(14)
3322.1810
-
(14)
99650-4140
Como você quer ser atendido?

Imobiliaria Shalom    

Imóveis em Ourinhos e região

 

Capitulo IV
A FAMÍLIA MARTINS
Rubens e Nelson

  Mamãe contava que os dois filhos trabalhavam na olaria. Rubens, o mais velho, era mais sério. Nelson, ao contrário, era terrível, vivia sempre aprontando alguma coisa e volta e meia apanhava de papai, que era muito bravo. Por volta de 1939, meu irmão Rubens, então com quatorze anos, e Nelson, com onze anos, decidiram voltar para junto da sua mãe em São Paulo. Alguns anos depois, eles se casaram e formaram suas famílias. Muitos anos depois, nós ficamos amigos.
  Com a ajuda financeira de meu avô materno, em 05.03.1942, meu pai comprou um terreno em Ourinhos, localizado na Rua Maranhão nº. 369, esquina com a Rua Pará nº. 793, na Vila Perino. O terreno, da olaria foi adquirido dos herdeiros das famílias Ferrari, Mori, Cury e Milani. Naquele terreno, papai construiu um barracão de madeira, onde montou uma pequena fábrica de potes (olaria).
  Meus irmãos: a primeira filha de meus pais chamava-se Maria Aparecida, nascida no final de 1936 e falecida poucos meses depois. A segunda irmã chamava-se Bezaltina nasceu e faleceu, poucos dias depois, em 1938. Ondina, a terceira filha, nasceu em 08.07.1939. Cleber, o quinto filho, nasceu em 19.07.1944 e a caçula Iara, nasceu em 27.09.1946.
  Por fumar demais e por passar várias noites na olaria, próximo ao forno e tomando a friagem das madrugadas, principalmente nos meses de inverno, papai tinha asma. Como trabalhava demais, e descuidado com sua alimentação, no ano de 1939, contraiu tuberculose, e acabou internado em um hospital, na cidade de Campos de Jordão, por mais de um ano.
  Durante esse tempo de internação, foi mamãe quem cuidou da olaria, da casa, dos meus irmãos Rubens e Nelson, que eram pequenos, e de Ondina, recém-nascida. Após longo tratamento, papai recuperou-se, retornando para casa e para suas atividades normais. Porém, não deixou de fumar e de passar as noites próximo ao forno da olaria. Um fato curioso: após esse acontecimento, papai teve aversão a tudo que era gelado. Sorvete e geladeira eram proibidos em nossa casa.
  A contabilidade da empresa era escriturada por um amigo de papai, Antônio Luiz Ferreira. Seu escritório e residência ficavam na Rua Antônio Prado, próximo à Drogasil. Antoninho, como era chamado, algum tempo depois, tornou-se prefeito de Ourinhos em 1960/63. Durante o período em que papai esteve internado, foi o Sr. Antoninho quem orientou minha mãe na administração da olaria

Papai tinha um gênio forte

  Ele era um homem fechado e severo. Colocou-nos para trabalhar na olaria desde pequeninos. A primeira a trabalhar ali foi minha mãe, depois Ondina, com oito anos de idade. Ela trabalhou até os treze anos, quando, já uma mocinha, foi estudar no colégio interno de freiras, no Colégio Santo Antônio, de Ourinhos, onde se formou. A seguir, foi a minha vez de trabalhar e aos nove anos eu substituí minha irmã. Cinco anos depois foi a vez do Cleber, que começou a trabalhar na mais tenra idade. Iara, a "Tica", como papai carinhosamente a chamava (e para nós Lurdinha), por ser a filha caçula, não precisou trabalhar na olaria e teve um relacionamento mais próximo com papai.
  Todas as tardes, quando ele chegava do serviço, ela corria para os seus braços e com ele ficava brincando, tendo um tratamento especial. Com o passar do tempo, o seu relacionamento com papai foi mudando e passou a ser igual ao nosso. Apesar de severo, observando seus hábitos, percebi em papai um homem bom e humilde escondido atrás daquela carranca.
  Naquela época, era costume usarem-se tamancos de madeira para trabalhar na olaria. Era uma tradição vinda de Portugal. Ao longo do tempo, esses tamancos foram substituídos por alpargatas de pano. Apenas por curiosidade, nossas roupas usadas para trabalhar eram feitas de saco vazio de trigo, que eram tingidos quase sempre nas cores azul marinho ou marrom.
  Para mim e meus irmãos a casa da mamãe era o centro do mundo e nosso porto seguro. Era lá que nos reuníamos, mesmo depois de adultos, para os almoços de domingo e também nos feriados, de onde tenho muitas lembranças e saudades. Naquela casa vivi os melhores momentos da minha infância e juventude, da qual fizeram parte as artes e traquinagens, as bolinhas de gude, os piões, os papagaios ou pipas, e as brincadeiras de mocinho e bandido.
  Também recordo minhas irmãs, brincando com bonecas de pano, feitas pela mamãe ou fazendo comidinha no quintal, com latinhas vazias. Não posso deixar de registrar: dois meses por ano, minha avó Julia ficava em nossa casa. Vovô já havia falecido e vovó estava muito doente. Minha mãe e minhas tias revezavam-se nos cuidados dela.
  A casa onde Ondina, eu e Cleber nascemos ficava próxima à antiga olaria de papai, na Avenida Jacinto Ferreira e Sá, nº. 548. Depois, meu pai mudou sua olaria para a Rua Pará, nº. 793, esquina com a Rua Maranhão, nº. 425. Depois mudamos nossa residência para Rua Amazonas, 791, esquina com a Rua Maranhão, na Vila Perino. Essa casa foi nossa residência por alguns anos. Até que, no início de 1946, mudamos para a casa localizada em frente, na mesma Rua Amazonas, 786, esquina com a Rua Maranhão.
  Naquela casa nasceu a Iara e foi nossa residência por mais de cinco anos. As duas casas onde residimos eram bem antigas e pequenas, havia somente dois quartos. O banheiro era de madeira, não havia iluminação, estava localizado fora da casa e nos fundos do terreno e o chuveiro era uma lata de querosene vazia de 18 litros toda furada, ligada por uma mangueira na torneira do tanque.
  Pelo fato de meus pais residirem muitos anos no mesmo bairro, eu tive um grande número de amigos. A sua maioria já faleceu, mas ainda conservo a amizade com aqueles que ficaram.

Meus amigos de infância

  Foram meus amigos na infância: Carlos Alberto Tavares Ribeiro (Beto), Almi Tavares Ribeiro (Mi), José Arnaldo Antonieto (Nenê), Paulo Roberto Santana, Mario Godinho Santana, José Brianez, Osvaldo Pelegrino (Pacola), Nelson Pelegrino (Coruja), Onofre, Iozingue, Assis, Walter, seu irmão Antônio Carlos Monteiro. Walter e Toninho eram descendentes da família Durães e, depois de mocinhos, retornaram para Londrina. Toninho estudou comigo em 1949, na nossa primeira escolinha da Vila Margarida.
  Outro amigo, Nelson Ferreira, casou-se com Francisca. Tiveram três filhos: Marcelo, Adriana e Claudia. Claudia trabalha no Fórum, no Cartório Distribuidor.
  Todos esses garotos e muitos outros residiam próximo à casa de meus pais. Nenê (falecido) foi motorista de táxi durante muitos anos. Mi (falecido) era fiscal estadual. Paulo (falecido) era garçom. Brianez (falecido) tinha um bar na Vila Margarida, e seu filho é formado em Medicina.
  Mário era vendedor-viajante; teve aneurisma cerebral; ficou paralítico e atualmente reside em Piraju. Beto é aposentado pela Prefeitura de Ourinhos e, atualmente, tem comércio de materiais de construção na cidade de Marília. O Pelegrino mudou-se para a cidade de Panorama. Onofre é comerciante na cidade. Iozingue casou-se e mudou-se para outra cidade.
  Carlos Alberto Tavares Ribeiro (Beto) sempre foi e continua sendo meu amigo até hoje. Desde a infância, passando pela pré-adolescência, ele sempre me acompanhou. Brincávamos juntos todos os dias e, mesmo quando comecei a trabalhar com meu pai, meu amigo Beto também foi trabalhar comigo todos os dias.
  Nos feriados e aos domingos, saíamos sempre juntos, Beto, Mi, Nenê, Paulo Santana e eu, para caçar passarinhos no cafezal dos Perino, nadar no rio Pardo e tudo aquilo que a molecada fazia. Carlos Alberto se casou com Odila Aparecida Carnevalli (filha de Lírio e Maria de Lourdes).

A casa de meus pais

Lembro-me, ainda, morávamos na Rua Amazonas, 789, em uma casa de tijolos com quatro cômodos. Nossa casa era muito simples, com poucos móveis. Na cozinha, um fogão de lenha, uma mesa comum, um guarda-comida. Era o palco mais freqüentado por mamãe. Não tínhamos geladeira, televisão e nenhum eletrodoméstico. Em razão de uma doença de que fui acometido, papai foi obrigado, em junho de 1954, a comprar uma geladeira para guardar as injeções de penicilina, que eu tomava a cada doze horas.
  Papai comprou uma televisão da marca Phillips, na Baiúca do Miguel, em Ipaussu (guardo a nota fiscal comigo). A compra da televisão aconteceu dois dias antes dos astronautas americanos pisarem na Lua e foi a maior festa em casa. Meu pai achava que aquelas cenas da Lua deveriam ser umas montagens, um engodo dos Estados Unidos para ofuscar a Rússia, que já havia enviado o primeiro homem ao espaço (Yuri Gagarin). Depois, papai acabou se convencendo pelas notícias dos jornais e noticiários da TV. Até então, a Rússia tinha um programa espacial mais adiantado que os Estados Unidos.
  Nossa vida começou a mudar em 04.07.1952, quando papai comprou de Mário de Oliveira Branco uma casa de alvenaria na Avenida Domingos Perino, nº. 169. Que coisa maravilhosa! Mudamos para uma casa com um pouco mais de conforto, com três quartos, banheiro com chuveiro elétrico, embora ficasse instalado na parte de fora da casa. Não era azulejado, assim como a cozinha.

Continua Cap. IV ...

Eitor Martins

 

 
Voltar ao Índice do Livro ->>
 

 

 

Imobiliária Shalom - Creci - 34.012-SP
Rua Expedicionário, 312 - Ourinhos / SP
Telefone:(14) - 3322.1810
[email protected]
Redes Sociais
Como você quer ser atendido?
Copyright-2015 | RSG ARTES - Criação de Sites e Sistemas para Web | Imobiliária Shalom