virgilina e tem uma filha, Ana Maria. Sonia se casou com Antoninho Moura Rodrigues e tem um filho, Luiz. Jairo trabalhou na Rádio Clube de Ourinhos, de maio de 1948 até 1956. Trabalhou também na São Paulo-Paraná e Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, durante 42 anos com meu ex-sócio Aramis do Prado.
  Certo dia, aconteceu um fato interessante: em meados dos anos cinqüenta, quando Jairo apresentava seu programa de calouros na Rádio Clube ZYS7, estava ele empolgado com os cantores. De repente se distraiu e caiu do palco, que ficava um metro acima do piso. Como o programa era "ao vivo", foi para o ar a maior gargalhada do auditório. Mesmo tendo ele justificado, foi um vexame.

Jefferson Del Rios

  Jefferson nasceu em Ourinhos e aqui permaneceu até o ano de 1963, quando então completou dezenove anos de idade. É jornalista profissional, com especialização no Centre de Formation de Journalistes, em Paris. Redator, editor e crítico de teatro, já tendo trabalhado nas principais publicações paulistas. Entre 1976 e 1977 foi correspondente da Folha de São Paulo em Portugal. Escreve atualmente em O Estado de São Paulo. Em 1992, publicou seu livro "Ourinhos - Memórias de uma Cidade Paulista". Foi um trabalho de muita pesquisa que começou em meados do ano de 1989, até sua publicação no ano de 1992. Uma visão abrangente de cinco décadas, num longo processo de transformação e desenvolvimento que se desenrolou desde o início do século vinte.
  Seu livro começou a ser trabalhado em julho de 1989 nos arquivos da Estrada de Ferro Sorocabana, em São Paulo, em busca de informações, acontecimentos, fatos e o testemunho da história oral, num esforço incomum de recuperação da memória ourinhense. No dizer do professor Norival, "Seu livro é um testemunho de sua competência como jornalista e de seu amor pela cidade em que nasceu".
  Sua contribuição é tão importante que seu livro é hoje uma referência documental sobre a história antiga de Ourinhos e, pelo relato dos aspectos que levaram à criação da cidade no início do século vinte, dá-nos base para uma melhor interpretação dos fatos e sua situação no tempo.

Dr. João Bento Vieira da Silva Neto

  O Dr. João Bento nasceu em 09.09.1912; tornou-se grande advogado e personagem histórica importante de nossa cidade. Fez política do seu jeito: foi vereador, presidente da Câmara, colecionou livros, teve muitos amigos. Ele não esperava viver em Ourinhos, isso aconteceu um pouco ao acaso, um pouco por escolha. Nem pensou em advocacia desde cedo. Queria mesmo era ser engenheiro.
  Tudo nele foi sempre assim, inesperado. Filho do dentista Antenor Augusto e de dona Leonor, professora primária formada no Colégio Caetano de Campos, o Dr. João Bento tinha uma família de origens curiosas. O avô paterno, major João Bento, um dos fundadores de Mococa, era casado com Maria Conceição Bruncken da Silva, de Cubatão, filha de imigrantes alemães. Uma de suas irmãs, Maria Odila, é a mãe do escritor Afonso Schmidt, autor de "A Marcha" e" Os Saltimbancos".
  Os avós maternos foram Frederico Abs, alemão de Hamburgo, casado com Bealina Delfina Pereira da Cunha, fazendeira e grande proprietária de imóveis em Ribeirão Preto. Foi precisamente essa avó Bealina, descrita como uma pessoa muito alegre, de personalidade marcante e um tanto excêntrica, a principal responsável pela opção de João Bento pelo curso de Direito. Na sua avaliação, era algo mais "nobre" que a engenharia desejada pelo neto.
  Dr. João ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde se formou em 1934. Formado, mas sem meios para abrir um escritório por conta própria, prestou concurso para delegado de polícia. Como delegado, passou por Santa Adélia, Capão Bonito e, finalmente, Salto Grande, onde se demitiu para advogar, chegou em Ourinhos, na década de 40, para ficar definitivamente. Começava aí, a lenda pessoal de João Bento, que até os adversários iriam respeitar.

João Dias Gonçalves

  Na Rua Brasil, quase na esquina com a Rua Maranhão, residia um amigo de papai, o João Dias, conhecido como "João da Paia", casado com Benedita (Dita do Seminário). O casal teve cinco filhos: João "Draga", José Roberto (Zéca), Maria Luiza, Marzinha e Fábio Dias Martins. Fabinho foi gerente da Drogasil, onde trabalhamos juntos durante muitos anos. Depois, Fábio formou-se advogado. Atualmente, é presidente da OAB de Ourinhos, juiz conciliador no Fórum e é também Juiz de Paz da Comarca. Meu amigo, Dr. Fábio, realizou o meu casamento no civil com a Sonia e também o casamento de minha filha Fernanda com Toni.

João Ereno

  João se mudou para Ourinhos em 1940, casado com Lucia Fantinatti, trabalhava como construtor (ramo da construção civil). O casal teve cinco filhos: Adeni, casada com Pedro Tupiná; Marlene Maria Ereno Botelho foi casada com Jovino Botelho; Antonio Adauto, casado com Maria Luiza Lopes Ereno; José Reginaldo, casado com Regina Delateia; Arlete Lie, solteira. José Reginaldo Ereno estudou comigo na Escola Técnica de Comércio, no ano de 1961 até o ano de 1967. Atualmente, José tem um posto de gasolina em Ibirarema e seu irmão Adauto possui um sítio próximo à cidade de Ribeirão do Sul, onde explora a agro-pecuária. Seu sítio é vizinho da fazenda do meu amigo Ivan Gonçalves Lemos. O Sr. Ereno construiu em Ourinhos, aproximadamente umas cem casas, entre elas construiu o prédio do Colégio Santo Antonio e foi o construtor que fez o maior número de fornos para queima de tijolos/telhas da Vila Odilon.

João Ferreira de Campos

  Carinhosamente conhecido como João Sentado, nasceu em 1902, em um sítio na zona rural de Piraju. Andou pela região até se decidir por Ourinhos. Em 1924, comprou um Ford a manivela e foi trabalhar como motorista de táxi no meio de um capinzal. Naquele tempo, se dizia "motorista de praça" ou "chofer de praça".
  O capinzal onde estacionava o Fordinho é hoje a Praça Mello Peixoto e em torno dela girou sua vida profissional, ao lado dos colegas Américo, Francisco Saladini e Vitório Davanço. Só por essa atividade, João Sentado já tem garantida a posição entre os homens antigos que viram a cidade crescer. Ninguém o conhecia como João Ferreira, era só João Sentado. Foi o terceiro chofer a trabalhar na praça. Ele abriu o primeiro ponto, na Praça Mello Peixoto, na esquina das ruas São Paulo com Antônio Prado. A praça era ainda um capinzal. Depois, abriu o ponto mais para baixo, na Rua Antônio Prado, onde hoje é a Drogasil. Dali mudou para a Rua Paraná, esquina da rua Nove de Julho, em frente às Casas Pernambucanas, o terceiro ponto.
  E o quarto ponto foi na praça, ao lado do Bar Paratodos, juntamente com Vitório Davanço, Américo e o Chico Saladini. No total, eram oito motoristas ali. Naquele local, havia só uma casa grande, a casa do Chico Lourenço. Também o cinema, o primeiro cinema de Ourinhos, uma enorme casa de tábuas. Era o cinema e a serraria do Chico Lourenço. Depois veio o Cine Rolim, ou Cine Cassino, na esquina da Rua São Paulo com Expedicionários. João Sentado foi também balseiro por mais de oito anos, na balsa do rio Paranapanema, de propriedade de Emilio Leão. Sua primeira mulher morreu em 1938.

João Marques dos Reis

  O Sr. João nasceu em 23.06.1913 na cidade de Itamogi-MG, e veio para Ourinhos no ano de 1930, casando-se com Maria Luzia dos Reis no ano de 1932. O casal teve cinco filhos: Tadeu, João, Dirceu, Edson e Dea. Dea Maria Faria casou com Noel Nunes Faria, com quem teve três filhos: Danielly, Gláucia e Glauber. Noel é filho de Antônio Nunes Faria, casado com Dona Francisca Querubina. O casal, além do Noel teve mais sete filhos: José, Irineu, Alice, Catarina, Luiz, Toninho e Milton. O Sr. João comprou a Padaria Oriente e a explorou durante muitos anos.

João Pedrotti

  João e Noemia Zambaldi Pedrotti tiveram cinco filhos: Agenor; Aparecida, casada com Carlos Herkrat, filho de Jorge Herkrat e Dona Maria, proprietários da escola Técnica - Jorginho; Nilde, casada com Valmi; Eduardo e Antenor Pedrotti. O filho do Antenor, Antenor Jr., é meu amigo e casou-se com a filha de Benedito Antonieto. Eles têm uma loja de materiais elétricos, a "Eletro Duque", na rua Expedicionários, 197, próxima à minha Imobiliária. Agenor Pedrotti é um amigo de mais de cinqüenta anos. Cursamos juntos na Faculdade de Direito em Jacarezinho. Era casado com Jovita Leonel e tiveram quatro filhos: Silvio, Sergio, Márcia e Marisa. Sergio Pedrotti reside, atualmente, na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Marisa Pedrotti é minha colega advogada.

João Ribeiro de Carvalho

  Por volta de 1920, João comprou um sítio em Salto Grande. Casado com Maria teve seis filhos: Tereza, Octaviano, Benedita, Agostinho, Anália e Ana. Agostinho Ribeiro de Carvalho veio para Ourinhos por volta de 1948, e comercializava areia, tijolos e telhas, também foi vereador em Ourinhos. Agostinho casado com Francisca Nunes de Carvalho teve oito filhos: João, Terezinha, Nelson, Cleofe, Benedita, Augusto, Maria de Lourdes, Nyelse e Paulo Ailton. Paulo Ailton Ribeiro de Carvalho é casado com Maria Alice; eles tem três filhos: Viviane, Paulo Henrique e Mário Augusto que é solteiro. Viviane é casado com Petter, tem dois filhos: Natthew e Sofie, residem no Texa (USA). Paulo Henrique é casado com Claudia Regina e tem dois filhos: João Felipe e Ana Karina.

Joaquim, "o pintor"

  Joaquim é pintor tradicional de inúmeras casas de Ourinhos. As cidades vão se criando aos poucos e, no seu quotidiano, pessoas vão se tornando tradicionais nos mais diversos ramos de atividade. Assim ocorreu com Joaquim: morenão calmo, andar pausado, conversa boa, asseado no seu trabalho, algo difícil de se encontrar na sua profissão. Por sua capacidade, seu tipo físico e psicológico, por sua maneira de ser, ele se transformou numa figura conhecida e benquista na cidade.
  Joaquim é casado com Maria de Lurdes, com quem tem três filhas queridas: Ângela Lúcia, Rosângela e Vera Lúcia. Ele nasceu em Minas Gerais, na cidade de Guaxupé, berço de mineiros ilustres, filho de Sebastião e Aucelina de Jesus. Com sua família, veio para Ourinhos em 1946, um rapagão de 16 anos. Em nossa cidade, trabalhou em vários setores, a começar pela lavoura. Grudou no cabo da enxada na Fazenda Chumbeada, que ficava pelos lados do Aeroporto, e depois na Fazenda Lageadinho. Foi funcionário da Sanbra, nos seus áureos tempos em Ourinhos, a principal indústria. Foi mecânico, aprendeu alguma coisa, pelo menos apertar parafuso. Em 1954, iniciou-se em sua verdadeira profissão, começando como auxiliar de pintor de parede e, em 1959, resolveu trabalhar por conta própria. Caprichoso, humilde e respeitador, foi se tornando conhecido aos poucos. Pintou casas de muita gente, e assim em grande parte as boas casas de Ourinhos, até se consagrar definitivamente.
  Quantos pintores começaram por suas mãos e permaneceram longos anos com ele, alguns até trabalhando depois por conta própria, levando o prestígio da escola do Joaquim. Por seu gênio, Joaquim nunca teve um inimigo sequer na cidade. Faz questão de cumprimentar a todos que conhece, ao andar pelas ruas. Seus divertimentos, a pescaria, que adora, e as tardes com a cervejinha no Bar do Português, uma das obras de sua arte. Pessoas como o Joaquim marcam sua passagem pela cidade, com seu gênio, sua humildade, sua capacidade e a qualidade inquestionável de seu trabalho. Certamente, muitas e muitas casas ainda receberão a tinta de Joaquim Pintor.

Joaquim Scarabello Neto

  O delegado de polícia, Scarabello, viveu a maior parte de sua vida em Ourinhos, percorrendo todos os cargos da carreira policial. Ia fazer ainda 59 anos. Com a Marilene, sua esposa, teve Fábio, Delegado de Polícia em São Paulo, e Ricardo, Investigador de polícia em Ourinhos. Seus dois filhos têm um exemplo extraordinário a seguir. Scarabello tinha uma conduta firme de trabalho. Sempre correto e honesto na profissão, firme na direção, mas deixando em todos, um amigo, pois, todos conheciam sua filosofia de trabalho. Somente granjeou amigos nesta cidade que o recebeu. Tinha um orgulho de seus dois filhos, pois sabia que eles assimilaram sua retidão na profissão. Dizia sempre: "O dia em que eu morrer, morro contente." Mas ele foi embora cedo demais. Todos os que trabalharam com ele nas diversas Delegacias o respeitavam, admiravam e estimavam muito seu trabalho de sempre. Era o exemplo.
  Nos lugares que freqüentava sempre foi estimado por seu jeito de tratar os amigos. Suas brincadeiras sempre caíam em terreno fértil, com o que granjeava ainda mais simpatia. Nas reuniões de comes e bebes, fazia questão de ser o churrasqueiro, para servir. Sua paixão, principalmente depois de aposentado, era a pescaria, organizando caravanas para o Mato Grosso. Durante a semana pescava pelas chácaras da redondeza, principalmente na do Salim Mariani, geralmente sozinho no entrar da noite. Foi ali que a mão de Deus o chamou. Faleceu sozinho sem ninguém perto. Marilene, Ricardo e Fábio, seus irmãos e parentes, sabem que Joaquim Scarabello Neto viveu como exemplo de profissional e amigo. Duro no dever, correto, mas sempre atraindo respeito e amigos.

José Arruda Silveira

  Dr. José (formado em Farmácia), nasceu em Capivari em 08.03.1912, filho de Francisco Antonio Ferraz de Arruda e Anna Rosa de Arruda. Veio de Lutécia em l937, para Ourinhos, casado com Carmem Martins Silveira. José e Anna Rosa tiveram quatro filhos: Eneida, Ligia, Paulo Roberto e José Carlos Martins Silveira. Eneida, casada com Luiz Contrucci, teve três filhos: Robson, Roald e Rodolfo; Ligia, casada com João Carlos Ramos teve dois filhos: Adriano e Isabela; Paulo Roberto, casado com Rosane teve três filhos: Paulo Alexandre, Natacha e Samanta. José Carlos Martins Silveira é casado com Terezinha e tem três filhos: Viviany, casada com Orlando; Juliano, casado com Ariane. José Carlos Silveira Filho (Carlinhos), é veterinário. Carlinhos Arruda e Vanessa Ribeiro Arruda têm um filho, Carlos Eduardo. Carlinhos foi o presidente mais jovem da história da Fapi; aos 29 anos dirigiu o maior evento popular da região da Média Sorocabana. Carlinhos definiu desta forma sua atuação frente à 38a Feira "A Fapi é um evento que se supera a cada ano, mas poderia destacar como prioridade na minha gestão a preocupação com a qualidade e credibilidade, construídas ao longo de todos esses anos pelos outros presidentes e suas comissões organizadoras".

José Caetano Sobrinho

  Engenheiro agrônomo, chefe da extinta Casa da Lavoura de Ourinhos, foi o grande idealizador da FAPI - Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos. Zé Caetano trazia na bagagem a experiência de outras Feiras, como as de Uraí em 1952, Assaí em 1953 e Londrina em 1954. Natural de Barra Bonita, formou-se na Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQUE), de Piracicaba. Acreditando nas necessidades de expor as diversidades da produção agrícola regional, como meio de incentivar os produtores rurais e também outros setores da economia local, levantou a idéia de organizar em Ourinhos uma Feira que pudesse atender a essas necessidades. Zé Caetano foi o primeiro presidente da Feira, em 1966.

José Cardoso

  Mamãe tinha uma amiga e vizinha de nome Joaquina Rosa, nascida em 08.03.1923, filha de Manoel Duarte Rosa e de Hermínia Maria Prata. Seus pais moravam no sítio da Água do Jacu e se mudaram para a cidade, próximo à casa onde mamãe trabalhava, na rua Amazonas, nº. 495. Seus pais tinham várias casas de aluguel em Ourinhos. Sua amiga se casou em 1939, aos 16 anos, com José Cardoso. Cardoso trabalhou até 1935, como fundidor na Rede Ferroviária Federal, antiga Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná. Depois, durante nove anos, trabalhou nas Indústrias Migliari, na mesma profissão. Seu proprietário, Narciso, era seu patrão e de minha mãe.
  Mais tarde, Cardoso montou uma pequena fundição na Avenida Altino Arantes em frente ao escritório do Dr. Medeiros. Permaneceu no local por mais de seis anos, transferindo-se mais tarde para a Avenida Domingos Camerlingo Caló. Depois de muito trabalho árduo e dedicação, naquele local fez com que sua fundição se tornasse uma potência, a "Indústria Mecânica Cardoso". Dona Joaquina e seu Cardoso tiveram quatro filhos: Hermínia, Beatriz, Maurício e Cleide. Meus pais foram seus vizinhos durante vários anos e nós, os filhos, éramos contemporâneos e brincávamos juntos, sendo que Beatriz e Ondina foram amigas por muitos anos. Tempos depois, Beatriz casou-se com o Dr. Carlos Cachoni, o médico de minha família, que me operou, retirando as minhas amígdalas, pelo fato de estarem sempre infeccionadas.

José Lourenço Lopes

  José se mudou com a família do sítio onde morava na Chácara São José, em Ribeirão do Sul, para Ourinhos em 1948. Casou-se com Maria Rodrigues Lopes, com quem teve quatro filhos: Lourdes, José, João e Antônio. Lourdes casou com Anor; José, com Lourdes Bianchi; João, com Dirci; e Antônio casou-se com Léia. João Pereira Lopes nasceu em Ourinhos em 1941 e com Dirci teve três filhos: Rogério, Reginaldo e Ricardo. Ele e sua esposa Dirci dedicam-se ao ramo de indústria de confecções, fabricando e vendendo no atacado e varejo.

José Miguel Antonieto

  No n°. 822, da Rua Amazonas, residia a família do Sr. José Miguel Antonieto, um caminhoneiro, que comprou um táxi para mudar de profissão. Seus filhos: Benedito, casado com Maria Janete Fantinatti; Carmem, casada com Antônio Pimentel; Aparecida, casada com João Almeida; José Arnaldo, falecido em 1995, casado com Marilice; Pedro Celso, residente em Brasília e trabalhando no governo, na área de Meio Ambiente, casado com Maria Izabel; Maria Jucelem, casada com Fernando Alexandre e, finalmente, Maria Celeste, casada com Milton Mortari, residentes em Chavantes. Maria e Milton geraram três filhos: Fabiana, casada com Roberto, ambos são médicos; Adriano, que é veterinário e Roberta, advogada, casada com um advogado. Atualmente, Benedito Antonieto é meu cliente e seu genro, Antenor Pedrotti Junior, é meu amigo. Seu irmão José Arnaldo (Nenê), foi meu grande amigo na infância. José Miguel Antonieto, caminhoneiro e taxista, faleceu em 1955, e sua esposa, Ema Zanardo, faleceu em dezembro de 1993.

José Migliacio

  José foi um bonachão que viveu a vida com intensidade e como se deve, segundo aqueles que desfrutaram de seu convívio. Participante ativo das causas comunitárias, escreveu seu nome no rol da família fapiana, como participante de suas comissões ao longo dos anos e ao presidir a II edição da festa no ano de 1967. Durante os anos que participou da organização da Feira, Migliacio fez um trabalho muito importante para a consolidação do evento, priorizando a parte sanitária. Foi fundamental para o extermínio de mosca que a Feira acaba atraindo.
  A saúde em Ourinhos muito deve a Migliacio. Foi ele quem criou o Banco de Leite Materno, na Soprami. Era dentista, foi político e vereador, cargo que também ocuparia em Ourinhos. Amigo cotidiano de Benedito Moreira, adorava gabar-se da dupla de truco que formavam na Barra do Jacaré. Veio para nossa cidade; supergraduou-se em São Paulo, como Sanitarista, profissão que abraçou com paixão. Queria que nosso meio fosse sadio para todos, principalmente para os menos favorecidos. Certamente, com ele Maria Clara aprendeu a ser a grande Líder Indianista que é na região de Mato Grosso. Migliacio foi um perfeccionista, procurando fazer bem tudo que se lhe entregava. Pertencia a uma sociedade, não somente por pertencer, mas para viver e aplicar seus princípios. Era intransigente nas suas campanhas como sanitarista. Nesse terreno, Ourinhos deve muito à sua atuação: fluoretação da água, erradicação da dengue e outras moléstias transmissíveis. Mas, sobretudo; foi exemplo de pai, amigo e cidadão. Com a partida de Maria Aparecida, longe dos filhos, nos últimos anos teve a companhia de seus cães, quase cópia um do outro, aos quais dava e dos quais recebia muito carinho. Dizia que toda pessoa que recebe o carinho de um animal, traz o sinal de seu bom coração.

Continua Capitulo IX2 ...

Eitor Martins

 

 
Voltar ao Índice do Livro ->>
 

 

 

Imobiliária Shalom - Creci - 34.012-SP
Rua Expedicionário, 312 - Ourinhos / SP
Telefone:(14) - 3322.1810
[email protected]
Redes Sociais
Como você quer ser atendido?
Copyright-2015 | RSG ARTES - Criação de Sites e Sistemas para Web | Imobiliária Shalom